quarta-feira, 7 de Janeiro de 2015 11:38h

Doentes reclamam da falta de remédios na Farmácia de Alto Custo do DF

Doentes que dependem da Farmácia de Alto Custo reclamam de dificuldades para conseguir medicações, porque, além da falta de remédios

Doentes que dependem da Farmácia de Alto Custo reclamam de dificuldades para conseguir medicações, porque, além da falta de remédios, todos os procedimentos têm que ser feitos manualmente, já que o setor está sem telefone e internet desde o dia 2 de dezembro, o que leva os funcionários  a usar celulares particulares ou a internet de suas residências para dar conta do serviço acumulado.

Essas informações foram dadas por usuários da farmácia. Uma das prejudicadas é a aposentada Glória Lopes, que depende de medicações fornecidas pela Farmácia de Alto Custo para manter o tratamento que faz contra reumatismo. “Eu vim na sexta (2) e a moça até teve boa vontade, mas para que ela conseguisse acessar a internet foi necessário que eu emprestasse meu celular”, disse ela. Glória conta que os servidores estão fazendo o trabalho manualmente, com base nos comprovantes de entrega do último mês, que devem ser levados pelo paciente. A situação foi confirmada por outra aposentada, Maria Jandira dos Santos. “Não tem internet aqui, e quem não trouxer a folhinha não recebe o remédio”.

Alguns tratamentos, de acordo com os pacientes, estão ficando comprometidos devido à falta de medicamentos. Entre eles, a bosentana, usada por pessoas com problemas de hipertensão arterial pulmonar – doença grave e rara que afeta as artérias do pulmão. Sem a medicação, as artérias ficam mais contraídas. Maria Jandira é uma dessas pessoas. Ela esteve na Farmácia de Alto Custo da Asa Sul no início da semana e acabou retornando de lá sem a medicação. “Está em falta e não tem previsão de chegar. O pior é que eu não posso ficar sem esse remédio. Se ficar, terei que ser internada”, disse a aposentada.

Leana Magalhães também tem hipertensão arterial pulmonar, doença diagnosticada desde 2011. Dois anos depois, o quadro agravou, fazendo com que ela não possa deixar de tomar a medicação: “Em novembro, quando minha mãe veio buscar o remédio, eles disseram que o estoque já estava baixo e que era para buscá-lo até a primeira quinzena de dezembro, mas, no dia 14 de dezembro, já não havia mais”. Ela tem comprimidos apenas para mais sete dias. Para prolongar o uso, por orientação do médico, tem tomado metade da dose normal.

Com medo de ficar sem o remédio, Leana tentou a compra, sem sucesso. “Não vende em outra farmácia. Mesmo se vendesse é muito caro. A gente não tem condições de comprar e fica dependendo da Farmácia de Alto Custo. Tem mais de um mês que esse medicamento está sem fornecimento”, disse ela. Ontem (6), Leana conseguiu duas caixas da medicação na Farmácia de Alto Custo, vindas do estoque de outra unidade, localizada na Ceilândia.

Caso o tratamento seja descontinuado, o quadro da doença pode se agravar, podendo em alguns casos resultar na morte do paciente. “Como é uma doença fatal, é claro que o remédio vai promover um pouco mais de qualidade de vida, mas realmente o papel fundamental dele é promover sobrevida. Sem o medicamento, com certeza, a pessoa corre risco de morte”, explica a presidente da Associação Brasileira de Amigos e Familiares de Portadores de Hipertensão Arterial Pulmonar (Abraf), Paula Menezes.

A Agência Brasil tentou, junto ao Governo do Distrito Federal (GDF), obter a lista de medicamentos em falta na Farmácia de Alto Custo. Em resposta, por e-mail, a assessoria da Secretaria de Saúde alegou que “esta informação não é pública”. Este, no entanto, não é o entendimento do promotor de Defesa da Saúde do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Jairo Bisol. “A informação é, de fato, pública, e tem que ser repassada”, disse ele, pois “ainda que a falta desses medicamentos não seja de responsabilidade do atual governo, ele tem de disponibilizá-los”.

A presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves, Maria Cecília Oliveira sugere que os pacientes recorram à justiça, caso os medicamentos não sejam entregues. “Isso pode ser feito por meio da Defensoria Pública, do Ministério Público ou de um advogado particular”, orientou.

Sobre o problema, a secretaria de Saúde do Distrito Federal disse que “foi instituído, nesta segunda-feira (5), um Comitê Situacional de Risco, que terá entre suas atribuições a realização de um levantamento e auditoria de todos os contratos em andamento. A prioridade deste comitê é regularizar, no menor tempo possível, o abastecimento de medicamentos e insumos em toda a rede hospitalar”.

Segundo a Secretaria de Comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), não há ainda data certa para que sejam pagos os salários atrasados dos servidores da Farmácia de Alto Custo, incluindo o 13º salário e adiantamentos de férias. A Secretaria de Planejamento do Distrito Federal informou que “vai fazer o possível para que os servidores com salários atrasados recebam o quanto antes”.

 

 

Michelle Cannes e Pedro Peduzzi - Repórteres da Agência Brasil

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