quinta-feira, 25 de Agosto de 2016 15:40h Pollyanna Martins

Medicamentos continuam em falta na Farmácia Municipal Central

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

Vários medicamentos continuam em falta na Farmácia Municipal Central de Divinópolis. O problema se arrasta há mais de um ano e, sem saída, os usuários precisam comprar os remédios, que, na maioria das vezes, são de uso contínuo. Há um ano, o Gazeta do Oeste acompanha o dilema dos usuários da Farmacinha quando vão buscar os medicamentos. Em agosto do ano passado, a Prefeitura de Divinópolis informou que fornecia 251 tipos de medicamentos, dos quais 58 estavam em falta. De acordo com a Prefeitura de Divinópolis, são fornecidos atualmente 254 medicamentos e “alguns estão em falta porque o fornecedor tem dificuldade de encontrar”.

Nossa reportagem ouviu vários usuários e muitos deles relataram as dificuldades que passam quando precisam comprar os remédios que tomam. Em março deste ano, nossa reportagem entrevistou a salgadeira Maria Oseni Lopes Ramos e ela contou que, além de pegar remédios para ela, pegava também para a filha, que sofria de epilepsia. A salgadeira relatou ainda que a filha estava há dois meses sem os medicamentos que tomava – Gadernal e Tegretol – e que, dos seis remédios que tomava, tinha pegado apenas três, pois o restante estava em falta. “Eu tomo o Losartana, o Propranolol, o Hidroclorotiazida, o Sinvastatina, o Clonazepam e o Sertralina. Hoje eu consegui pegar só o Losartana, o Hidroclorotiazida e o Propranolol e eles não me falaram quando vão ter”, contou.

A situação é constante. Cinco meses após entrevistarmos a salgadeira, vários usuários da Farmácia Central conseguem apenas um ou dois medicamentos que precisam tomar. A empregada doméstica Lucia Azevedo de Morais está à espera de tiras de teste e seringas para aplicar insulina. Conforme Lúcia, os remédios são para a mãe, que sofre de diabetes. Segundo a empregada doméstica, a mãe precisa medir a glicose duas vezes por dia, e este é o segundo mês que ela não encontra as tiras e as seringas na Farmácia Central. “Na receita do mês passado, já está marcado que estavam faltando seringa e tiras. As atendentes me falaram que chega remédio toda quarta-feira, e que é para eu passar na quinta-feira para saber se chegou, então eu venho aqui toda semana”, conta.

 

COMPRAR MEDICAMENTOS

 

De acordo com Lúcia, no mês passado, foi preciso comprar as seringas e as tiras. Os insumos ficaram em R$ 120. Com a falta também neste mês, a empregada doméstica já se prepara para comprar, mais uma vez, os materiais, pois são de uso contínuo. “Se não tem tiras e seringas, a gente tem que correr e comprar. Ela mede a glicose duas vezes por dia para saber se vai precisar tomar a insulina ou não, se a glicose estiver baixa, ela não precisa tomar a insulina”, explica.

A manicure Lila Silva também saiu da Farmácia Municipal Central com as mãos vazias. Lila está em tratamento contra o tabagismo desde maio deste ano e conta que, para iniciar a terapia, tinha que tomar um medicamento. A manicure foi à Farmacinha, mas, ao chegar ao local, descobriu que não tinha o remédio. Assim como Lúcia, a manicure teve que comprar a medicação. Ontem (23), ela foi mais uma vez à Farmácia Central em busca de uma pomada para tratar uma alergia que desenvolveu dos adesivos utilizados no tratamento, mas saiu do local com as mãos abanando. “Hoje eu vim buscar a pomada e não tem, vou ter que comprar para não ficar sem, porque a alergia está muito forte”, descreve.

Os bancos da Farmácia Central estavam vazios e, segundo a manicure, a falta de usuários tem explicação. “Não tem remédio, o povo não vem buscar”, critica. Lila conta que busca medicamentos na Farmácia Central há anos, e que não é normal encontrar o local vazio. Segundo a manicure, ela já enfrentou filas de virar o quarteirão para buscar medicamentos, e hoje não há mais usuários por falta de remédios. “A gente tinha que chegar às 5:30h, 6h para conseguir pegar remédio aqui. Chegamos aqui e não tem remédio, então desanimamos e não viemos mais. Antes, tinham filas enormes antes de abrir, hoje pode vir qualquer hora que não tem medicamento”, reclama.

 

PREFEITURA

 

A Prefeitura de Divinópolis informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “com uma oferta maior, alguns medicamentos estão em falta porque o fornecedor tem dificuldade de encontrar. Outros itens estão relacionados ao descumprimento do prazo de entrega dos fornecedores. O setor jurídico da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) já foi acionado para tomar as medidas cabíveis. Medicamentos fornecidos pelo Governo de Minas Gerais também estão em falta”. O órgão disse ainda que está atento à falta dos medicamentos e se empenha em resolver a situação em um menor tempo possível.

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