sábado, 21 de Março de 2015 04:09h

A MISTERIOSA ORIGEM DOS ALIMENTOS

Quando compramos um alimento industrializado, principalmente das grandes empresas do ramo alimentício, temos uma boa certeza de que estamos consumindo um produto de qualidadeAs grandes empresas tem como um de seus maiores bens, o nome e as suas marcas.

As grandes empresas tem como um de seus maiores bens, o nome e as suas marcas.  Qualquer problema com um de seus produtos e que atinja o consumidor pode destruir em pouco tempo uma confiança que demorou décadas para ser construída e leva-la a falência, principalmente em uma época onde quase todos os habitantes do planeta estão conectados on line. Para isto, as empresas tem cadastrado todos os seus fornecedores de matéria prima, os produtores rurais. Seus produtos são analisados rigorosamente antes de entrarem na linha de produção e se qualquer problema de contaminação for detectado, a matéria prima é imediatamente descartada.  Nas embalagens são descritas diversas informações sobre o produto, desde a sua composição, passando pelo seu valor nutricional, conservantes e, se dúvidas persistirem, um telefone para contato, o serviço de atendimento ao cliente. Além de tudo, fiscalizações periódicas são realizadas em suas dependências pela própria empresa e por órgãos dos governos. Alguns alimentos apresentam em suas embalagens o selo do Serviço de Inspeção Federal, a SIF, comprovando que o produto passou por fiscalização sanitária.
Mas, existem alimentos que o consumidor adquire sem ter a mínima ideia da sua composição, de sua origem ou como foi produzido. São os produtos que  consumimos in natura, principalmente os produtos hortícolas, também chamados de olerícolas. São produzidos por milhares e até mesmo milhões de pequenos produtores rurais espalhados pelo pais que tem nesta atividade a sua única fonte de renda e que trabalham sem a assistência técnica de um profissional das ciências agrárias, utilizando apenas o conhecimento transmitido por seus pais e seus avós. Muito pouco considerando a avalanche de inovações tecnológicas que são disponibilizadas como fertilizantes e agrotóxicos.
O uso errado de um fertilizante ou um agrotóxico, a realização da colheita sem respeitar os seus prazos, dentre outros fatores pode disponibilizar nas gôndolas dos mercados uma verdadeira bomba tóxica e que pode, a médio ou longo prazo, comprometer a saúde do consumidor. Mas, a pergunta é: quem produziu aquele alimento? Afinal, os caminhos do campo até a mesa são longos começando no produtor rural, passando pelo atravessador, pelos Ceasas, pelos mercados até chegar a sua mesa. Fazer este caminho inverso é praticamente impossível. Apesar dos Estados possuírem órgãos fiscalizadores, é muito difícil realizar a fiscalização no campo considerando o grande número de pequenos produtores e as grandes distâncias.
O sistema de rastreabilidade dos alimentos não processados é de extrema importância  para os dias atuais pois, caso ocorra o surgimento de problemas em relação a qualidade do alimento, o mesmo pode ser identificado assim como o seu produtor. Desta forma a fiscalização poderá atuar de forma mais eficiente e pontual, principalmente na orientação do agricultor em relação ao alimento que esta produzindo e esclarecendo sobre os riscos de contaminação.
Infelizmente o sistema de rastreabilidade dos produtos hortícolas no Brasil ainda é muito incipiente, mas que deveria ser mais amplo considerando que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do planeta.

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