quinta-feira, 4 de Agosto de 2016 16:38h Agência Brasil

Abertura dos Jogos terá criatividade e "gambiarra" para superar baixo orçamento

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terá um orçamento menor que as festas que deram início às últimas edições dos jogos.

Sem divulgar o orçamento, os diretores e produtores da cerimônia informaram hoje (4) que o espetáculo vai apostar em projeções, criatividade e no "espírito da gambiarra" e que será lembrado como uma cerimônia cool (descolada).

"A gente teve muito menos do que qualquer uma das últimas cerimônias. Trabalhamos usando essa força a nossa favor. Temos uma coisa de alta tecnologia, que é a projeção. Para o resto, nos viramos nos 30, mas acho que vamos entregar", afirmou o diretor Criativo, Andrucha Waddington, que contou ter recorrido ao centro de comércio popular do Rio de Janeiro. 

Maracanã

A também diretora Criativa Daniela Thomas explicou que o Estádio do Maracanã impôs algumas dificuldades à cerimônia, como ter portões de entrada de apenas dois metros, cadeiras próximas ao campo e menos espaço para o "palco", por não ter uma pista olímpica.

"Tínhamos um orçamento muito abaixo da expectativa em relação a um espetáculo dessa natureza, mas acho que estamos acostumados com esse tipo de questão. O espírito da gambiarra é importante aqui no Brasil", acrescentou Daniela. "Isso não é uma coisa sacrificante. Não é um 'coitados de nós'. Gambiarra rocks, gambiarra é maravilha, gambiarra é pura criação."

Para superar essas dificuldades, Daniela disse que os criadores buscaram um "repetório analógico", consultando, inclusive, técnicas usadas em festas da Grécia e Roma clássicas.

"Não tinham tecnologia, mas não deixavam de encantar", destacou Daniela. Ela afirmou que as atrações musicais se apresentarão sem receber cachê. Estão confirmados Caetano Veloso, Gilberto Gil, Anitta e Ludmilla, por exemplo. Conforme a diretora, a ideia é misturar a música consagrada no Brasil com sucessos recentes e populares.

Orçamento

Diretor de Cerimônias da Rio 2016, Leonardo Caetano afirmou que a solução "gambiarra" vai produzir um bom resultado. "Isso não é só statement. Usamos isso no dia a dia, buscando soluções que, no fim, tem efeito espetacular".

O orçamento da cerimônia de abertura não será divulgado separadamente, segundo a Rio 2016. Em vez disso, será disponibilizado em conjunto com o da cerimônia de encerramento e com as cerimônias paralímpicas.

A explicação do comitê é que os contratos foram firmados para todas as festas e, por isso, há apenas um orçamento. A expectativa é que entre 3 e 5 bilhões de pessoas assistam à cerimônia em todo o mundo e que o público no Maracanã seja de 50 mil pessoas.

 

Michel Temer

Os organizadores afirmaram que Michel Temer vai participar da cerimônia de abertura identificado como presidente interino e que não discursará no evento. Temer deve fazer apenas a declaração protocolar de abertura dos jogos.

O produtor executivo da cerimônia, Marco Balich, afirmou que as cerimônias olímpicas entram para a memória coletiva global sem que o chefe de Estado tenha papel de destaque. "Se você olha para trás, não lembra quem eram os chefes de Estado." Os organizadores negaram que tenham preparado alguma forma de abafar possíveis vaias ao presidente durante a cerimônia. "Nunca pensamos sobre isso", afirmou Andrucha.

Assalto

O diretor também comentou as informações que circularam nas redes sociais e na imprensa após o ensaio geral da abertura. Meirelles disse que "nunca teve conhecimento" da suposta cena em que Gisele Bundchen seria assaltada por um jovem negro, que, depois, seria perseguido pela polícia. Ele garantiu que isso não faz parte do espetáculo planejado.

Uma novidade antecipada pelo diretor é que os atletas receberão uma semente para ser plantada na área do Parque Radical, estrutura construída para os jogos no Complexo Esportivo de Deodoro. Diversas espécies de plantas serão distribuídas de acordo com a nacionalidade dos atletas. Entre 2017 e 2020, a área deve virar a "Floresta dos Atletas".

Outra surpresa que Meirelles antecipou foi que as atrizes britânica Judi Dench e a brasileira Fernanda Montenegro farão a leitura de um poema durante a cerimônia. Cada uma deve recitar o texto em sua língua materna.

Tolerância

Meirelles informou que cerimônia se propõe a passar uma mensagem para o Brasil e o mundo contra intolerância e a favor da paz e da preservação ambiental. O diretor citou a situação política do país, a candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e o debate dos britânicos para sair ou não da União Europeia, de modo a afirmar que o mundo passa por um momento conflituoso.

"A mensagem que deve ficar nessa cerimônia é a importância da tolerância".

Essa mensagem, no entanto, terá de ser passada "sem apontar dedos". Segundo o diretor, foi uma exigência do Comitê Olímpico Internacional que a cerimônia não tivesse conotação política nem religiosa.

Hiroshima

Meirelles disse ainda que um amigo que trabalha na campanha em homenagem às vítimas da bomba atômica de Hiroshima sugeriu que um minuto de silêncio fosse feito na abertura, já que o evento vai ao ar no Japão na hora que marca os 71 anos da explosão.

A ideia não foi aceita porque seria encarada como um gesto político, já que a bomba foi lançada pelos Estados Unidos no fim da Segunda Guerra Mundial. "O espetáculo fala sobre paz, mas não dá nome aos bois", concluiu o diretor.

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