quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015 09:02h Atualizado em 16 de Dezembro de 2015 às 09:31h. Pollyanna Martins

Adolescentes tomam conta da Praça da Travessa São João para usar drogas

O problema persiste há cinco anos, e segundo os moradores, os jovens chegam ao local com uniforme de escola

Muita sombra e um local aparentemente tranquilo para descansar. É assim que quem passa pela Travessa São João define a convidativa praça, que fica na Vila Cruzeiro, em Divinópolis. Mas, o que muita gente não sabe, é que o local virou ponto de encontro para que adolescentes entre 14 e 17 anos usem drogas em plena luz do dia. O problema, segundo uma moradora, que preferiu não se identificar, persiste há mais de cinco anos. Ela e os vizinhos já pediram solução, mas até hoje nada foi feito.
Os jovens têm horários fixos: entre 10:30h e 11h da manhã, e no fim da tarde, das 17h às 19h. De manhã, muitos vão ao local com o uniforme da escola, e não se intimidam com o vai e vem de carros, e nem com a presença dos moradores. O cheiro, que os moradores deduzem ser maconha, incomoda ao ponto de a dona de casa fechar todas as janelas do apartamento. “A gente vê que são adolescentes de família bem de vida. Muitos com blusa de escola particular da cidade. Meninos e meninas, de 14 até 17 anos, que usam drogas sem importar com a gente aqui”, detalha.
Nossa reportagem esteve no local por volta das 14h e não encontrou nenhum adolescente no local, mas quem estaciona o carro todos os dias na travessa conta que todos os dias os jovens estão na praça para cumprir o seu “ritual”. “Eu sempre estaciono o carro aqui, e teve um dia que eu fiz questão de passar na frente deles duas vezes e eles nem se importaram. Continuaram usando a droga deles numa boa”, conta um representante, que também não quis se identificar.
São mais de dez jovens que ficam na praça, tanto de manhã – que os moradores acreditam estarem matando aula – quanto no fim da tarde. Segundo os moradores, os adolescentes não causam nenhum transtorno relacionado à violência, mas a dona de casa fica com medo, pois tem um filho também adolescente em casa. “Eles não são andarilhos, não ameaçam, nada, mas eu fico com medo, porque eu tenho um adolescente em casa”, reclama.

 

PROVIDÊNCIAS
Há um ano, no programa ‘Alterosa em Alerta’, da TV Alterosa, exibiu a reportagem aonde os moradores reclamavam da mesma situação. Na época, a Polícia Militar (PM) prometeu policiamento para tentar solucionar o problema. De acordo com o Capitão Marco Paulo, a ação foi feita, mas medidas mais severas neste caso são inviáveis, pois a lei é branda e os jovens são classificados apenas como usuários de drogas. “Para os jovens terem alguma punição mais severa, eles teriam que ser presos em flagrante. Nesta situação, eles são classificados como usuários de drogas, levados para a delegacia e liberados em seguida. A gente não pode chegar e mandá-los embora da praça, o que nós podemos fazer é conversar”, explica.
Um comerciante da praça, que não quis se identificar, conta que o que mais o assusta é o fato de muitos jovens, meninos e meninas, matarem aula para poder usar drogas no local. “Alguns tentam disfarçar, falando que é cigarro de palha, mas a gente sabe o que é. Alguns meninos trazem as namoradas e ficam todos aí usando drogas à vontade, dá até dó de ver essa meninada nova estragando a vida”, lamenta.

 

Créditos: Pollyanna Martins

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