sábado, 23 de Maio de 2015 10:22h Pollyanna Martins

Dia Nacional da Adoção será comemorado na Câmara Municipal

A campanha deste ano foi voltada para o tema ‘adoção tardia’

O grupo de apoio à adoção “De volta para casa”, de Divinópolis, vai comemorar nesta segunda-feira (25), o Dia Nacional de Adoção, na Câmara Municipal, com palestras, depoimentos e o concurso de frases, que vão abordar neste ano o tema “adoção tardia”. O evento, que vai das 14h às 15:45h, será gratuito, e aberto ao público. A presidente do grupo, Janete Aparecida Silva Oliveira, conta que este ano o grupo optou por conscientizar os adolescentes de escolas estaduais sobre o assunto.
Segundo Janete, a adoção tardia é um dos maiores problemas que o Brasil enfrenta. Atualmente, há no país 30 mil pessoas na fila de adoção, e 40 mil crianças para serem adotadas. A presidente do grupo explica que apenas cinco mil está destituído o pátrio poder - quando os pais perdem o poder por maus tratos, negligência, ou outros fatores -, e destas crianças, 92% estão acima de sete anos, perfil menos escolhido pelos casais. “O perfil de solicitação é assim: 68% preferem crianças até dois anos, pouco mais de 20%, até seis anos, e menos de 1%, acima de sete anos. De adolescentes, nós não temos dados, porque são poucas pessoas que adotam adolescentes”, detalha.
Ainda de acordo com Janete, estes adolescentes permanecem em abrigos até completarem 18 anos, quando são convidados a voltarem para o convívio de sua família, porém a realidade é triste, pois a família volta a abandoná-los. “Primeiro eles são abandonados por seus pais e familiares, e segundo pelo governo e pela sociedade. Porque se os parentes e os familiares não quiseram quando eram crianças, vão querer com 18 anos?”, indaga.

COMEMORAÇÃO
Participarão do evento, os alunos do 2° grau das Escolas Estaduais Joaquim Nabuco e Dona Antônia Valadares, que estão concorrendo no concurso de frases. Para conscientizar os jovens, o grupo convidou a assistente social, Juliana Coelho, o promotor da Vara da Infância e da Juventude, Casé Fortes, o juiz da Vara da Infância e da Juventude, Dr. Francisco de Assis Correa, além de uma mãe que irá contar a sua história emocionante de adotar um grupo de irmãos, todos acima de sete anos. “A gente espera que esses adolescentes ouçam isso e mudem as suas cabeças. É difícil a gente ‘abrir a cabeça’ de um adulto para este tipo de adoção. O depoimento de uma mãe que optou pela adoção tardia também vai ser muito marcante”, ressalta.
A presidente informa ainda, que serão escolhidas as seis melhores frases dos alunos que participaram do concurso. O primeiro lugar receberá um tablet, e os outros colocados receberão um aparelho eletrônico de som. “Tem um aluno que escreveu essa frase: ‘queria voltar a ser criança e ter o joelho ralado, porque joelho ralado dói menos do que ter o coração partido por ser abandonado novamente’. Quando a gente explicou para os adolescentes o que acontecia com as crianças que não são adotadas, a primeira pergunta que me fizeram foi para saber onde que eles ficavam. E essa frase foi uma resposta à pergunta, porque eles são abandonados novamente”, lamenta.

ORIENTAÇÃO
Quem tiver dúvidas sobre como proceder na hora de fazer o cadastro de adoção, pode procurar o grupo, que fica na Avenida 1° de Junho, n° 420, sala 906, e procurar orientação. Conforme Janete, até mesmo as gestantes que querem doar o seu filho, podem procurar a ONG para saber quais os trâmites legais para que ele seja adotado. “Hoje, a adoção tem que ser segura, e legal. Se você registra a criança no nome de outra pessoa é ilegal, se você compra uma criança, é ilegal, então, nós estamos lutando contra isso. A nossa orientação é para que tudo seja feito pelos meios legais. A vergonha não é você dar o seu filho para a adoção, a vergonha é você jogá-lo fora, jogá-lo no lixo, abandonar na porta da casa de alguém”, conclui.

 

Crédito: Aaron Gabriel

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