quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016 09:19h Atualizado em 7 de Janeiro de 2016 às 09:24h.

Governo distribui 730 toneladas de sementes de milho, feijão e sorgo para produtores

Distribuição feita pelo Idene beneficia cerca de 80 mil agricultores afetados pela seca nas regiões Norte de Nordeste do estado

O Governo de Minas Gerais já distribuiu 60% das 730 toneladas de sementes de sorgo, milho e feijão aos produtores rurais dos 258 municípios do Norte e Nordeste do estado, incluindo as cidades que decretaram situação de emergência por causa da estiagem. O investimento para a compra das sementes foi de R$ 4milhões e a entrega será concluída até o final de janeiro, beneficiando cerca de 80 mil agricultores.

A distribuição de sementes começou na primeira quinzena de dezembro e faz parte do Plano de Urgência para Enfrentamento da Seca, coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor) e executado pela sua autarquia, o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene).

“Temos uma situação de emergência por causa da seca e estiagem. A medida foi tomada para compensar os produtores que perderam a plantação do meio do ano passado para cá”, afirma o diretor-geral do Idene, Ricardo Augusto Campos. Segundo ele, a iniciativa é o começo de uma série de ações previstas para 2016 para o fomento da produção e fortalecimento da agricultura familiar.



Distribuição

A entrega das sementes é feita pelos escritórios regionais do Idene, localizados nas cidades de Araçuaí, Diamantina, Montes Claros, Janaúba, Januária, Jequitinhonha, Salinas, Espinosa, Teófilo Otoni, Águas Formosas e Governador Valadares. A quantidade de sementes é repassada conforme a demanda das prefeituras, sindicatos e associações de produtores.

As sementes de milho, feijão e sorgo são direcionadas à produção de alimentos para o consumo humano e animal. No caso do sorgo, as sementes são, prioritariamente, para os mais de 4 mil agricultores familiares inseridos no programa “Um Leite pela Vida”, para que eles melhorem a alimentação do rebanho.

Cada produtor recebe, em média, dez quilos de milho e dez quilos de feijão, suficientes para plantar aproximadamente dois hectares. Quanto ao sorgo, são cerca de cinco quilos por produtor. “Com o plantio correto e a ajuda das chuvas para uma boa colheita, será possível garantir alimento para essas famílias durante boa parte do ano. Esse é o objetivo da medida”, afirma o secretário da Sedinor, Paulo Guedes.



Produtores confiantes

“Já plantei e o milho está nascendo que é uma beleza”, diz João Raimundo Carvalho, entusiasmado com a chegada da chuva na região e o fato de a semente ter chegado na hora certa. Ele é um dos produtores rurais de Glaucilândia, no Norte de Minas, que receberam sementes. Lá foram distribuídos 1,2 mil quilos de feijão e milho para 120 agricultores.

Também na região Norte, outros dez agricultores da comunidade São Geraldo, zona rural de Francisco Sá, receberam 100 quilos de sementes de sorgo, feijão e milho para dividir entre eles. João Carlos Rodrigues foi beneficiado com 10 quilos de semente de sorgo.

O pequeno pecuarista conta que perdeu o pasto por causa da seca e está comprando ração para sustentar o rebanho. “Sem essa ajuda não dá para criar o gado. Agora vou plantar e com a ajuda de Deus virá a chuva para brotar a semente”, afirma confiante João Carlos Rodrigues.

As sementes também já chegaram à comunidade Varginha da Onça, na zona rural de Montes Claros, e vão ser distribuídas nos próximos dias a 27 agricultores. São 200 quilos de milho e feijão que serão divididos entre os produtores que perderam a lavoura por causa da seca.

“Eu acho importante esse benefício porque a semente está muito cara e a vida na zona rural está difícil”, afirma a vice-presidente da associação dos agricultores da comunidade Varginha da Onça, Elezita de Souza Amorim.

Aos 73 anos, Maria Fernandes dos Santos, moradora e produtora da comunidade de Brejinho, zona rural de Montes Claros, projeta um futuro melhor para sua família. "Eu já trabalhei muito duro na roça, debaixo do sol. Tenho dez filhos, 30 netos e 15 bisnetos e quero viver ainda para ver os tataranetos. Essas sementes ajudam demais porque a gente não pode tirar da comida pra comprar a semente para plantar, temos só 3 hectares e isso é tudo pra nossa família", diz.

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