segunda-feira, 23 de Março de 2015 11:23h Monica Yanakiew – Correspondente da Agência Brasil

Média de consumo individual de água em Buenos Aires chega a 600 litros por dia

Cada morador de Buenos Aires consome, em média, 600 litros de água tratada por dia para beber, tomar banho, regar o jardim, cozinhar, lavar os pratos, a casa e o carro

É o dobro do consumo indivudual médio nos Estados Unidos, o triplo na Europa e é doze vezes superior à quantidade mínima (50 litros diários) que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera necessária.

Recentemente, algumas medidas têm sido tomadas para evitar o desperdício da água. O governo de Buenos Aires, por exemplo, limitou a três vezes por semana (segundas, quartas e sextas) os dias em que os porteiros têm autorização para lavar as calçadas da capital, mas essa regra nem sempre e respeitada. Além disso, o Sindicato dos Porteiros distribuiu pistolas para serem atarraxadas na ponta das mangueiras e, assim, controlar o jato de água quando vai lavar os arredores dos edifícios da capital.

“Aqui temos o hábito de madrugar para lavar as calçadas”, explica o porteiro Ricardo Miranda. “Mas cada vez que íamos abrir a porta para um morador, entregar o jornal ou ajudar alguém a sair da garagem, largávamos a mangueira no chão, com a água jorrando à toa. Com a pistola, o jato de água só sai se eu apertar o gatilho. Se eu parar, a água deixa de sair automaticamente”.

O principal motivo para tanta faxina é a quantidade de cachorros na cidade: um para cada quatro habitantes. É comum ver os cachorros saírem todas as manhãs (muitos deles em matilha, acompanhados por passeadores). O governo de Buenos Aires não só obriga os donos a recolherem as fezes dos animais, como distribuiu pela cidade sacos plásticos para quem tiver esquecido de sair com o seu.

“Mas isso não resolve o cheiro de xixi que os cachorros fazem nas paredes dos edifícios, nem as manchas nas calçadas, que só saem com água”, explica o porteiro Raul

Nem todos os argentinos, no entanto, têm a mesma situação privilegiada que os moradores da grande Buenos Aires. Na província de Mendoza, por exempleo, a escassez de água é um problema histórico, agravado nos últimos cinco anos pela falta de chuva e neve.

Mendoza é um deserto, ao pé da Cordilheira dos Andes. A terra árida é ideal para o plantio da uva malbec – daí a província ser considerada a capital mundial do vinho Malbec. Mas toda a irrigação é controlada porque a água é um bem escasso, que depende da quantidade de chuva e de neve.

A cidade de Mendoza tem um sistema de acequias (pequenos canais), por onde escorre a água que vem da neve derretida, no verão. Nenhuma gota é desperdiçada. Em Mendoza, ao contrário de Buenos Aires, os controles sobre o uso de água para lavar carros, calçadas e regar jardins são muito mais rígidos porque os vizinhos sabem que se um abusar os outros ficam sem tomar banho ou cozinhar.

Diante da seca, o governo decretou estado de emergência hídrica ate 2020. O objetivo é realizar obras para consertar o sistema de canalização, para evitar perdas – outra grande fonte de desperdício.

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