sexta-feira, 17 de Abril de 2015 12:48h

Ação da Codevasf assegura água para comunidades rurais em situação de emergência

Arissandro Moreira Santos, morador da localidade conhecida como Sítio Passa Fome, no distrito de Pinhões, município de Juazeiro (BA), já experimentou, em seus poucos 32 anos de vida, as agruras da seca

Diante da escassez de chuvas, ele teve, por exemplo, de se desfazer de boa parte de seu rebanho, sem contar a dificuldade para conseguir água para consumo e outras necessidades básicas.

Mas a realidade de Arissandro e sua família, aos poucos, vem sendo transformada desde que foi instalado um poço tubular pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) na região. A água disponível é utilizada, principalmente, para beber e regar a plantação que serve de alimento para a criação de bodes e ovelhas. “Esse poço trouxe muitos benefícios pra gente. Com a água, temos um pouco mais de sossego para alimentar nossos animais, e ela é de boa qualidade pra gente beber. É uma vitória. Esse lugar é seco, carente de água, então só tenho a agradecer”, comemora.

O suprimento de água propiciado pela perfuração e instalação de poços tubulares emergenciais pela Codevasf está oferecendo alívio a cerca de 30 mil famílias moradoras de comunidades rurais difusas severamente afetadas pela seca em 183 municípios que têm estado de emergência decretado pelo governo federal. A ação é executada com recursos de destaque orçamentário da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional (MI), e integra o programa Água para Todos.

“Hoje são 629 poços em operação, e até junho temos previsão de chegar a 911”, afirma o engenheiro civil Elton Silva Cruz, coordenador do Água para Todos na Codevasf. O investimento total é de R$ 44 milhões. A água extraída dos poços, explica ele, é destinada a múltiplos usos: consumo humano, dessedentação animal, tarefas de rotina das famílias como cozinhar, tomar banho e lavar roupa; e também para assegurar a sobrevivência de pequenos cultivos desenvolvidos em hortas e pomares.

São 193 poços já fornecendo água para comunidades rurais de 47 municípios do semiárido mineiro, 120 em 57 municípios do Piauí, 201 em 14 municípios pernambucanos e 115 em 65 municípios da Bahia. Cada poço fornece, em média, 5.150 litros de água a cada hora.

Os poços do tipo tubular, observa Elton Cruz, são determinados pela condição geológica dos locais. Eles são perfurados com uso de um tubo de aço ou de PVC até que seja alcançada uma fratura da rocha, onde é verificada a vazão e a qualidade da água. “Se a rocha tem muito calcário na composição, há uma possibilidade maior de a água ser salobra, o que limita seu uso – embora ainda assim essa água possa ser utilizada para matar a sede das criações animais e para as tarefas de rotina”, ensina o engenheiro da Codevasf.

No processo de implantação do poço é instalado um chafariz no nível do solo, que é uma espécie de caixa d’água com capacidade para 10 mil litros, onde a água chega depois de ser sugada do poço por meio de um sistema de bombeamento elétrico ou do tipo catavento. É desse reservatório que a comunidade retira a água.

Além dos 629 poços já operando, outros 229 estão, nesse momento, em fase de instalação pela Codevasf. Dona Rosemeire Ferreira de Assis, que mora na localidade Poções de Baixo, no município mineiro de Francisco Sá, aguarda ansiosa pelo início do funcionamento do equipamento que acaba de ser instalado em sua comunidade. “A nossa expectativa é que todo mundo possa plantar uma rocinha, possa ter uma água pra criar animais. A situação de água é muito difícil, pois quase não chove nessa região. Esse poço deve atender a mais de 20 famílias em nossa comunidade, algo em torno de 60 pessoas”, afirma.

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