sexta-feira, 23 de Setembro de 2016 17:00h Jotha Lee

“Se a gente trabalhar unido, poderemos fazer a melhor prefeitura do Brasil”

no dia 18 de outubro), ele se apresenta como a novidade na disputa pela prefeitura de Divinópolis. Mário Lúcio de Oliveira, o Mário Pedrei­ro, candidato a prefeito pelo PSOL, embora começando sua campanha com atraso, fala com a convicção de que, con­seguirá uma vitória. A candi­datura de Mário, que continua trabalhando diariamente no seu ofício de pedreiro, surgiu diante da impugnação do registro do empresário Jorge Torquato, enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Candidato a vice com Torquato, Mário acabou sendo indicado pelo PSOL como o substituto do candidato impugnado, topou a parada e diz que não tem medo de nada. Para candidata a vice-prefeita, Mário escolheu uma mulher negra, Adriana Ferreira da Silva, a Adriana da Casa Portuguesa.

De uma simplicidade ge­nuína e cativante, o pedreiro é casado com Sandra Santos e pai de três filhas. Mário Pedrei­ro fala pouco, é cauteloso em suas colocações, mas também não deixa de acreditar. “Se a gente trabalhar unido, pode­remos fazer a melhor prefei­tura do Brasil’, afirma com a convicção de que pode fazer uma administração vitoriosa.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS PONTOS DO SEU PROGRAMA DE GOVERNO?

Pelo que a gente tem acompanhado, Divinópolis precisa de tudo. A área da saúde continua sendo um dos maiores problemas. Você vai aos postos de saúde, estão todos lotados, as pessoas re­clamando, faltando médicos, muita dificuldade. As pessoas revoltadas já estão brigando, provocando quebradeira nos postos, porque não estão re­cebendo tratamento digno. O cidadão precisa ser tratado com dignidade. Mas há várias coisas que a gente pode fazer para melhorar a situação dos postos. A gente precisa flexi­bilizar o horário de atendi­mento. Pelo menos dois dias da semana, esse atendimento poderia começar ao meio-dia, indo até as 21h, por exemplo. Esse horário permitiria ao trabalhador, que passa o dia inteiro no batente, ter um atendimento em horário dife­renciado. A gente às vezes vai trabalhar doente, precisando fazer uma consulta, e não faz por falta de um horário. Havendo essa flexibilização já é um bom começo para melhorar o atendimento no sistema de saúde. Nós tam­bém precisamos e vamos olhar para a periferia, levando infraestrutura e saneamento, principalmente cuidando do esgoto e do abastecimento. Tem pessoas que não tem nem água em casa e é muita gente que vive essa situação. A gente precisa analisar os contratos que o município tem com a Copasa e exigir aquilo que o cidadão tem direito.

SUA CANDIDATURA SÓ FOI OFICIALIZADA NA SEMANA PASSADA, OU SEJA, O SE­NHOR COMEÇA DE FATO A CAMPANHA COM UMA LARGA DESVANTAGEM SOBRE OS DEMAIS CONCORRENTES. O SENHOR TEM ALGUMA ES­TRATÉGIA PARA TORNAR SEU NOME CONHECIDO JUNTO AO ELEITORADO?

Nossa campanha é po­bre, não dá para fazer muita coisa. Por isso nós temos que aproveitar bem o espaço que a mídia nos oferece, além de usar com inteligência esses debates promovidos por vá­rias entidades e associações. Temos que chegar até aos eleitores mostrando a eles que somos pessoas trabalhadoras e que não vivemos da política. E com a rejeição que a gente percebe com os atuais políti­cos, por essa falta de moral, vamos também no boca-a­-boca levar nossa mensagem

ao povo.

O SENHOR ACREDITA QUE POSSA OBTER UMA VOTAÇÃO EXPRESSIVA OU ATÉ MESMO CHEGAR A UMA VITÓRIA?

Eu acredito. Pelo que nós já conversamos com algumas pessoas, o povo está sem op­ção de votar. E nós estamos nos apresentando como essa opção.

O PSOL TEVE ALGUNS PRO­BLEMAS INTERNOS ANTES DA OFICIALIZAÇÃO DO SEU NOME, COMO A IMPUGNA­ÇÃO DO ENTÃO CANDIDATO, JORGE TORQUATO, QUE CHE­GOU A ACUSAR GENTE DE DENTRO DO PARTIDO DE TEN­TAR “PUXAR O SEU TAPETE”. ISSO PODE INFLUENCIAR NA UNIDADE DO PARTIDO PARA SUA CAMPANHA?

Não. O que tinha que atra­sar, já atrasou. O PSOL vai uni­do para essa disputa e tenho certeza que o que aconteceu lá atrás não vai influenciar na nossa campanha.

SE ELEITO, O SENHOR PRETEN­DE ADOTAR MEDIDAS COM RELAÇÃO AO CONTRATO DE CONCESSÃO DO TRATAMEN­TO DO ESGOTO?

Temos que fazer uma ava­liação criteriosa do contrato e exigir da Copasa que ela cum­pra suas obrigações. Por exem­plo, a limpeza do rio que foi feita pela prefeitura [referin­do-se à re­tirada dos aguapés], aquilo era obrigação da Copa­sa. Não só do rio, mas de to­dos os afluentes no perímetro urbano da cidade é obrigação da Copasa cuidar. Vamos exigir isso.

DIVINÓPOLIS ENFRENTA UMA ONDA DE DESEMPREGO DES­DE O ANO PASSADO E MUI­TOS TRABALHADORES ESTÃO ATÉ COM DIFICULDADES DE SOBREVIVÊNCIA. O SENHOR TEM MEDIDAS PARA AJUDAR O TRABALHADOR?

Tenho sim. Acho que um dos grandes problemas para o trabalhador é o transporte coletivo, que é muito caro. Se eleito, minha intenção é retornar o transporte coletivo bairro/centro, porque esse sistema atual bairro a bairro, eleva o custo e baixa a qua­lidade do serviço. A grande maioria das pessoas utiliza o transporte somente bairro/centro e vice-versa. São pou­cas as pessoas que vão de um bairro a outro. Eu acredito que a população ficará muito bem servida se a gente retomar o sistema antigo.

A PREFEITURA VIVE UMA DAS MAIORES CRISES FINAN­CEIRAS DE SUA HISTÓRIA E ALGUNS OBSERVADORES GARANTEM QUE O PRÓXIMO PREFEITO PODERÁ LEVAR O PRIMEIRO ANO SOMENTE PARA COLO­CAR A CASA EM ORDEM FINANCEIRA. O QUE PODE SER FEITO?

Tem que haver redu­ção de gastos, não existe outro meio. É preci­so cortar onde for possível. No meu governo, vamos reduzir os cargos comissionados ao máximo possível e 90% deles serão ocupados por servi­dor de carreira. Tem muita gente competente dentro da prefeitura, que muitas vezes fica esquecida, enquanto há apadrinhados de políticos, mamando, sem fazer nada. Vamos investir no pessoal capacitado que já está dentro da prefeitura, valorizando seu trabalho e dando oportunida­de para mostrar sua eficiência.

O SENHOR ACHA QUE É POS­SÍVEL REDUZIR O NÚMERO DE SECRETARIAS?

Tudo precisa ser analisado. Mas onde puder cortar para reduzir os gastos, eu vou cor­tar. Não vou deixar ninguém mamando sem nada fazer dentro da prefeitura.

COMO O SENHOR AVALIA A ATUAL ADMINISTRAÇÃO?

O governo atual chega a ser uma piada. O que a gente tem visto mostra que esse go­verno trabalhou contra o povo. Essa situação da Copasa, por exemplo, que devia entregar a Estação de Tratamento do Rio Itapecerica agora e ele [prefeito Vladimir Azevedo] dá mais dois anos é um exemplo. É lamentável ver o que está acontecendo.

O SENHOR ACHA QUE O PSOL PODERÁ SER O VOTO DE PRO­TESTO?

Não queremos que seja assim. Acho que o eleitor pre­cisa confiar no nosso projeto, porque já está mais do que provado que esses políticos que vêm tomando o poder em Divinópolis não têm respeita­do a vontade do povo. Estamos pedindo essa oportunidade, porque somos a real novidade da próxima eleição. A gente vai trabalhar com honestidade, mostrando de onde entra e para onde sai o dinheiro, dar todo apoio ao servidor pú­blico para exercer sua função com vontade e ouvir sempre o povo. Se a gente trabalhar uni­dos, poderemos fazer a melhor prefeitura do Brasil.

SEUS ADVERSÁRIOS NA CAM­PANHA, DE ALGUMA MANEI­RA, TÊM MAIS EXPERIÊNCIA NA VIDA POLÍTICO-PARTIDÁ­RIA. O SENHOR ACHA QUE PODE SUPERÁ-LOS?

Eu acho que sim. Veja que nosso partido está sozinho [O PSOL não se coligou a nenhum outro partido]. A maioria dos meus adversários está em coligações e coliga­ção é cabide de emprego na prefeitura. Não é uma aliança que vai garantir a eleição de ninguém. O povo está ciente do que está acontecendo e as urnas, eu tenho certeza, vão mostrar isso.

O SENHOR TEM ALGUM TIPO DE MEDO?

Medo nenhum. Eu estou aqui me dispondo para servir o povo, fazendo o que muitas pessoas gostariam, mas não têm coragem de fazer. Eu estou colocando minha cara para bater e me apresento como a opção para quem está querendo uma mudança.

QUAL A MENSAGEM O SE­NHOR DEIXA PARA OS ELEI­TORES?

Agradecer a todos que têm me recebido muito bem e lembrar que essa é a primei­ra vez que um trabalhador braçal está disputando a pre­feitura de Divinópolis.

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