segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015 08:36h

Camarão marinho produzido pela Codevasf é nova alternativa de inclusão produtiva no vale do São Francisco

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) realizou nesta semana a primeira despesca de camarões produzidos pelo Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) realizou nesta semana a primeira despesca de camarões produzidos pelo Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro, vinculado à superintendência da empresa em Petrolina (PE). A despesca, que consiste na retirada dos camarões de seus tanques, encerra um ciclo de experimentos voltados à aclimatação e à produção em viveiro do camarão marinho Litopenaeus vannamei. Cerca de 100 quilos de camarões foram recolhidos na despesca, realizada em instalações da Embrapa Semiárido, na zona rural de Petrolina.

A retirada do camarão ocorreu em meio a muito entusiasmo dos pesquisadores e técnicos da Companhia e da empresa parceira no projeto. Para o diretor de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Codevasf, Eduardo Motta, que esteve presente na ação de despesca, o fato é histórico e estratégico para a geração de empregos e renda numa área sofrida como o semiárido nordestino. “O camarão marinho adaptado à água doce é algo de toda forma inusitado. Uma vez consolidada a adaptação, iremos levá-lo para áreas de escassez, onde prevalece água salobra – que poderá passar de problema a solução com a viabilidade da produção. A intenção é levar o projeto a outras superintendências da Companhia”, afirma Motta.

Os camarões despescados pela Codevasf nesta semana em Petrolina pesavam cada um entre 12 e 14 gramas, que é o exigido pelo mercado. Atualmente o quilo de camarão custa cerca de R$ 40,00 na região.

“Estamos vendo que é perfeitamente viável e é a atividade que pode estabelecer uma nova ordem econômica no meio rural com base no pequeno produtor rural que poderá viver perfeitamente de forma digna a partir da produção de camarão. É um produto nobre que tem demanda garantida internamente e no mercado internacional”, avalia o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha.

Um dos presentes nas atividades de despesca, o administrador de empresas e piscicultor Adelmo Santos afirma que acompanha a experiência desde o começo. Ele confirma a viabilidade da atividade para a região sertaneja. “São quase 300 gramas de camarão por metro quadrado de viveiro, com tempo de cultivo razoável – isso é um bom peso para o mercado. Em um hectare de camarão bem produzido dá para tirar 25 mil quilos da espécie com um faturamento médio de R$ 300 mil, ficando em torno de 50% para o produtor. É uma renda superior à de qualquer outra atividade agropecuária”, avalia.

O superintendente regional da Codevasf em Petrolina, João Bosco Lacerda de Alencar, afirma que a superintendência trabalhará para promover a disseminação de criatórios na região. “Vamos estimular a disseminação de criatórios devido ao sucesso desse experimento realizado com água do rio São Francisco”, diz.

Os estudos para produção de camarão no vale do São Francisco tiveram início em 2012 e os primeiros testes de aclimatação ocorreram em 2013, com água do rio São Francisco e larvas  oriundas do Ceará e do Rio Grande do Norte.

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