quarta-feira, 29 de Julho de 2015 12:12h

Centro-Dia promove autonomia de jovens e adultos com deficiência

Unidade do Sistema Único de Assistência Social, que completou 10 anos neste mês de julho, oferece serviço especializado para pessoas em situação de dependência

Eles chegam de todas as partes, encaminhados pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) ou pela Justiça, encontrados pela busca ativa ou mesmo espontaneamente, em busca de um tratamento melhor. São jovens e adultos com deficiência, que precisam de apoio para cuidados básicos da vida diária, como arrumar-se, vestir-se, comer, fazer higiene pessoal e outras, ou para o desenvolvimento pessoal e social. No Centro-Dia de Referência para Pessoas com Deficiência, eles encontram conforto e esperança para ultrapassar as barreiras que a deficiência e a sociedade impõem.

Ubirajara Machado/MDS

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O Centro-Dia é uma das unidades do Sistema Único de Assistência Social (Suas), que completou 10 anos neste mês de julho. Para a diretora de proteção social e especial do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Telma Maranho, o serviço quebra as barreiras ambientais e sociais impostas às pessoas com deficiência. “Ao frequentar o Centro, a pessoa irá trabalhar diversas questões para que ela participe da vida comunitária e não seja mais dependente”, explica. Atualmente, são 17 unidades no país. A meta é chegar a um Centro-Dia por estado.

Lavar roupa, escovar os dentes, lavar louça ou mesmo pegar o ônibus e se locomover por entre as ruas da cidade são algumas das várias atividades desenvolvidas pela equipe do Centro-Dia para ampliar a autonomia das pessoas com deficiência. Situações simples, mas que causam grande impacto para quem tem pouco incentivo para ser livre.

O atendimento começa com uma conversa franca entre a família, a pessoa com deficiência e um psicólogo. O objetivo é descobrir a disponibilidade do usuário – e de toda a família – para frequentar as atividades propostas pelos assistentes sociais. Também acontece uma visita à casa do usuário, para conhecer as condições em que a família vive.

Ubirajara Machado/MDS

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“Tem pessoas que ficam o dia todo, todos os dias, e vão embora no fim da tarde. Outras ficam apenas alguns dias na semana. Tudo depende da disponibilidade”, afirma Soleane Graciele de Araújo, assistente social que trabalha há seis meses no Centro-Dia do bairro Cidade Operária, em São Luís (MA). O bairro é o mais populoso e um dos mais pobres da capital maranhense.

A dona de casa Amanda Maria Souza Ribeiro, 52 anos, por exemplo, buscou o serviço na capital maranhense para ter um atendimento melhor para a filha Érica Souza Ribeiro, 25 anos. Érica tem deficiência intelectual e epilepsia. Ela era tímida, não se relacionava e a insegurança fazia parte do seu dia-a-dia.

O trabalho de conví vio em comunidade desenvolvido pela equipe do Centro-Dia – aulas de artes, festas folclóricas e brincadeiras lúdicas, por exemplo –, a convivência com novos amigos e a nova rotina trouxeram uma realidade diferente para ela. “A vida da Érica mudou bastante. Ela não tinha foco para fazer coisas. Agora, ela pede para fazer as atividades. A timidez acabou”, conta, aliviada.

Ubirajara Machado/MDS

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O cuidado com a pessoa com deficiência exige tempo e atenção. E, muitas vezes, a sobrecarga da família é grande e atrapalha o tratamento. Por isso, o vínculo familiar também é estimulado no Centro-Dia para que a qualidade de vida seja estendida à família. “Se o cuidador não estiver bem, ele não vai dar a atenção devida para o usuário”, destaca a assistente social Soleane.

No Centro-Dia de São Luís, a equipe é formada por assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais e cuidadores. Pessoas que atuam para permitir que as pessoas com deficiência tenham uma vida melhor. “Esse serviço é importantíssimo para garantir os direitos que, ao longo do tempo, foi negado para eles. Ainda existem a exclusão e o preconceito. E a nossa missão é dar autonomia a esse público”, afirma Soleane.

Ubirajara Machado/MDS

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