quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015 12:36h

Familiares de vítimas do amianto conseguem indenização

Doença fatal leva até 40 anos para se manifestar em trabalhadores expostos ao mineral

Maria do Carmo Vieira de Souza vivenciou em sua família os efeitos que o amianto pode causar à saúde de uma pessoa. Ela é presidente da Associação Mineira de Expostos ao Amianto (Amea), entidade que criou em 2005 após a morte de seu pai, Nelson Vieira de Souza, vítima de mesotelioma (câncer da pleura). O caso foi o primeiro em Minas Gerais a ser divulgado como comprovadamente relacionado à exposição ao amianto. O uso dessa fibra mineral - amplamente utilizada pela indústria e também em produtos de uso doméstico - foi proibido pela Lei 21.114, aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 2013, que determina prazos até 2023 para que a substância seja abolida do Estado.
Nelson Vieira de Souza trabalhou entre os anos de 1960 e 1964 na empresa Brasilit, na qual, segundo Maria do Carmo, atuava em diversas atividades, inclusive no preparo da massa de amianto, utilizada na produção de telhas de fibrocimento e caixas d'água.

Um laudo do Centro de Referência Estadual em Saúde do Trabalhador do Hospital das Clínicas da UFMG, feito durante o período de internação, apontou que o pai de Maria do Carmo também trabalhava como ajudante de carregamento de caminhões com telhas e caixas d'água de amianto e com lixo e restos de materiais e que a empresa não oferecia equipamentos de proteção aos trabalhadores nem assistência médica. Ainda segundo o laudo, Nelson de Souza trabalhava uma média de 12 horas por dia, seis dias na semana.

Pedra sabão - O amianto faz parte de inúmeros produtos utilizados pelas pessoas no dia a dia. Mas poucos sabem que o material também está presente em alguns tipos de pedra-sabão, rocha amplamente utilizada no artesanato mineiro, nas igrejas barrocas e nas famosas esculturas de Aleijadinho em cidades como Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Congonhas (Região Central do Estado).

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