terça-feira, 12 de Maio de 2015 10:34h Atualizado em 12 de Maio de 2015 às 10:38h. Mariana Gonçalves

Abolição da escravatura completa 127 anos amanhã

Amanhã, a Lei Áurea, responsável por abolir a escravidão no Brasil, completa 127 anos

Um momento histórico para o país, e ao mesmo tempo um chamado à reflexão sobre a atual situação dos negros. Mesmo com o passar de mais de uma década, até hoje encontramos enraizados na sociedade resquícios dos maus tratos e do preconceito envolvendo as pessoas de cor negra.

O dia 13 de maio visa mostrar as conquistas na luta por igualdade racial, e ainda colocar em discussão na sociedade os assuntos relacionados aos negros. De acordo com a militante Maria Catarina Vale, para esta data está programada em Divinópolis uma panfletagem no quarteirão fechado da Rua São Paulo, a partir das 17h.  Ainda no dia de amanhã, Maria Catarina visitará diversas escolas do município para a apresentação de palestras.

Segundo a ativista, em meio a tantas discussões sobre o negro, é importante destacar a necessidade urgente dessas pessoas se assumirem como realmente são. Esse é um grande passo para a luta de igualdade.  “O dia 13 é um dia de denúncia contra o racismo. É preciso que a população negra assuma de fato a sua identidade, a sua cor, e com isso cobre mais atividades dos movimentos sociais. Temos o Movimento Unificado Negro de Divinópolis (Mundi), então os negros devem procurar mais esse movimento e, com isso, levar seus questionamentos, exigir do movimento que se faça reuniões, plenárias e assembleias, isso é importante”, afirma Maria Catarina.

 

PRESSÃO

No dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil. No entanto, de acordo com Maria Catarina, esse processo só ocorreu devido à pressão dos outros países e também de diversos movimentos sociais pedindo pelo fim da escravidão. E mesmo com o documento assinado, a escravidão e os preconceitos envolvendo as pessoas de cor negra não deixaram de existir.

“Nossa escravidão foi mais longa que a escravidão do Egito, mais dura que o cativeiro da Babilônia. Precisamos que dentro das salas de aula não se repita a história que foi contada pelos europeus a respeito dos negros nos livros. É preciso que os professores falem sobre nossa verdadeira história de luta. Além disso, devem ser levados para dentro das salas de aula todos os tipos de debates e discussões sobre racismo. Essa juventude de agora não pode crescer idealizando uma diferença que fere, maltrata e até mata os negros”, pontua a militante.

 

LENTIDÃO

Até pouco tempo atrás o número de artistas negros em papel de destaque na televisão ou cinema eram raríssimos. Até mesmo em simples campanhas publicitárias a presença do negro, seja ele homem ou mulher, era quase que invisível. Isso porque poucos conseguiam mídias de destaque. Mas essa situação tem melhorado com o passar dos anos. Em Divinópolis, por exemplo, a campanha de Dias das Mães de uma loja de roupas da cidade chamou a atenção de Maria Catarina.

“Pela primeira vez tivemos uma loja que colocou uma propaganda de Dia das Mães com uma mãe e sua filha negra. Para mim isso foi muito importante, ainda mais por que chegou aos meus ouvidos o comentário de uma criança negra dizendo que se viu parecida com a criança da propaganda. Coisa que antes não acontecia, o negro não se identificava nas publicidades. Até parabenizei a proprietária dessa loja, porque ela promoveu a implementação do estatuto da igualdade racial”, ressalta.

 

DESPADRONIZAÇÃO

O Brasil é um dos países líderes quando se fala em exigência de beleza, em padrão de estética, principalmente para as mulheres. Porém, existem diversas formas de beleza. Para provar isso, a pequena divinopolitana Carolina Monteiro, de oito anos, tem mostrado para todo o país que padronizar beleza não está com nada. A jovem ganhou espaço em grandes mídias televisas após seus vídeos publicados na internet atingir um grande número de visualizações. A pequena relata a discriminação enfrentada dentro de sua escola e como tem feito para driblar essa situação. Os vídeos publicados por Carolina têm gerado grande repercussão.

 

Crédito: Divulgação

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