quinta-feira, 10 de Setembro de 2015 10:37h Atualizado em 10 de Setembro de 2015 às 10:40h. Carina Lelles

Acusados de matar Dinho Mourão negam crime

Está previsto para terminar na madrugada de hoje o julgamento de Luiz Felipe Gonçalves do Nascimento, de 26 anos (Felipinho), e Saulo Cândido Castilho, de 23 anos (Saulinho), acusados de matar o empresário Geraldo Lucchesi Mourão, mais conhecido por Dinho Mourão, em agosto de 2010.
O julgamento teve início por volta das 9h30 de ontem e foi presidido pelo Juiz Dalton Negrão. Dos 20 jurados convocados, sete foram escolhidos e o júri foi composto por cinco mulheres e dois homens. A primeira testemunha a ser ouvida foi o delegado da Polícia Civil, Leonardo Pio, que na época ficou à frente das investigações.
De acordo com o Delegado, as investigações apontaram que Felipe seria o executor do crime, a mando do filho do empresário, Breno Mourão, e Saulo ajudou Felipe na fuga. Os outros suspeitos envolvidos no caso foram julgados apenas por tráfico de drogas, por terem fornecido os entorpecentes a Breno, que os utilizou como pagamento aos executores do pai.
Leonardo ainda ressaltou que na época, foi acusado de abuso de autoridade e tortura para conseguir a “confissão” dos envolvidos. O caso foi levado à comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e o delegado foi alvo de uma investigação na Corregedoria do Polícia Civil, sendo que o inquérito foi arquivado.
O delegado ainda afirmou que Breno nega qualquer envolvimento no crime e que alguém, se fazendo passar por ele, negociou a morte do pai com os acusados. Além disso, segundo o delegado, ficou descartado o envolvimento de qualquer outro membro da família no caso.
O advogado de defesa de Saulo, Aguimar José Pereira, apresentou um vídeo onde outro filho do empresário, Francisco Mourão, aparece horas depois no motel de propriedade da família, sendo que havia dito em depoimento que estava em casa.
Ao ser chamado, Francisco disse não se reconhecer nas imagens e reafirmou tudo o que havia dito em depoimento. Outras testemunhas foram chamadas e após serem ouvidas, o julgamento foi suspenso para o almoço.

 

Acusados
Na volta da sessão, os acusados foram ouvidos pelo juiz. O primeiro a ser ouvido foi Luiz Felipe, que negou participação no crime e disse que conhecia Saulo apenas “de vista”, e que conheceu os outros suspeitos após a prisão dele, em outubro de 2010.
Além disso, Luiz Felipe, que é apontado como o executor do empresário, disse que nunca foi ao motel de Dinho Mourão e não conhecia a vítima. No dia do crime, segundo o acusado, ele passou o dia no velório e enterro de uma tia.
Depois foi a vez de Saulo ser ouvido e disse que foi pressionado a declarar alguma participação no crime e “entregar os outros”. Além disso, disse também que só conheceu os outros envolvidos no Presídio Floramar.
Em depoimento na Delegacia, Saulo teria dito que deu fuga a Felipe após o crime, mas que só fez isso porque foi coagido por dois policiais civis. O acusado disse não saber o porquê foi envolvido no crime e que nunca tirou a vida de ninguém. “Só cometi furtos para sustentar o vício. Minha consciência está tranquila”, disse ele ao juiz.

 

Explanação
Tanto a promotoria quanto a defesa tiveram duas horas e meia, cada, para as explanações. A Promotora Daniela Vieira relembrou o crime e mostrou aos jurados provas da perícia. Segundo a perícia, Dinho Mourão foi morto com três tiros, dois na cabeça e um no tórax, sendo que um dos tiros disparados na cabeça, atravessou o crânio e atingiu o vidro do veículo que a vítima dirigia, estilhaçando o mesmo. A perícia apontou ainda que os disparos foram feitos da direita do veículo, ou seja, do lado do passageiro.
Já o advogado defesa, Aguimar, mostrou provas de que o cliente não teve participação no crime e que foi coagido a “confessar” participação. Depois disso, houve a réplica, tréplica e até o fechamento desta edição, por volta das 21h, o julgamento não tinha terminado.

 

Relembre o caso
Geraldo Lucchesi Mourão, de 71 anos, foi encontrado morto dentro do próprio carro, na noite de 12 de agosto de 2010, às margens da MG-050. A cronologia do crime, segundo investigações, aponta que, por volta das 19h20, ele foi visto em um posto de combustível e depois passou em um motel, que era o proprietário, e permanecido por pouco tempo, saindo na companhia de um homem de boné, segundo o porteiro.
Por volta das 20h, o carro do empresário foi visto parado, na MG-050, por um militar que passava pelo local. Cerca de duas horas depois, o militar voltou e percebeu que o veículo estava no mesmo lugar, com os faróis ligados e o motor em funcionamento.
O militar acionou a Polícia Militar Rodoviária, que encontrou o empresário já sem vida, com o pé na embreagem e ainda com o cinto de segurança.
Peritos compareceram no local e constataram que Dinho Mourão apresentava três ferimentos à bala, disparados à queima-roupa.  Técnicos afirmaram que os disparos foram feitos por alguém que estava no banco de passageiros, com arma de curto alcance.

 

Créditos: Carina Lelles
Créditos: Carina Lelles

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