quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015 13:48h Atualizado em 24 de Dezembro de 2015 às 13:52h. Pollyanna Martins

Aumento no número de homicídios e crimes violentos em Divinópolis preocupa a Polícia Civil

O delegado Ivan José Lopes, chefe do 7º Departamento da Polícia Civil avalia os dez primeiros meses na administração

Há dez meses à frente do 7º Departamento da Polícia Civil, o delegado Ivan José Lopes concedeu uma entrevista exclusiva ao Gazeta do Oeste, e fez um balanço dos meses de atuação no departamento. Desde que assumiu o comando do 7º Departamento, no dia 13 de fevereiro deste ano, foram feitas várias operações na Polícia Civil (PC), independentes e integradas.
Responsável pela administração de cinco delegacias regionais (Divinópolis, Bom Despacho, Pará de Minas, Formiga, Nova Serrana), totalizando 50 municípios e 400 policiais, o delegado conta que a integração entre as unidades saiu dentro do planejado. O chefe do departamento detalha ainda, que na última semana houve uma reunião em todas as delegacias regionais, com os policiais de todas as carreiras e que ficou satisfeito com o resultado. “Houve uma maior articulação entre as nossas unidades policiais, conforme eu desejava. As delegacias regionais conversam mais entre si, e as outras unidades também. O nosso pessoal está muito motivado, carente, mas nem por isso deixou de trabalhar e continuaram muito bem empenhados”.
O empenho dos policiais resultou no sucesso de duas grandes operações realizadas pela Polícia Civil em Divinópolis. A “Operação Maçarico”, independente, realizada em julho, cumpriu 33 mandados de busca e apreensão, e quatro mandados de prisão. O alvo da operação era uma quadrilha especializada em roubos de carros. A “Operação Ostentação”, executada em conjunto com a Polícia Federal (PF) e a Polícia Militar (PM), 14 dias depois da “Operação Maçarico”, resultou na prisão de 26 suspeitos, que cometiam crimes e ostentavam em redes sociais. Além dessas ações, o delegado destaca que outras operações são feitas em outros municípios, e que o trabalho da Polícia Civil é constante e independente de grandes operações. “Quando acontece uma operação, talvez é o momento que a sociedade percebe um movimento da Polícia Civil, mas por trás de uma operação existem várias mesas de investigação. Nem sempre os nossos trabalhos necessitam de uma operação vultosa. Muitos trabalhos são feitos, as pessoas nem percebem e eles produzem efeito. As investigações de homicídios é um exemplo disso. A operação não determina a qualidade de um trabalho”, destaca.
 

 

QUEDA DOS HOMICÍDIOS
Segundo dados da Polícia Civil, o número de homicídios caiu em Nova Serrana. Em 2014, foram registrados 50 homicídios, e até o dia 14 de dezembro deste ano foram registrados 47. Apesar da diminuição, o delegado diz que o número ainda não é satisfatório, e que há um longo trabalho a ser feito. “O número está com um patamar que não é ideal, nós não estamos tranquilos, mas acho que é um indicativo de que algo está dando certo. Ressaltando também que este ano iniciou o novo delegado, Felipe Freitas, que é bastante atuante na área operacional”, justifica.
Ainda de acordo com o delegado, na região centro-oeste houve uma queda de 10% no número de homicídios. “O número de homicídios, que vinha crescendo ano a ano, este ano registrou uma queda”, explica. Mas Divinópolis segue o caminho contrário da região Centro-Oeste. Dados da Polícia Civil mostram que em 2014 foram registrados 27 homicídios, contra 35 registrados até 14 de dezembro deste ano. “Houve realmente um pequeno aumento no número de homicídios em relação ao ano passado, mas nada que destoa de vários outros anos. Se pegar desde 2010, em 2012, o número de homicídios foi maior. Analisando os números, a gente percebe que tem uma variação. Nós não estamos em uma situação de piora, mas não é agradável. Em Bom Despacho, por exemplo, a situação é regular crescente”, informa.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014, a cada 10 minutos uma pessoa é assassinada no país. Em Bom Despacho, foram registrados, em 2014, 48 homicídios, número que caiu para 32 este ano. Já em Pará de Minas, foram 33 homicídios no ano passado, contra 27 em 2015, e em Formiga, foram registrados 18 assassinatos em 2014 e 16 até 14 de dezembro deste ano. Segundo o chefe do departamento, 80% dos homicídios estão relacionados ao tráfico de drogas. Agosto e setembro foram registrados os maiores números de homicídios no município, e o delegado acredita que todos têm relação com o tráfico de drogas. “A gente imagina que quando prende o líder do tráfico de uma região, aí pode ser que o outro tente se instalar e começa a guerra. Isso a gente tem como experiência. Em Divinópolis, nós não tivemos nenhum homicídio em março, mas em agosto e setembro teve um ‘boom’. Tudo indicava que nós chegaríamos ao fim deste ano com um número menor do que no ano passado. Aí começa a disputa do tráfico de drogas, o latrocínio [roubo seguido de morte] é raríssimo aqui na cidade”, ressalta.

 

CRIMES VIOLENTOS
Outro crime que aumentou na cidade e tem preocupado o delegado são os crimes violentos. De acordo com Dr. Ivan, houve um aumento de 4% no número de roubos, na cidade, em novembro. Fato que levou o delegado a pedir atenção especial da Polícia Civil a este tipo de crime. “Nós pedimos prioridade a estes casos. Agora nós estamos mais focados na redução da criminalidade, especialmente nestes casos. Nós estamos pedindo empenho nisto, mas infelizmente este crime tem nos preocupado. A gente percebeu que houve uma migração do crime de furto para o crime de roubo. Muito provavelmente está ligado ao tráfico de drogas. A maioria destes veículos roubados está sendo utilizada para a prática de outros crimes”, afirma.
 

 

LEGISLAÇÃO
Para o delegado, um dos pontos que mais dificulta a punição de criminosos no Brasil é a legislação ser branda. Dr. Ivan conta que muitas vezes a burocracia faz com que procedimentos simples se arrastem. “Para investigar, nós precisamos pedir autorização para ter acesso às informações, que às vezes são bastante simples. Melhorou, mas a maioria das informações nós precisamos de ordem judicial, e demanda tempo, demanda apreciação do judiciário, e do Ministério Público. E a legislação realmente é branda. Os suspeitos de crimes muitas vezes são os mesmos, o famoso ‘prende e solta’. Mas, nem por isso nós vamos desanimar”, frisa.
A impunidade de menores infratores é outro fato que incomoda o chefe do 7º Departamento da Polícia Civil. Na região Centro-Oeste, há apenas o Centro Sócio Educativo de Divinópolis. Conforme o delegado, há vários casos de menores que são apreendidos mais de uma vez pelo mesmo crime, pois não há local para que ele fique recluso. “Muitas vezes um menor é apreendido por roubo, com crime violento contra a pessoa e é liberado, porque ainda não tem lugar [para ficar recluso]. Eu não acredito que uma legislação mais dura vai resolver o problema de criminalidade. Não acredito que um menor de 17, quase 18 anos, deve ser tratado como alguém incapaz de compreender a gravidade, a ilicitude do seu comportamento”, ressalta.
 

 

EFETIVO
De acordo com o delegado, um dos maiores desafios da Polícia Civil é o número do efetivo. Assim como a Polícia Militar, o órgão sofre com a escassez de policiais na ativa. “O nosso maior desafio é fazer mais com o efetivo que temos. Esperamos que este desafio seja aumentado. O nosso desafio é tornar mais eficiente o nosso quadro, mas também esperando que este quadro seja aumentando”, avalia.
 

 

CORRUPÇÃO
Com a situação atual no Brasil, aonde escândalos de corrupção são descobertos quase todos os dias, o delegado garante que esta situação é inadmissível no 7º Departamento, e que cobra dos policiais um trabalho honesto com a população. “É obrigação de todos trabalhar e ser honesto. Eu exijo trabalho e honestidade. Qualquer informação de desvio de comportamento nós vamos apurar. Vai ser criado a partir de 1º de fevereiro um núcleo de corregedoria, aqui na sede do 7º departamento. É um órgão ligado à Corregedoria Geral de Polícia para fazer este trabalho. Promover sindicâncias que, por ventura, envolvam desvio de comportamento dos nossos policiais”, revela.

 

2016
O delegado garante que o combate ao crime continuará intenso no próximo ano e agradece à população pela receptividade que teve na cidade. “Hoje eu tenho certeza que Divinópolis é uma boa cidade para se viver. As Polícias Civil, Militar e Federal estão integradas no combate ao crime. Eu quero agradecer a recepção que a sociedade tem dado a mim e à minha família, e espero continuar merecendo a confiança do governo e do povo de Divinópolis”, conclui.

 

Créditos: Pollyanna Martins

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