sábado, 7 de Março de 2015 06:25h

A AGROPECUÁRIA E A DEPENDÊNCIA DOS INSUMOS

O país está passando por uma crise. Crise nos diversos setores como o econômico, o social e o campo não está imune a isto

O dólar disparou atingindo a casa dos três reais. Bom para um país que quer exportar, mas ruim para quem depende das importações. Para a agricultura, a pecuária e a silvicultura o aumento do dólar pode provocar um grande aumento no produto final ao consumidor. Apesar de produzirmos praticamente tudo que consumimos como a carne, o leite, o arroz, o feijão e as hortaliças, o Brasil depende, e muito, da importação dos fertilizantes, um dos principais e mais caros insumos para a produção no campo. Para termos ideia desta dependência externa, em 2014 o Brasil produziu 8,8 milhões de toneladas de fertilizantes e importou 24 milhões de toneladas, ou seja, produzimos apenas 26,8% de todo o fertilizante que precisamos no ano passado. Quando comparamos os anos de 2013 com 2014, a situação piora. Na comparação destes dois anos houve uma queda na produção de fertilizantes no país de 5,4%, enquanto as importações cresceram 11%, segundo as informações da Associação Nacional para Difusão de Adubos, a ANDA.
Desta forma, analisamos o seguinte: como podemos crescer no setor que nós sabemos fazer melhor, os alimentos, se não somos capazes de suprir a demanda básica do principal insumo do sistema de produção no campo, dependendo quase que totalmente das importações?
O Brasil investe em ciência e tecnologia para o desenvolvimento de novos insumos agrícolas, principalmente os fertilizantes, mas ainda é pouco. Temos que explorar o máximo possível todas as fontes de fertilizantes disponíveis, principalmente as não convencionais. Temos uma grande quantidade de industrias que produzem resíduos que são descartados mas que apresentam um grande potencial para uso como fertilizantes, desde que sejam adequadamente transformados, mas para isto precisamos desenvolver a tecnologia de reaproveitamento.
Somos um dos maiores exportadores de pedras ornamentais do planeta como o granito e o mármore.  O processamento destas rochas nas empresas gera uma quantidade enorme de resíduos de rocha que são descartados no ambiente, muitas vezes de forma inadequada, mas que apresentam grandes quantidades de nutrientes para as plantas. E os lixos das grandes cidades? Metade dele é composto de material orgânico e também rico em nutrientes. Cidades que implantaram a coleta seletiva apresentam estes resíduos orgânicos mais puros, pois grande parte do material não reciclável foi retirado. Estes materiais quando enterrados nos aterros sanitários produzem gases, principalmente o metano, gerador de energia. Após alguns meses ou anos, o material orgânico estabiliza gerando o húmus, sem contaminante biológico e rico em nutrientes. E as nossas estações de tratamento de esgoto? Geram materiais estabilizados ao final do processo que também são ricos em nutrientes.
Apesar de, nas palavras tudo ser maravilhoso, sabemos que na prática não é, pois a complexidade da logística é enorme, mas isto não é motivo para desistir e sim estimular o desenvolvimento da pesquisa científica no setor.
A situação é clara: ou desenvolvemos tecnologia para reduzir a dependência da importação dos fertilizantes ou a atividade agropecuária continuará a mercê deste dólar bipolar.

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