quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015 11:34h Da Agência Lusa

União Africana defende criação de força regional para combater Boko Haram

A União Africana (UA) defendeu hoje (21) a criação rápida de uma força regional para lutar contra o Boko Haram

O pedido ocorreu um dia após a uma reunião em Niamey, capital do Níger, sobre meios para combater o grupo radical islâmico.

A presidente da Comissão da UA, Nkosazana Dlamini-Zuma, pediu a adoção de resolução pelo Conselho de Segurança da ONU, atribuindo um mandato à Força Multinacional Mista (FMM) e criando um fundo para seu funcionamento.

“O Boko Haram constitui uma ameaça para a Nigéria e região e também para o conjunto do continente. A situação requer, por parte da África, mais esforços coletivos sustentados”, disse Nkosazana, em comunicado da UA. Ela saudou a decisão do presidente do Chade, Idriss Deby, de destacar tropas para ajudar Camarões a participar das operações contra o Boko Haram.

A luta contra os fundamentalistas, que pretendem instaurar um Estado Islâmico no Norte da Nigéria, majoritariamente muçulmano, ao contrário do Sul, de maioria cristã, é um dos principais pontos da agenda da 24ª Reunião dos Chefes de Estado da União Africana, que ocorrerá na capital etíope entre 30 e 31 de janeiro.

As tentativas de ação regional contra o Boko Haram têm sido prejudicadas pela reserva da Nigéria, que não aprova qualquer intervenção estrangeira em seu território. “Não foi tomada qualquer medida concreta e nada será possível antes da realização das eleições na Nigéria”, previstas para 14 de fevereiro, disse um diplomata africano em Adis Abeba.

A reunião de terça-feira em Niamey teve participação de 13 países africanos e não africanos. O objetivo é acelerar a concretização da força regional, com participação de Camarões, do Níger, Chade e da Nigéria.

Desde o início da insurreição, em 2009, o Boko Haram já causou cerca de 13 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados.

Na terça-feira, o grupo radical reivindicou o ataque do início do ano contra a cidade nigeriana de Baga (Nordeste) e várias localidades às margens do Lago Chade, considerado pela Anistia Internacional como “o maior e mais destrutivo” do Boko Haram. 

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