quinta-feira, 25 de Agosto de 2016 15:38h Atualizado em 25 de Agosto de 2016 às 17:05h. Pollyanna Martins

Mamografia será monitorada no estado

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

O exame de mamografia será monitorado em todo o estado. O Projeto de Lei (PL) 285/15, de autoria do deputado Doutor Wilson Batista (PSD), estabelece diretrizes para o monitoramento da qualidade dos exames de mamografia. A PL foi aprovada em 2° turno pelo plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e tem como objetivo assegurar a qualidade dos exames de mamografia realizados pelos hospitais e pelas clínicas de radiodiagnóstico das redes privadas e públicas de saúde do estado, possibilitando a detecção precoce do câncer da mama.

Conforme o deputado, o câncer da mama representa o segundo tipo mais frequente na população geral e o mais comum entre as mulheres, constituindo à primeira causa de morte entre as mulheres no Brasil. Ainda de acordo com Doutor Wilson, os altos índices de mortalidade se devem à detecção tardia, levando a tratamentos agressivos, que geralmente não são bem-sucedidos. O artigo 1° do projeto de lei determina que as medidas adotadas pelo poder público para o monitoramento da qualidade dos exames de mamografia realizados na rede pública e privada de saúde do estado observarão as seguintes diretrizes “I - cumprimento da legislação sanitária e das demais regulamentações vigentes sobre radiodiagnóstico; II - fortalecimento das estratégias para a detecção precoce e o rastreamento de lesões sugestivas de câncer, visando a elevar o percentual de cura da doença; III - garantia da qualidade dos serviços de radiodiagnóstico prestados à população e do cumprimento dos requisitos técnicos que assegurem a confiabilidade da imagem clínica das mamas e do laudo de mamografia fornecidos”.

Segundo o deputado, o câncer da mama apresenta um prognóstico relativamente bom, se diagnosticado e tratado oportunamente. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 60% dos casos no Brasil são detectados em estágios avançados, o que tem por consequência o aumento de recidivas, o aparecimento de metástases e a redução da sobrevida. “Um exame com alto padrão de qualidade pode visualizar, em 85% a 90% dos casos, um tumor dois anos antes de ocorrer acometimento ganglionar, em mulheres com mais de 50 anos de idade”, explica. Entre as diretrizes estabelecidas pela PL, estão: “IV - incentivo à padronização e à sistematização das informações sobre a detecção e o rastreamento do câncer de mama em âmbito estadual; V - apoio técnico aos municípios para que desenvolvam ações e programas de controle de qualidade dos exames de mamografia; VI - fomento à capacitação e atualização periódica dos profissionais de saúde para a execução dos exames de mamografia”. Segundo Doutor Wilson, a prevenção secundária do câncer de mama se dá pela realização periódica de exame clínico e radiológico, sendo a principal estratégia de rastreamento da doença. Por outro lado, é importante ressaltar que a diferença radiográfica entre o tecido normal e o doente é extremamente tênue. “Desta forma, a alta qualidade do exame é indispensável para alcançar resolução de alto contraste, que permita um diagnóstico correto”.

 

DIRETRIZES

 

A PL determina ainda que “a divulgação de indicadores para o monitoramento dos resultados referentes à qualidade do exame de mamografia que possam contribuir para o controle do câncer de mama no Estado; capacitação e atualização periódica dos profissionais de vigilância sanitária do Estado e dos municípios para a avaliação dos resultados referentes à qualidade dos exames de mamografia; incentivo à qualificação dos médicos para a avaliação da qualidade das imagens clínicas das mamas e para a elaboração dos laudos dos exames de mamografia realizados no Estado; publicidade à listagem dos serviços de diagnóstico por imagem que realizam exames de mamografia em conformidade com os requisitos técnicos estabelecidos para o controle de qualidade”.

 

QUALIDADE DOS EXAMES

 

Um estudo realizado pelo Inca em 53 clínicas de mamografia de Goiânia, Porto Alegre, Belo Horizonte e na Paraíba revelou que apenas 66% dos serviços de mamografia credenciados pelo SUS atendem às normas e aos padrões de qualidade estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia. Outro aspecto que se destaca é a constatação científica de que ocorrem defeitos no processamento do filme, que comprometem o resultado final da imagem, podendo resultar em informações incompletas ou mascaradas. Segundo o autor da proposta, o projeto se justifica diante do elevado índice de laudos equivocados de mamografia no Brasil, que supera 25%, enquanto o percentual aceitável internacionalmente é de 10%. “Eis o objetivo desta proposição: possibilitar às cidadãs mineiras que realizarem o exame de mamografia a certeza de que receberão o diagnóstico correto”, finaliza.

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