segunda-feira, 19 de Outubro de 2015 10:04h

Água é fonte de alimento e vida no Semiárido

Com tecnologias sociais de acesso à água, sertanejos conquistaram autonomia para produzir mais e melhor

Sob o sol forte e com muito trabalho, o casal de agricultores familiares Maria Aparecida dos Santos, 44 anos, e José Nivaldo dos Santos, 49, criou os quatros filhos no município de Areial, a 170 quilômetros da capital paraibana. Utilizando a sabedoria popular, eles construíram, em 1998, por conta própria, uma cisterna para armazenar a água da chuva que caía pelo telhado da casa. Em 2013, receberam uma cisterna calçadão para apoiar a produção.

Nesta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação, histórias como a do casal evidenciam a importância das políticas públicas na vida da população mais pobre. Dona Cida, como é conhecida a agricultora, comemora o acesso à água para produção de alimentos. Ela conta que a fome “é coisa do passado”. “Hoje, eu sou feliz porque meus filhos não passaram fome como eu passei.”

A mudança de vida ocorreu graças a políticas sociais, como o Programa Cisternas. A cisterna calçadão recebida pela família - com capacidade para armazenar 52 mil litros - é uma das 133 mil tecnologias sociais para produção construídas no Semiárido.

“Antes das cisternas, o pobre só plantava o coentro para temperar o feijão. Agora, a gente come salada, coisa que a gente não comia antes como berinjela, repolho...”, relata Nivaldo. Além das tecnologias para produção, o programa garantiu o acesso à água para beber e higiene pessoal para mais de 1,2 milhão de famílias.

O secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos, explica que a entrega dos reservatórios na região é uma das porta s para a inclusão produtiva dos agricultores familiares.

“As tecnologias de água para produção são prioridade. Temos que avançar mais na construção desses reservatórios e integrar essa ação a outras políticas de apoio à agricultura familiar, como assistência técnica rural, fomento, crédito e acesso aos mercados, tornando mais efetiva e sustentável a inclusão das famílias”, destaca.

Rota de Inclusão Produtiva — Em 2014, Nivaldo e dona Cida receberam R$ 10 mil com as vendas que fizeram para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Em 2015, já conseguiram receber R$ 2 mil, no período entre janeiro e junho. “O que recebemos neste ano é o mesmo valor que antigamente conseguíamos ganhar em um ano todo. Os atravessadores diminuíam muito o preço das nossas coisas”, compara a agricultora.

Coordenado pelo MDS, o PAA, além de ensinar a planejar a produção, regularizar o fornecimento e garantir a qualidade dos alimentos produzidos, destina a aquisição para entidades socioassistenciais, instituições de ensino público e equipamentos de segurança alimentar e nutricional, como restaurantes populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos. Em 10 anos, o programa investiu R$ 5,8 bilhões na compra de 4,4 milhões de toneladas de alimentos de mais de 380 mil famílias agricultoras em todo o país.

A venda dos produtos para os programas governamentais ajuda também a apagar as marcas que a fome deixou. “Hoje como carne todos os dias. Antes, o pobre só comia carne no domingo”, lembra Nivaldo. Na propriedade, eles têm 24 tipos de produtos agrícolas, além de criar gansos, perus, galinhas e porcos. A família também tem um banco de sementes crioulas – sem modificação genética – que garante autonomia na hora de produzir.

Nivaldo conta que a felicidade da família é morar ali na zona rural de Areial. “Se me tirarem daqui, eu sou capaz de morrer logo. A minha vida é aqui”, conta. O filho Adevam Firmino dos Santos, 20 anos, pretende seguir os passos dos pais e, atualmente, faz curso técnico em Agropecuária para ajudar na plantação.

 

Créditos: Ubirajara Machado/MDS

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