sábado, 24 de Setembro de 2016 11:46h Jotha Lee

“Vamos rever todos os contratos de concessão”

Ex-bancário por 16 anos, advogado e atualmente o ve­reador mais votado da atual legislatura. Marcos Vinícius Pereira, o Marquinho Clemen­tino, 49 anos, é o candidato a prefeito de Divinópolis pelo PROS e traz na ponta da língua o discurso da mudança. Ca­sado há 20 anos com Glaucia Sbampato, atual Superinten­dente Regional de Saúde, pai de Vinícius e Letícia, Marqui­nho Clementino construiu sua carreira política começando como administrador regio­nal e posteriormente como administrador do Distrito Industrial. Eleito vereador pelo PSL em 2012 com 3.158 votos, Clementino defende ideias de austeridade e diz que os custeio da máquina pública não for reduzido, Divinópolis pode ficar ingovernável. E ga­rante: “Minha gestão não será igual a essa”.

QUAIS SÃO AS PRIMEIRAS MEDIDAS QUE O SENHOR PRETENDE ADOTAR SE FOR ELEITO?

Logo no início do manda­to, vamos fazer uma auditoria em todas as secretarias. Vamos fazer um enxugamento não só no número de secretarias, mas também no número de cargos comissionados. E isso, não é discurso vago. É uma necessi­dade. Nós já estamos sentindo a retração na capacidade de investimento do município. Ou faz um enxugamento no número de cargos comissio­nados e valoriza o servidor de carreira ou a prefeitura fica ingovernável. Isso não tem jeito. É condição sine qua non. Mediante a auditoria das contas, mediante a redução do número de secretarias, dos cargos comissionados, e a valorização do servidor de carreira, nós vamos rever todos os contratos de con­cessão, inclusive o da Copasa. É fundamental revisarmos o contrato da Copasa, porque o problema não se restringe so­mente à construção da ETE e o início efetivo do tratamento do esgoto. É preciso trabalhar no desassoreamento do Rio Itapecerica, a ligação da rede de esgoto nas residências em bairros como o São Simão, Grajaú, Terra Azul, Candidés, Jardinópolis e Copacabana, onde a situação é muito gra­ve. Nesses bairros, o sistema já está pronto, faltando só a interligação nas residências e nós vamos cobrar isso através de uma revisão de contrato. Vamos também fazer uma revisão no contrato da coleta de lixo, porque nós precisamos implantar a coleta seletiva em toda a cidade, até como forma de diminuir a saturação do nosso aterro sanitário. Isso é para ontem. Esse enfren­tamento precisa ser feito de forma corajosa. Precisamos também implementar ações dentro da prefeitura, que pos­sibilitem uma otimização na aprovação de projetos para a implantação de novas empre­sas, viabilização e manutenção de alvarás para aquelas que es­tão se instalando e desta forma captar novos investimentos, gerando novos empregos e aumentando a arrecadação. A prefeitura precisa muito alavancar sua arrecadação para que possamos investir em saúde, educação, segu­rança. É nossa intenção criar a guarda municipal para au­xiliar a Polícia Militar. Para se ter uma ideia, a Polícia Militar precisaria hoje de mais 160 policiais para atingir a média necessária à proporção da população de Divinópolis. O que vimos é o contrário. A cada ano, novos policiais são reformados, saindo da ativa e desguarnecendo ainda mais a nossa Polícia Militar. Essa situ­ação tem levado ao aumento do número de crimes violen­tos na proporção de 67% e o número de assassinatos liga­dos ao tráfico de drogas, com aumento de 35%. A questão da segurança em Divinópolis é prioridade e assim será em nosso governo.

O ATUAL PREFEITO FEZ UM ARRANJO COM A COPASA, JÁ QUE, SEGUNDO ELE, NÃO HOUVE PRORROGAÇÃO DE CONTRATO, E DEU MAIS DOIS ANOS PARA A COMPANHIA TERMINAR A ETE DO RIO ITA­PECERICA. COMO O SENHOR VAI LIDAR COM ISSO?

A assinatura do contrato com a Copasa, nos moldes em que foi celebrado, já foi um crime contra a população. Parte da indenização que a Copasa deveria repassar ao município pelo que já está pronto, que deveria ser utiliza­da nesses bairros onde ainda não há nem a ligação da rede de esgoto, foi empregada em uma amortização pelo atual prefeito do PSDB para que não fosse cobrada a taxa de esgoto em 2012, não vou fazer juízo de valores, mas todo mundo sabe porque isso foi feito. Era ano eleitoral e é só somar dois mais dois. A partir daí a Copa­sa já vem cobrando a coleta e o transporte do esgoto, que, aliás, já érea cobrada na guia do IPTU, só que o coeficiente era menor. Com a transferên­cia do esgoto para a Copasa, a cobrança da taxa do esgoto passou a ser feita sobre o con­sumo de água, o que elevou e muito o valor que o cidadão paga.

COMO O SENHOR RECEBEU A AVALIAÇÃO FEITA PELO INSTI­TUTO DATAFOLHA, QUE DEU A DIVINÓPOLIS “ALGUMA EFICI­ÊNCIA” E DEIXOU O MUNICÍ­PIO EM POSIÇÃO INCÔMODA NO RANKING DE EFICIÊNCIA NACIONAL NA APLICAÇÃO DE RECURSOS DOS MUNICÍPIOS?

É nossa realidade de fato. Nos últimos anos, tomou-se muito crédito de diversos pro­gramas do governo – como o PAC, Somma, Pró-Transporte – mas os recursos não foram aplicados da forma mais efi­caz. Por exemplo, nós temos os bairros Jardinópolis e Candi­dés que foram contemplados com pavimentação, através de recursos do PAC. Se você for ao Jardim Candidés e ao Jar­dinópolis, verá que o serviço foi executado de uma forma muito ruim e as próximas ad­ministrações terão que arcar com parcelas a serem debita­das dentro dos repasses que são feitos ao município, para­lelamente à manutenção dos serviços que não foram feitos da forma como deveriam. A pavimentação é de péssima qualidade. E outras obras mais que não foram finalizadas, ou que estão deteriorando e isso eleva muito os custos. Realmente a aplicação dos re­cursos precisava ter sido mais criteriosa.

A SUA CANDIDATURA É APOIADA POR UMA COLIGA­ÇÃO DE ONZE PARTIDOS. O SENHOR PERMITIRÁ O LOTE­AMENTO DE CARGOS PARA ATENDER AOS INTERESSES DE TODOS ELES?

De jeito nenhum. Como já afirmei, hoje, se não for feito o enxugamento da folha, a redu­ção dos cargos comissionados e das secretarias, a prefeitura fica ingovernável e isso foi colocado na mesa com todos os parceiros da nossa candida­tura. Isso foi colocado sempre com muita clareza. Inclusive, ao longo da caminhada, al­guns parceiros nos cobravam algum posicionamento nesse sentido e eu disse que era um critério que nós havíamos adotado e eu não poderia fa­zer compromissos de cargos com ninguém. Essa questão também foi colocada para os deputados qua apóiam nossa candidatura [Jaime Martins (PSD) e Fabiano Tolentino (PPS)]. A cidade precisa muito da participação de todos que quiserem colaborar, a situa­ção do país é muito difícil e a de Divinópolis também. É preciso sobriedade e nós não podemos fazer compromisso dessa natureza, que num pas­sado muito recente, para não dizer na atual administração, nós observamos esse tipo de situação, que levou a prefeitu­ra e a própria administração a percentuais de rejeição nunca vistos na história de Divinópo­lis. Isso é fruto de uma gestão que realmente fez o loteamen­to dos cargos e o que não deu certo, a gente não pode repetir. Nós temos que fazer diferente.

O GOVERNO ATUAL, EM RA­ZÃO DA CRISE FINANCEIRA, DEIXARÁ VÁRIAS OBRAS INA­CABADAS. O SENHOR PRE­TENDE CONCLUÍ-LAS?

Todas. É preciso que se faça uma análise de custo, da situação real de cada uma em termos de financiamento, verificar as obras que já foram aditivadas e como será o apor­te de recursos para finalizá-las, como é o caso do Hospital Público Regional, onde já foi investido quase o dobro do orçamento inicial. E continu­am sendo feitas solicitações de mais recursos ao governo do Estado, por isso a morosi­dade na liberação em razão de uma análise criteriosa que está sendo feita. O orçamento inicial era algo em torno de R$ 45 milhões, depois foram investidos mais R$ 40 milhões, depois algo em torno de 15 e, agora, uma nova solicitação de R$ 15 milhões. Todo esse critério para finalização das obras precisa ser observado, mas é importante que se fi­nalize e dê utilização à essas obras, porque isso é dinheiro público e dinheiro público é coisa séria.

O SENHOR ACHA QUE O MU­NICÍPIO PODERIA SER MAIS EFETIVO NA RECUPERAÇÃO DO HOSPITAL SÃO JOÃO DE DEUS?

O custeio do São João de Deus é uma tripartite, com recursos federais, estaduais e municipais. O município até aqui, pelas dificuldades eco­nômicas e a gente tem que le­var isso em consideração, tem se limitado a fazer repasses que vêm tanto do governo fe­deral quanto estadual. Porém, uma das coisas que eu acho que dificulta bastante, é que havia um valor a ser contra­tualizado relativo ao número de leitos e serviços a serem oferecidos pelo hospital e de uns anos para cá, o município reduziu o valor dessa contratu­alização, então o aporte ficou menor. Trocando em miúdos, a UPA fica lotada e leitos estão vazios no hospital São João de Deus, porque não exis­tem leitos contratados. Agora, quando se fala em construir mais três, quatro UPAs, isso aí é balela. Uma UPA para ser construída precisa de libera­ção do Ministério da Saúde. A nossa UPA foi projetada para atender a uma população de até 300 mil habitantes. O que nós realmente precisamos é de leitos hospitalares, para que o paciente receba o primeiro atendimento na UPA e depois seja removido ao hospital. O que nós precisamos não é falar que vai construir outra UPA. E trabalharmos efetivamente para a conclusão do Hospital Regional, transferindo a gestão dele para o governo o governo federal, através da Univer­sidade Federal de São João Del Rei transformando-o em hospital-escola, desonerando o município e dando eficiên­cia. O Hospital Regional num primeiro momento atenderá à baixa complexidade, liberan­do o São João de Deus para que ele possa incrementar a média e a alta complexidade, criando um equilíbrio e desafogando a UPA.

QUAL A AVALIAÇÃO O SE­NHOR FAZ DA ADMINISTRA­ÇÃO ATUAL?

É uma questão difícil para a gente falar, vou ser muito sincero, fui eleito vereador na base do governo. Durante um ano e quatro meses fiz o possível para caminharmos juntos, inclusive em termos de projetos que eram impor­tantes para a cidade. Mas o prefeito não estava aberto ao diálogo. Aliás, esse governo nunca esteve aberto ao diálo­go, o que inviabilizou para que continuássemos caminhando juntos. Acho que foram alguns erros, alguns acertos, eu não quero fazer juízo de valores, mas, com certeza, a minha gestão não será igual a essa. Vamos ter uma interface maior com os bairros, as entidades, as comunidades, as empresas. O cidadão tem que ser ouvido em sua plenitude. Fazer uma gestão compartilhada através do diálogo, nos ajuda a acertar mais e errar menos.

O SENHOR ESTÁ PRONTO PARA SER PREFEITO DE DIVI­NÓPOLIS?

Eu fui bancário durante 16 anos, durante esse período fiz o curso de Direito e procurei me preparar ao máximo para entrar no serviço público. Fui administrador regional duran­te 12 anos. Meu caminho foi uma escola e minha passagem pela Câmara foi de grande valia para esse aprendizado. Eu me sinto preparado para assumir a prefeitura não só pelo conhecimento que eu adquiri até aqui, mas pela capacidade que a gente tem de aglutinar pessoas com o mesmo propósito de traba­lhar por Divinópolis. Pessoas desprendidas que têm consci­ência que estamos hoje no fio da navalha. Ou trabalhamos e alavancamos a receita do município de forma austera, transparente e eficiente, ou do contrário corremos o risco de ter um colapso no sistema público de Divinópolis. Isso não é brincadeira.

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