quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015 11:48h

Catálogo reúne três décadas de produção científica

apoiada por centro de aquicultura da Codevasf

O resultado de mais de três décadas de produção científica apoiada pelo Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias (MG) – um dos sete operados pela Codevasf em sua área de atuação – está reunido, agora, em um catálogo publicado pela Companhia. Nele, estão listadas referências bibliográficas de artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, trabalhos, livros e capítulos de livros, além de monografias, dissertações, teses e resumos apresentados em congressos no Brasil e no exterior, totalizando mais de 1.300 títulos entre 1980 e 2013.
De acordo com o biólogo da Codevasf, Yoshimi Sato, que esteve à frente da organização do catálogo, a publicação é reflexo da importante contribuição dada pela empresa, por meio do Centro Integrado de Três Marias, no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias de reprodução artificial e alevinagem de espécies nativas da bacia hidrográfica do São Francisco. “Podemos dizer, sem erro, que o centro tem proporcionado a maior gama de conhecimento sobre água e peixes do rio São Francisco”, completa o pesquisador.
Ao longo desse tempo, foram estabelecidas parcerias com mais de 30 instituições nacionais e estrangeiras, que envolveram cerca de 450 pessoas – entre estudantes, professores, pesquisadores e técnicos. Com isso, a Codevasf conseguiu ampliar as pesquisas em limnologia; ictiologia; alimentação e nutrição de peixes; manejo de peixes; taxonomia de peixes; estudos das lagoas marginais na região do alto e médio São Francisco, entre outros assuntos.
“Quando tiveram início as atividades da antiga Estação de Piscicultura de Três Marias – atual Centro Integrado –, havia o domínio de reprodução artificial de apenas duas espécies da bacia. Hoje, esse número chegou a 35. Isso é só um exemplo que demonstra por que a Codevasf é considerada uma referência nacional em ictiologia, limnologia e piscicultura”, reforça Yoshimi Sato.
Os exemplares do catálogo têm número limitado e serão distribuídos para universidades e demais parceiros da Companhia. Porém, os demais interessados em ter acesso à listagem da produção científica poderão fazer download do arquivo por meio do site: http://www.codevasf.gov.br/principal/publicacoes/publicacoes-atuais.
Centro é referência
A construção de grandes barragens ao longo do São Francisco, como a de Três Marias, em Minas Gerais, e Sobradinho, na Bahia, provocou o surgimento de obstáculos à migração reprodutiva dos peixes e restringiu acentuadamente as cheias à jusante dos reservatórios, reduzindo o enchimento das lagoas marginais que funcionam como berçários para dezenas de espécies de peixes, explica o chefe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Codevasf, Leonardo Sampaio. “Como consequência, houve uma acentuada diminuição dos estoques pesqueiros e até do número de espécies de peixes existentes, causando o quase desaparecimento de algumas delas, como o pirá (Conorhynchos conirostris), o matrinxã (Brycon orthotaenia) e o pacamã (Lophiosilurus alexandri)”, aponta.
Em 1978, a Codevasf iniciou a instalação da Estação de Hidrobiologia e Piscicultura, em Três Marias (MG), objetivando a produção de alevinos para repovoamento e pesquisas hidrobiológicas e ictiológicas no sentido de desenvolver e aprimorar técnicas de aquicultura em grandes reservatórios d’água. “Até aquele ano nenhum trabalho de grande relevância sobre ictiologia e, particularmente, sobre a piscicultura no rio São Francisco havia sido realizado e a bibliografia sobre o assunto era escassa”, nota Sampaio.

A implantação da estação foi concluída em 1979, atendendo portaria da Superintendência do Desenvolvimento da Pesca (Sudepe). O documento estabelecia medidas governamentais de proteção à fauna, e previa que o proprietário ou concessionário de represas em cursos d'água ficava obrigado a tomar medidas para minimizar os impactos ambientais causados à fauna aquática após a construção de barramentos, além de outras disposições legais.

Logo após sua implantação, o centro tornou-se importante espaço de execução de pesquisas em limnologia (estudos físicos, químicos e biológicos da água) e ictiologia (estudos biológicos dos peixes), principalmente na região do Alto São Francisco. Ele está instalado numa área de 18 hectares e é dotado de administração, laboratórios de limnologia e ictiologia, depósitos de materiais e ração, galpões de reprodução, larvicultura e alevinagem e 37 viveiros de piscicultura, com um espelho d’água de 2,54 hectares.
“A partir de outra vertente de trabalho – o desenvolvimento de tecnologias de reprodução artificial, larvicultura e alevinagem de peixes nativos na bacia do rio São Francisco —, o centro promove peixamentos com alevinos de espécies nativas do Velho Chico, garantindo o repovoamento do rio e a manutenção das espécies, bem como dos estoques pesqueiros, de modo a fomentar a piscicultura e fortalecer os Arranjos Produtivos Locais (APLs) de aquicultura”, assinala o chefe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura.
Hoje, o centro domina a tecnologia de reprodução artificial de 34 espécies de peixes de importância econômica e ecológica para a região, o que representa cerca de 20% do total das espécies do rio São Francisco. Inclusive, algumas que não eram mais encontradas no Alto São Francisco estão, aos poucos, começando a aparecer novamente nas redes dos pescadores, como é o caso do matrinxã. Além de Três Marias, Minas Gerais também possui o Centro Integrado de Gorutuba, localizado no município de Nova Porteirinha.
Estudos e pesquisas
O chefe da Unidade de Desenvolvimento Territorial da 1ªSR, Alex Demier, ressalta a importância dos Centros para o estado. “O centro atua no Alto São Francisco mineiro com foco no desenvolvimento de tecnologias de reprodução artificial de peixes, realização de estudos ambientais e pesquisas nas áreas de ictiologia e limnologia em parceria com diversas universidades e centros de pesquisa do país. O Centro Integrado de Gorutuba atua no norte de Minas Gerais e prioriza ações de fomento à piscicultura comercial e estudos ambientais. Ambos apresentam-se como referência no desenvolvimento da aquicultura mineira”, explica.
Ao todo, a Codevasf possui sete Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura que servem de base para realização de ações focadas no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias de reprodução, larvicultura e alevinagem de espécies de peixes nativas da bacia do rio São Francisco, produção de alevinos para o repovoamento de seus mananciais, fiscalização, educação ambiental, capacitação, monitoramento da qualidade da água e gestão integrada dos recursos pesqueiros da bacia.
A contrapartida ambiental é hoje uma das mais importantes formas de atuação dos centros, conforme explica o chefe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura, Leonardo Sampaio. “A manutenção dos Centros Integrados da Codevasf é imprescindível para o cumprimento de condicionantes ambientais constantes na legislação existente, bem como para a obtenção de licenças para vários empreendimentos por ela implantados, a maioria por meio da realização de peixamentos”, destaca.
A gerente de Desenvolvimento Territorial, Izabel Aragão, ressalta importância do papel dos Centros como ferramenta de revitalização das bacias. “A Codevasf deve continuar atuando de forma contundente nas ações de revitalização das bacias hidrográficas de sua área de atuação, objetivando implementar e integrar projetos e ações governamentais visando a sustentabilidade socioambiental de sua área de atuação. O Programa de Aquicultura e Recursos Pesqueiros, que desenvolve suas ações por meio dos Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura, é uma das mais importantes ferramentas do governo federal para o atingimento desses objetivos”, assegura.

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