sexta-feira, 17 de Junho de 2016 13:15h Pollyanna Martins

Advogado é preso por estelionato em Divinópolis

Rodrigo Milagre Vaz, de 32 anos, recebia dos clientes o valor para ajuizar a ação, mas não dava entrada ao processo. Até o momento, três vítimas foram identificadas

POR POLLYANNA MARTINS

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Um advogado, de 32 anos, foi preso, no dia 2 de junho, suspeito de estelionato em Divinópolis. De acordo com a delegada, Adriene Lopes de Oliveira, responsável pelo caso, Rodrigo Milagre Vaz tinha um escritório de advocacia e cobrava honorários de clientes para ajuizar ações na justiça, mas não dava entrada nos processos. Ainda segundo a delegada, o advogado formou-se em 2008, na antiga FADOM, mas não tinha registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para exercer a profissão. “Ele disse que apenas intermediava [os processos] por meio de outro advogado, mas ele não mencionou qual advogado. Mas, ele dava números diferentes de OAB [para os clientes], pegava aleatoriamente os números, e esses advogados não tinham ciência de que ele usava os seus registros”, explica.

 

 

 

Conforme Adriene, até o momento, apenas três vítimas de Rodrigo se apresentaram na delegacia. A primeira vítima de Rodrigo que a Polícia Civil tem conhecimento foi em 2011. De acordo com a delegada, a pessoa pediu para Rodrigo acionar o seguro DPVAT, o serviço não foi feito, mas a vítima não chegou a efetuar nenhum pagamento para o advogado. Já a segunda vítima, foi em 2014. Segundo Adriene, o advogado ajuizou a ação com um registro aleatório da OAB, e no dia da primeira audiência, inventou uma desculpa, e solicitou que outro advogado com registro da OAB fosse em seu lugar. Na segunda audiência, como o seu cliente não poderia comparecer, Rodrigo foi representando-o, e fechou um acordo com a ex-funcionária de seu cliente. “O Rodrigo foi como preposto e fez um acordo. Nesse acordo, a vítima teria que pagar R$ 4 mil para a sua ex-funcionária, e como ela estava impossibilitada de efetuar o depósito na justiça do trabalho, ela passou o dinheiro para o Rodrigo, e ele reembolsou o dinheiro”, conta.

 

 

Além de ficar para uso próprio com o dinheiro do pagamento da ex-funcionária de seu cliente, Rodrigo recebeu R$ 1,5 mil pelos seus honorários para ajuizar a ação. Conforme a delegada, o empresário só ficou sabendo que o dinheiro não havia sido depositado por Rodrigo quando recebeu a notificação de que seus bens seriam penhorados. A dívida, que era, em 2014, de R$ 4 mil, com os juros, subiu para R$ 9 mil este ano. Segundo Adriene, o advogado começou a ser investigado no mês passado, quando a terceira vítima registrou um boletim de ocorrência suspeitando da prática de Rodrigo. A vítima, uma idosa de Lagoa da Prata, pagou R$ 5 mil para Rodrigo ajuizar uma ação, mais R$ 70 para despesas de viagem até a cidade. A idosa desconfiou do advogado, quando o mesmo lhe deu dois recibos dos valores que ela havia lhe pagado, com registros da OAB diferentes. “Uma das vítimas veio e disse que estava suspeitando da prática dele, porque ele tinha emitido dois recibos para ela, e em cada recibo ele colocou um número de inscrição da OAB diferente. Ela achou estranho e consultou os registros, e viu que eram de outros advogados”, relata.

 

 

 

PENA

A delegada acredita que o advogado tenha feito mais vítimas, e as mesmas devem ir até a delegacia e denunciar o crime. Segundo Adriene, Rodrigo responderá pelo crime de estelionato, previsto no artigo 171, do Código Penal. “Ele foi preso no próprio escritório dele, no Centro da cidade, e foi autuado em flagrante pela prática de estelionato. Ele irá responder pelo artigo 171, e a pena vai de um a cinco anos de prisão”, conclui.

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