segunda-feira, 21 de Dezembro de 2015 10:56h

Reprodutores da espécie Pirá serão levados para Alagoas e Sergipe

Técnicos do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, localizado no Perímetro Irrigado de Itiúba

Técnicos do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, localizado no Perímetro Irrigado de Itiúba, município de Porto Real do Colégio (AL), chegam a Três Marias (MG) na próxima terça-feira (22) para recolher 20 reprodutores da espécie Pirá e levá-los para Alagoas e Sergipe, onde essa espécie encontra-se extinta, dando assim início a campanha de salvamento do Pirá, desencadeada pela Diretoria da Área de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf.

Essa ação é fruto de parceria entre a Codevasf e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para realizar atividades com finalidade científica como captura, reprodução, larvicultura, alevinagem, peixamento e monitoramento ictiológico de espécies de peixes nativas da Bacia do São Francisco ameaçadas de extinção. Esse trabalho conta com a participação da equipe técnica do Centro de Aquicultura e Recursos Pesqueiros de Três Marias/MG, vinculado à 1ª Superintendência Regional da Codevasf.

A Codevasf vem promovendo a distribuição de reprodutores de Pirá para os sete Centros de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Codevasf existentes na bacia do rio São Francisco. A partir de sua reprodução em laboratório, a Companhia busca realizar o repovoamento com alevinos dessa espécie em toda a bacia e, assim, salvá-la da extinção. Com essas ações, a Empresa intensifica os trabalhos em prol da revitalização da bacia do São Francisco. Outras ações de recuperação da biodiversidade também serão estendidas para as bacias do Parnaíba, Itapecuru e Mearim, área de atuação da Codevasf.

De acordo com o diretor da Área de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf, Eduardo Motta, a expectativa é de que a mesma ação aconteça no início de 2016, em Xique-Xique (BA) e Petrolina (PE).

Histórico

O Pirá (Conorhynchos conirostris) é considerado peixe símbolo do São Francisco e, no planeta, só existe nessa bacia. A primeira desova em laboratório foi realizada em 1997 no centro de aquicultura de Três Marias pelo especialista em ictiologia da Codevasf, Dr. Yoshimi Sato. Essa espécie é utilizada em atividades de repovoamento realizadas pela empresa no âmbito do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Devido a ações predatórias e outros impactos ambientais, a espécie está desaparecendo das águas do Velho Chico. No Baixo São Francisco, antes encontrada em abundância, já não mais existe, o mesmo acontece no Submédio São Francisco. Somente é encontrada, de forma escassa, no Médio São Francisco, na Bahia, e no Alto São Francisco”, acrescenta Eduardo Motta.

Essa espécie possui grande porte, importante valor comercial e habita principalmente a calha central de grandes rios. Seu focinho alongado lhe permite capturar com eficiência os invertebrados (principalmente moluscos) que vivem no substrato do leito do rio São Francisco, seus afluentes e lagoas marginais.

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