sexta-feira, 3 de Junho de 2011 10:57h Venilton Ferreira

ALERTA: Oxi, droga mais letal que crack, provoca epidemia de vício pelo país.

A droga mata muito mais rápido do que o produto original.

Desde os anos 80 os estados do Acre e Amazonas, na Região Norte do Brasil, convivem com a destruição produzida pelo oxi. O nome é uma abreviação de "oxidado", uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem, mais devastadora do que o crack A droga, que chegou ao país pelas regiões das fronteiras do Brasil com Bolívia e Colômbia, é vendida em forma de pedra e custa, em média, R$2,00 a unidade e já chegou à região central do país.

Brasília, no Distrito Federal, além de estados como o Piauí, Paraíba, Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais já estão convivendo com mais esse problema social.


O oxi se espalha rapidamente pelo país pelo seu grande potencial alucinógeno, pois, assim como o crack, pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. Outra razão é seu baixo custo para os usuários. O crack não é uma droga cara, mas o oxi é ainda mais barato. 


O lado mais assustador do oxi talvez seja a carência de dados sobre seu alcance no território brasileiro. A droga atinge todas as classes sociais. "Não há um perfil estabelecido de usuário: ela é usada tanto pelos mais pobres quanto pelos mais ricos", diz Ana Cecília Marques, psiquiatra da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Abead).


Também faltam estudos científicos sobre sua ação sobre o ser humano. Por ora, sabe-se que, por causa da composição, formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente. A única pesquisa conhecida sobre a droga – conduzida por Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos, em parceria com o Ministério da Saúde – acompanhou cem pacientes que fumavam oxi e constatou que a droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano.


Além, é claro, do risco de óbito no longo prazo, seu uso contínuo provoca reações intensas. São comuns vômitos e diarréias, aparecimento de lesões precoces no sistema nervoso central e degeneração das funções hepáticas. "Solventes na composição da droga podem aumentar seu potencial cancerígeno", explica Ivan Mario Braun, psiquiatra e autor do livro Drogas: Perguntas e Respostas.


Por último, mas não menos importante, uma particularidade do oxi assusta os profissionais de saúde: a "fórmula" da droga varia de acordo com "receitas caseiras" de usuários. É possível, por exemplo, encontrar a presença de ingredientes como cimento, acetona, ácido sulfúrico, amônia e soda cáustica. A variedade amplia os riscos à saúde e dificulta o tratamento.

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