sexta-feira, 14 de Março de 2014 05:08h Simião Castro

Cai número de ocorrências e atendimentos dos Bombeiros

Em três anos os dados percentuais tiveram diminuição expressiva, mas gargalo é o efetivo da corporação.

Sete mil quinhentos e oitenta e sete. Esse é o número de ocorrências registradas em 2013 pelo Corpo de Bombeiros em Divinópolis. Deles, quase 10% foram relativos a acidentes com motociclistas, somando 731 no ano passado, o que dá mais de dois atendimentos por dia só neste tipo de ocorrência.
Parece pouco, mas a guarnição possui efetivo para compor no máximo sete equipes de socorro por dia, mesmo assim, se receber o apoio do setor administrativo da corporação. O assessor de comunicação organizacional do 10º Batalhão de Bombeiros Militares, com sede em Divinópolis, tenente, Rodolfo Kroehling de Moura, diz que a dificuldade está na quantidade de combatentes disponíveis.
O batalhão tem 17 viaturas de prontidão, mas como o habitual é que haja 12 bombeiros de serviço a cada 24h, é impossível mobilizar todas ao mesmo tempo. “Por exemplo, a viatura de combate a incêndio, no mínimo, ela deve sair com quatro combatentes. A unidade de resgate já é três”. Em Divinópolis, só os bombeiros podem realizar atendimentos de urgência e emergência.

 

Procedimento
A solicitação chega pelo telefone 193, da sala de operações do batalhão. O solicitante repassa a situação que está sofrendo ou presenciou. Com base nisso, sai de lá o tipo de viatura e pessoal adequado para aquele atendimento.
“Se é um atendimento pré-hospitalar, a gente vai nas unidades de resgate, se é um atendimento de incêndio nos compomos as auto-bombas. Se é um tipo de salvamento que requer outros equipamentos, nos compomos as viaturas de salvamento”, explica o tenente.
E havendo a possibilidade de, ao chegar ao local, os bombeiros perceberem a necessidade de outro tipo de veículo, o pedido é feito imediatamente à sala de operações. Assim o reforço extra, ou qualquer outro tipo de apoio, é enviado corretamente.


Simultaneidade
De acordo com o tenente, o período da manhã, quando as pessoas começam a sair para o trabalho, é comum serem registrados acidentes motociclísticos. Mas isso não quer dizer que exista um horário em que essas ocorrências sejam mais frequentes.
Ele diz que é muito incomum todas as guarnições disponíveis serem empenhadas ao mesmo tempo, mas pode acontecer. “Existe a possibilidade de no mesmo momento haver uma série de ocorrências, e aí a gente pode ficar sem condições de atender alguma delas”, admite.
Em um momento como esse a estratégia é priorizar. Se uma viatura se dirige para uma situação mais simples e aparece outra, mais grave, ela é deslocada para o atendimento prioritário. Desse modo, a primeira ocorrência precisa esperar um pouco mais. De qualquer forma, os bombeiros garantem que tentam chegar o mais rápido possível em todas as ocorrências, e estipulam prazo máximo de 60 segundos para a saída do quartel.

 

O melhor remédio
Em retrospecto, os dados mostram diminuição no número de atendimentos totais nos últimos anos. De 2011 para o ano seguinte, houve queda de 20% nos atendimentos, e aumento igual nas vistorias de Fiscalização. De 2012 para 2013, a tendência permaneceu, com queda de 15% nas ocorrências e mais de 50% de aumento no número de vistorias.
O tenente atribui essa evolução a um contexto que abrange diversos fatores, entre eles, o crescente número de ações preventivas e o maior acesso das pessoas a informação. “Toda vez que a gente noticia dados, noticia as próprias ocorrências, o pessoal fica mais alerta. Eu acredito que tudo isso contribua com uma menor incidência dos acidentes.”

 

Samu
O processo de instalação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em Divinópolis já tramita há algum tempo no município mas ainda não tem data para ser implantado. A etapa concluída mais recente foi fundação do Consórcio Intermunicipal de Saúde, em fevereiro passado. O órgão vai gerir o serviço, compartilhado por 55 cidades da região Centro Oeste de Minas.
À época o prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo, disse que o “consórcio público vai diminuir o custo de serviço e melhorar o atendimento. E caracterizou o Samu como um sistema regional que necessita de hospitais, leitos, serviços de ortopedia e logística de transporte. Consta no projeto que a vítima atendida pelo Samu em uma cidade que não dispuser de leito de internação, poderá ser levado à cidade mais próxima que tenha a vaga aberta.
O tenente, Rodolfo Kroehling, vê com bons olhos a chegada do Samu à região e acha que o serviço vai somar forças nos atendimentos. “Tudo ainda é muito hipotético, mas, certamente, uma vez que ele for implementado, vai ser fundamental uma conversa entre os dois órgãos para a gente poder maximizar o recurso público”, considera.

Tabela: Comparativo de atendimentos e vistorias dos Bombeiros nos últimos três anos

 

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