terça-feira, 31 de Março de 2015 14:01h

Mães da Sé e CFM fazem ato para cobrar solução para desaparecimento de crianças e adolescentes

Em ato que marcará o encerramento da Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida

Em ato que marcará o encerramento da Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a ONG Mães da Sé mobilizam a sociedade para combater o drama que afeta centenas de milhares de famílias brasileiras. Só em São Paulo, em 2014, foram registrados cerca de 33  mil, sendo que 28 mil foram localizados.

A meta é mobilizar o maior número de cidadãos e instituições para dar apoio e estímulo à cruzada das Mães da Sé. O ato nas escadarias da Praça da Sé, em São Paulo, no dia 31 de março, às 15h, destacará o trabalho dessa ONG. Na ocasião, que marcará os 19 anos de atividades da associação, cerca de 300 pessoas estarão reunidas para reforçar o compromisso com a busca dos desaparecidos e cobrar respostas efetivas das autoridades.                          

Na oportunidade, será apresentada aos paulistanos iniciativa do CFM, por meio de sua Comissão de Ações Sociais, que pretende envolver médicos e outros profissionais da saúde na prevenção e no combate ao desaparecimento de crianças e adolescentes. Uma campanha neste sentido foi iniciada e está sendo objeto de atividades nos Estados para garantir o engajamento dos profissionais.

Orientações à sociedade e aos médicos – “Não falar com estranhos” e “não aceite caronas”. Todo mundo já ouviu o quanto é importante repassar esta orientação para as crianças. Os números nacionais, no entanto, demonstram a necessidade de reforçar o alerta. Outra orientação é deixar com a criança um cartão de identificação com o nome, telefone e endereço dos pais.

De acordo com autoridades da Polícia, castigos exagerados, desproporcionais ao fato, assim como excesso de controle, podem desencadear a ideia da fuga. O outro extremo, de desleixo dos pais, também pode fazer a criança sentir-se rejeitada, pensando em fugir para chamar a atenção.

O problema do desaparecimento - No Brasil, são registrados em média 50 mil casos de desaparecimento de crianças e adolescentes por ano. O estado de São Paulo detém 25% desse número, representando o maior índice, seguido do Rio de Janeiro e dos estados do Nordeste. Estima-se, ainda, que quase 250 mil estejam desaparecidas no país.

De acordo com a presidente da ONG Mães da Sé, Ivanise Esperidião, dados da Delegacia de Pessoas Desaparecidas de São Paulo mostram que, em 2005, sumiram 18.702 pessoas no estado, em 2014 o número quase dobrou, ultrapassando a marca de 30 mil casos. "Queremos incentivar a sociedade a participar do processo de localização de crianças e adultos desaparecidos. Já estamos cansados de esperar dias, meses, anos sem uma resposta das autoridades, e só vamos conseguir essa resposta quando a sociedade for nossa principal parceira, e se unir à nossa luta".

Membro da Comissão de Ações Sociais do CFM, Ricardo Paiva aponta que um dos principais problemas é a falta de um cadastro nacional – havendo grande expectativa em relação ao seu funcionamento efetivo, que apesar de ter sido criado por lei em dezembro de 2009, deixa as famílias sem suporte oficial. “Saber sobre isso e calar, não é omissão. É conivência diante de quem não tem como se defender. É cumplicidade. Nós médicos podemos e devemos fazer muito para mudar essa realidade”, afirmou.

Atenção no atendimento - O Conselho Federal de Medicina (CFM) aposta ser possível reverter esta realidade. Por isso, desenvolve junto à categoria uma campanha de conscientização desde 2011. Por meio da Recomendação nº 4/2014, os profissionais médicos e instituições de tratamento médico, clínico, ambulatorial ou hospitalar foram orientados sobre como o quê observar e fazer para ajudar neste esforço contra o desaparecimento de menores.

O documento orienta os médicos a prestarem atenção nas atitudes desses pequenos pacientes: “observar como ele se comporta com o acompanhante, se demonstra medo, choro ou aparência assustada; observar se existem marcas físicas de violência, como cortes, hematomas ou até abusos”.

O CFM ainda alerta que os médicos peçam a documentação do acompanhante. Conforme a orientação do documento, “a criança deve estar acompanhada dos pais, avós, irmão ou parente próximo. Caso contrário, pergunte se a pessoa tem autorização por escrito”. Além disso, recomenda-se “desconfiar se o acompanhante fornecer informações desencontradas, contraditórias ou não souber as perguntas básicas”.

A organização - Em média, de 20 a 25 mães procuram a ONG por mês, no escritório da Mães da Sé. Além disso, a associação atende casos também por e-mail e telefone. O volume de desaparecidos maiores de idade foi aumentando e hoje a Mães da Sé atende mais esse público do que o infanto-juvenil. Cerca de 80% dos cadastrados têm mais de 18 anos.

Em 19 anos de atuação, a Mães da Sé já cadastrou mais de 10 mil casos, desse total, 40% ou, 4.152 dos casos foram solucionados. Tornando a associação excelência em atendimento a vitimas do desaparecimento de pessoas em todo território nacional.        

O escritório da Mães da Sé está localizada na Rua São Bento, 370, 9º andar, o horário de atendimento ao pública é das 9 às 17h. Caso não esteja na capital paulistana, os interessados podem entrar em contato com a associação através do email maesdase@globo.com ou pelo número (11) 3337-3331.

SERVIÇO

ATO PÚBLICO

Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida

Dia 31 de março

A partir das 15h

Na Praça da Sé, Centro. São Paulo.

Informações: (11) 3337-3331 / (61) 7812-5100

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