quarta-feira, 11 de Março de 2015 12:19h

Agricultores familiares do Semiárido ganham Bancos de Sementes

Projeto lançado nesta quarta-feira (11) vai promover a autonomia e a inclusão social de 12,8 mil famílias de baixa renda da região

Um banco diferente, onde os agricultores familiares do Semiárido podem retirar sementes de qualidade, sem modificação genética e adaptadas às regiões, com maior produtividade. Este é o Programa Banco Comunitário de Sementes Crioulas, lançado nesta quarta-feira (11), em Gravatá (PE), que permite que os produtores de baixa renda tenham mais liberdade de decisão sobre o momento de plantar e o que plantar.

 

O governo federal vai apoiar a implantação de 640 unidades no Semiárido, para atender pelo menos 12,8 mil famílias rurais que fazem parte do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, que já receberam cisternas de consumo e de produção por meio Programa Água Para Todos e que tenham a Declaração de Aptidão do Pronaf (DAP).

 

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) estão investindo R$ 21 milhões para estruturar 600 Bancos de Sementes. Os outros 40 serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que ainda repassa recursos para reformar e qualificar outras 360 unidades que já estão em funcionamento. A execução fica a cargo da Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semiárido (AP1MC).

A ministra Tereza Campello destaca que o projeto é mais uma etapa da rota de inclusão produtiva rural das famílias do Semiárido. “As sementes, combinadas com a garantia de água para consumo e produção, juntamente com assistência técnica, recursos de Fomento e apoio à comercialização terão efeitos surpreendentes na vida dessa populaç ão para a convivência com a seca.”

Um dos grandes diferenciais da ação é que parte da própria experiência dos agricultores com as sementes crioulas, uma oportunidade de construção do conhecimento a respeito do patrimônio genético que está preservado na região. “O patrimônio das famílias está associado à identidade, a alimentação, mas também envolve um sentimento de preservação do que foi cuidado por gerações”, afirma Antonio Barbosa, coordenador da AP1MC.

Para a estruturação dos Bancos, o projeto vai identificar os beneficiários e os locais para sua implantação, além de mobilizar os agricultores familiares para que participem de capacitação para a produção e multiplicação das sementes, para preservar o patrimônio genético dos alimentos da região. Estão previstas também capacitações sobre manutenção e gestão dos bancos comunitários.

Inclusão Produtiva – Dentro da estratégia de inclusão das famílias agricultoras, o governo federal já entregou, desde 2003, mais de 1,1 milhão de cisternas de água para consumo humano no Semiárido. No mesmo período, foram implantadas 112 mil tecnologias sociais de captação de água da chuva para apoiar a produção.

E, por meio do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, em todo o país, 147 mil famílias receberam recursos do governo federal para investir em projetos produtivos e 358 mil famílias de baixa renda estão sendo acompanhadas por técnicos de Assistência Técnica e Extensão Rural.


“Hoje sou guardiã de sementes crioulas e da biodiversidade”
Elisângela Ribeiro, agricultora familiar do norte de Minas Gerais, luta
pela preservação do material genético dos alimentos produzidos no Semiárido

Gravatá (PE), 11 – Depois de aprender na infância a importância de multiplicar as sementes crioulas, livres de modificação genética, Elisângela Ribeiro de Aquino, 43 anos, se considera uma guardiã da biodiversidade típica do Semiárido. Ela organizou, junto com 20 famílias, um banco comunitário de sementes na zona rural de Riacho dos Machados, norte do estado de Minas Gerais. “O banco de sementes é um resgate da nossa história e, ao mesmo tempo, dá autonomia para o agricultor. Hoje sou guardiã de sementes crioulas e da biodiversidade”, conta.

Segundo Elisângela, o banco comunitário – com 11 tipos de sementes – tem garantido a produção nos últimos anos. “Hoje produzimos para nossa subsistência e para manter o banco de sementes”, afirma ela, que já comercializou o excedente de sementes com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

A ex-beneficiária do Bolsa Família ressalta que, além da autonomia, as unidades de estoque das sementes crioulas contribuem para a segurança alimentar. “Estamos multiplicando a vida, uma vida com mais qualidade”, diz Elisângela. No assentamento onde vive, a produção é totalmente agroecológica. “Quando cuidamos da segurança alimentar, da alimentação, estamos melhorando a vida das pessoas.”

Para ela, o Programa Banco Comunitário de Sementes Crioulas lançado nesta quarta-feira (11), em Gravatá (PE), além de garantir renda e segurança alimentar, pode afastar a transgenia do solo do Semiárido. “Precisamos dar oportunidades para o agricultor ampliar a produção e plantar com qualidade sem a interferência das empresas. Não podemos ficar refém de nenhuma empresa para produzir.”

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