quarta-feira, 21 de Setembro de 2016 13:37h Pedro Gianelli

Secretaria de Saúde reforça dicas de prevenção para evitar a Febre Maculosa Brasileira

População deve ficar atenta quando exposta a ambientes favoráveis à infestação ou presença de carrapatos, como áreas rurais, matas, cachoeiras, parques e lagoas

A Febre Maculosa Brasilei­ra (FMB), transmitida ao ser humano por meio da picada do carrapato-estrela infec­tado pela bactéria Rickettsia rickettsii, é uma doença grave e, se não tratada logo no início do aparecimento dos sinto­mas, pode levar à morte.

A doença, que apresenta casos registrados em áreas rurais e urbanas, se manifesta de forma aguda por meio de sintomas como febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, mal estar, náuseas, vômitos e, em alguns casos, podem surgir manchas avermelhadas na pele, principalmente na palma das mãos e planta dos pés.

Segundo a referência téc­nica do Programa da Febre Maculosa Brasileira da Se­cretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Bruna Dias Tourinho, alguns cuidados são importantes para prevenção da doença.

“É importante que a po­pulação esteja atenta para a vistoria frequente do corpo quando exposta a ambientes favoráveis à infestação ou presença de carrapatos, como áreas rurais, matas, cachoei­ras, pasto sujo, áreas com pre­sença de animais domésticos ou silvestres, parques, beira de rios e lagoas”, explica.

Bruna complementa que “os cuidados devem ser re­dobrados também quanto ao contato com animais que par­ticipam do ciclo de transmis­são da doença como roedores, cães, cavalos, capivaras e bois”, completa.

DIAGNÓSTICO E TRATAMEN­TO

Segundo a referência téc­nica, os sintomas iniciais da febre maculosa ocorrem entre o 2º e o 14º dia após a picada do carrapato e podem ser facilmente confundidos com os de outras doenças. Por isso é fundamental que, diante dos primeiros sintomas, o pa­ciente procure imediatamente o serviço de saúde e relate ao profissional médico que este­ve em áreas propícias para a presença de carrapatos.

A partir da suspeita de FMB, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, sem esperar a confirmação la­boratorial do caso. Se não tratados, pacientes com FMB podem evoluir para estágios de confusão, torpor, altera­ções psicomotoras e outras manifestações graves (edema, manifestações hemorrágicas, icterícia), que requerem cui­dados hospitalares intensivos e podem levar o paciente ao óbito em cerca de 80% dos ca­sos, alerta a referência técnica em Febre Maculosa Brasileira, Bruna Dias Tourinho.

EXAMES DE DIAGNÓSTICO DA FMB

A conduta laboratorial para o diagnóstico da Febre Maculosa Brasileira é defi­nida de acordo com o tipo de amostra e o prazo entre o início dos sintomas e a coleta. A Imunofluorescência Indireta é realizada quando a coleta da amostra é realizada a partir do 7º dia após o início dos sinto­mas, período em que os anti­corpos específicos que agem contra o agente que provoca a doença podem ser detectados.

Amostras coletadas antes desse prazo, quando necessá­rio, são encaminhadas para a Reação em Cadeia de Polime­rase (em inglês Polymerase Chain Reaction – PCR), méto­do que pesquisa diretamente o material genético da bactéria.

CASOS DE FMB

Casos de Febre Maculosa Brasileira (FMB) são registra­dos em Minas Gerais desde a década de 1930. De 2008 a 2016 foram registrados 111 casos e 46 óbitos por causa da doença nas principais macror­regiões do estado.

As que apresentaram maior frequência de casos foram Centro (26%), Sudeste (22,9%), Leste (15,6%) e Oeste (12,5%). Os municípios com maior número de registros da doença foram Divinópolis (8,3%), Juiz de Fora (7,2%), e Diamantina (4,2%). Em 2016, até o momento, foram dez casos confirmados e quatro óbitos.

Segundo o Ministério da Saúde, além de Minas Gerais também há registros da doen­ça nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espirito Santo, Santa Catarina e mais recentemente no Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Ceará e Mato Grosso do Sul.

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