quarta-feira, 31 de Agosto de 2016 15:40h Atualizado em 31 de Agosto de 2016 às 16:56h. Pollyanna Martins

Na quarta reportagem da série “Precariedade dos Bairros”, o Gazeta do Oeste mostra a situação da região noroeste de Divinópolis

Os moradores enfrentam sérios problemas com o abastecimento de água e esgoto escorrendo a céu aberto

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

O Gazeta do Oeste continua visitando os quatro cantos da cidade e, na quarta e penúltima matéria da série “Precariedade dos Bairros”, nossa reportagem visitou três dos 30 bairros da região noroeste de Divinópolis. Assim como nas regiões sudeste, sudoeste e nordeste, os moradores dos bairros Nova Fortaleza II, Rinaldo Campos e Jardim das Oliveiras aguardam por melhorias há anos. O primeiro bairro a ser visitado foi o Jardim das Oliveiras. Apesar da aparente infraestrutura, o bairro ainda tem ruas sem calçamento e tomadas pelo mato alto. O principal problema da região está entre as ruas Recife e Cabo Antônio Vales Nunes. Em razão do relevo da Rua Recife, quando chove, toda a água fica empossada no cruzamento com a Rua Cabo Antônio Vales Nunes, que é plana.

Além de ter o problema de acúmulo de água, a Rua Cabo Antônio Vales Nunes não é calçada e está tomada por mato e buraco. Conforme uma moradora, que preferiu não se identificar, ela mora no local há quatro anos e só comprou a casa porque existia o projeto de calçamento, porém os anos passaram e nada foi feito. De acordo com a moradora, era preciso fazer a drenagem pluvial da via antes de fazer o calçamento, para que a água tivesse vazão. As manilhas foram instaladas, mas o projeto parou por aí mesmo. “Eles colocaram as manilhas, mas pararam por aí e não calçaram a rua. Nós questionamos os funcionários da empresa que fez a obra e eles disseram que não tinham recebido pelo trabalho”, conta.

A moradora conta ainda que várias solicitações foram feitas junto à Prefeitura de Divinópolis, porém o Executivo se manteve inerte e a rua continua precária. Em setembro do ano passado, um grave acidente foi registrado no cruzamento das ruas, quando o calçamento cedeu e uma van caiu dentro de um buraco. Na época, a moradora Pamella Lopez gravou um vídeo mostrando a situação e reclamou também que a qualquer chuva que acontece, os buracos aparecem nas ruas do bairro e, em consequência, vários acidentes são registrados. “São manilhas esparramadas no meio da rua, tudo quebrado, ou seja, dinheiro nosso, dinheiro público e fica tudo espalhado”, relatou.

Além do problema da falta de calçamento, a rua está tomada pelo mato alto, que atrai insetos e animais peçonhentos. Nossa reportagem encontrou ainda na via uma manilha coberta pelo mato. A situação se agrava com um lote que fica ao lado de uma residência e também está tomado pelo mato alto. De acordo com a moradora, ela e a vizinha pagam periodicamente cerca de R$ 80 para que o mato seja retirado. Segundo a moradora, a vizinha já tentou encontrar o dono do lote, mas nem a Prefeitura e nem o cartório conseguiram a informação para notificar o proprietário e solicitar que a limpeza seja feita periodicamente. “Eu tenho todos os recibos. Eu e minha vizinha pagamos R$ 70, R$ 80 para um moço roçar o lote para nós, porque na minha casa tem tudo quanto é tipo de inseto que você imaginar. Até cobra já acharam aqui na porta. O dono nunca veio limpar aqui”, detalha.

 

RINALDO CAMPOS

 

Os moradores do bairro Rinaldo Campos enfrentam um problema bem diferente dos moradores do bairro Jardim das Oliveiras: a ineficácia no abastecimento de água. A ouvidora de plano de saúde, Priscila Duenhas Santos, mora no bairro há um ano e afirma que o problema piora a cada dia. Conforme Priscila, o abastecimento de água é ineficiente. A água chega às caixas d’água das residências somente à noite e o abastecimento não é feito todos os dias. “O abastecimento de água está pior, a água corre por um período menor à noite e não corre todos os dias”, relata. A ouvidora de plano de saúde conta ainda que, antes de se mudarem, ela e o marido precisaram fazer um muro na residência, mas a obra ficou parada, pois no imóvel não tinha água. “Antes de mudar, precisei fazer o muro, e cheguei a pagar alguns dias do pedreiro sem ele trabalhar, pois não tinha água na casa”, relembra.

Com a ineficiência no abastecimento de água, a moradora reclama que já chegou a ficar três dias sem água em casa. Priscila relembra que, na época, foi necessário que a Copasa enviasse um caminhão-pipa para abastecer as residências do bairro. “Sempre ficamos de dois a três dias sem água, já foi necessário a Copasa enviar caminhão-pipa para encher as caixas d'águas. Quando falta água, temos que recorrer às casas de parentes para tomar banho, lavar roupa e comer na rua. Já tive que comprar água mineral para dar aos meus cães”, reclama. Cansada da falta de água no bairro, Priscila protocolou uma reclamação na companhia em março deste ano e a resposta foi a mesma que sempre recebe. “Considerando a situação altimétrica do bairro, em relação à Zona de Abastecimento em que está inserida, a região é mais propensa aos efeitos e impactos de eventuais manutenções e/ou anormalidades que ocorrem no Sistema de Abastecimento de Água. Desta forma, a Copasa vem efetuando estudos de melhorias para minimizar tais efeitos”.

Além do problema no abastecimento de água, os moradores enfrentam ainda esgoto escorrendo a céu aberto. Segundo Priscila, uma poça de água suja se formou na Rua Vicente Matheus, entre o residencial Rinaldo Campos Soares e o Nova Fortaleza II. “As casas do residencial têm rede de esgoto, porém parte [do esgoto] está caindo nesse terreno”, relata. A iluminação pública do bairro foi outro ponto citado pela moradora. Conforme Priscila, a falta de iluminação pública somada à ineficiência do transporte público torna a situação um caos. “O ônibus que atende o residencial passa de duas em duas horas, então quem sai do trabalho às 18h, tem que ficar aguardando o ônibus que passa no Centro às 19:30h, ou pegar o ônibus que vai para o Choro, que para do outro lado da rodovia, que não tem iluminação. Todos os dias mães que trabalham e buscam os filhos na escola após o trabalho atravessam a rodovia no escuro com crianças”, frisa.

 

NOVA FORTALEZA

 

Os moradores dos bairros Nova Fortaleza I e II também sentem na pele a ineficácia do abastecimento de água. O montador de maquinário, Fernando Severino Azevedo, mora no bairro Nova Fortaleza I há dois anos e conta que a falta de água é constante e, assim como no bairro Rinaldo Campos, o abastecimento só é feito durante a madrugada. “De dia, rapidinho a água acaba. Durante o dia, não corre água hora nenhuma, só chega de madrugada e acaba por volta de 6h, 7h no máximo”, detalha.

E quando o abastecimento é interrompido, Fernando precisa recorrer à casa de parentes. Outra medida adotada pelo montador e sua família foi a instalação de uma segunda caixa d’água para fazer o armazenamento de água. “Só tem água na caixa, e as torneiras de dentro de casa são abastecidas pela caixa d’água. As torneiras de fora que têm água da rua, aí você quer lavar uma roupa e não tem jeito”, critica. Fernando reclama ainda da conta de água que chega todo mês pontualmente em sua residência, porém o serviço não é adequado. “A [conta de] água todo mês vem e nós pagamos em dia. Nós abrimos a torneira para sair ar, nós estamos pagando ar, ou seja, pagamos a conta de água para não ter água”, reforça.

 

PREFEITURA

 

A Prefeitura de Divinópolis informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que disponibiliza a Parceria Público-Privada para pavimentação poliédrica e que os moradores do Jardins das Oliveiras precisam procurar a Diretoria de Relações Institucionais e Comunitárias da Prefeitura para buscar informações sobre o projeto.
COPASA

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou que os bairros Nova Fortaleza I e II e Residencial Rinaldo Campos estão localizado em uma região alta em relação à zona de abastecimento e, por isso, estão mais propensos aos impactos causados por eventuais manutenções e anormalidades que interrompam o fornecimento de água. “A empresa está realizando estudos em busca de melhorias para minimizar esses efeitos, já tendo sido, inclusive, implantado dois reservatórios com capacidade total de armazenamento de 200 mil litros de água, para atendimento à região”. A empresa informou ainda que “com relação ao sistema de esgoto da região, o bairro Rinaldo Campos está dotado de redes coletoras, que estão em operação. Entretanto, as redes do bairro Nova Fortaleza I e II, situado ao lado, ainda não estão em operação, aguardando a implantação do interceptor do córrego do Bagaço”.

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.