sexta-feira, 29 de Julho de 2011 09:18h Atualizado em 29 de Julho de 2011 às 09:40h. André Bernardes

Carrapateiro: Polícias e Munícipio atuam

“Operação Candidés” recolhe mais de quarenta usuários de drogas no local.

Uma ação conjunta entre Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, prefeitura e Ministério Público pegou os frequentadores do “Carrapateiro” que ficam no pontilhão do Niterói de surpresa na tarde de ontem. A “Operação Candidés” recolheu cerca de quarenta usuários de drogas que foram encaminhados para serviços sociais e nos casos em que havia mandado de prisão para o presídio Floramar.


A operação já estava sendo comentada há alguns meses, porém nenhuma data foi estipulada para que os usuários fossem pegos de surpresa. Quem passou pelo centro da cidade por volta das 14h, ficou curioso com a quantidade de carros da polícia civil e militar andando em comboio pela cidade. Quando chegaram à praça Candidés, os policiais entraram no “Carrapateiro” e surpreenderam os usuários de drogas. Mais de quarenta usuários foram recolhidos e direcionados para a praça e posteriormente para a quadra do poliesportivo do bairro Niterói. Logo após a retirada das pessoas, trabalhadores da prefeitura começaram um trabalho de limpeza no local, sendo retirados lixo, entulho e roupas que estavam espalhadas no local.


Juliano Pinto da Silva responsável da Defesa Civil na operação, contou que o departamento disponibilizou 25 pessoas para participar. “Iremos fazer a roçada da mata, e também a retirada de lixo, roupas, colchões e até drogas encontradas no entorno do “Carrapateiro”. Será feito ainda um cercamento da área”, explicou Juliano.
 

Ficará por conta da Defesa Civil a colocação de faixas informativas sobre a proibição da entrada e permanência de pessoas na localidade a partir da data da operação. A cerca feita pela prefeitura será para manter o local como Área de Preservação Permanente (APP). “Este é um trabalho muito benéfico para a comunidade, mas creio que a população deve nos ajudar também neste combate. Pois enquanto este pessoal receber comida e roupas cedidas pela população, o intuito dos usuários será de permanecer no local”, enfatizou Juliano Silva.
 

Simone Alves mora no bairro há mais de vinte anos e disse que a operação vai trazer conforto pra os moradores do bairro. “Quinta e sexta a partir das cinco da tarde a gente tem medo de voltar a pé, pois a quantidade de drogados aqui é muito grande. Eu conheço muita gente que já foi assaltado aqui” disse.


Cerca de cinquenta policiais militares estavam na operação. O tenente coronel Júlio Teodoro diz que apesar da ação, o trabalho irá continuar por tempo indeterminado. “Fizemos um cerco, uma varredura para retirar do local as pessoas e encaminhá-las para um lanche, banho, cadastramento e assistência. No tocante ao espaço, a prefeitura irá colocar uma cerca para delimitar a área e inibir qualquer pessoa de entrar no local. A PM terá policiamento fixo no local por tempo indeterminado para garantir a tranquilidade e a não utilização do espaço para uso de drogas” explicou
 

Durante a operação, a polícia civil cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma casa perto da praça. Lá foram encontradas diversas bolsas contendo dinheiro, uma balança de precisão e um notebook. O local era utilizado como “armazém da mendicância”, onde eram vendidos alimentos conseguidos por pedintes nas ruas. De acordo com o delegado Leonardo Pio, essa casa estava sendo investigada pela polícia. “A polícia civil junto com as outras entidades está trabalhando para coibir o fomento do tráfico de drogas na cidade, tanto que estamos realizando cumprimento de busca e apreensão, e de acordo com investigações os donos da casa estão traficando substâncias entorpecentes” explicou.

 

 

Destino

 

Os usuários recolhidos na operação foram encaminhados para a uma quadra esportiva no bairro Niterói. Lá receberam lanche, banho e apoio de assistentes sociais. Ao entrar na quadra, nossa reportagem foi orientada dos riscos, pois eles ficariam agressivos pela abstinência. A polícia civil disponibilizou 27 agentes para a operação e realizou um trabalho de identificação dos usuários para poder direcioná-los ao local adequado. “Nós vamos fazer a identificação dos indivíduos e fazer a separação dos que tem mandado de prisão e aquelas que serão internadas. Com um mandado de prisão em aberto, legalmente temos que encaminhá-los para a Floramar” explicou a delegada Regional doutora Aparecida Quadros.
 

Diversos voluntários e assistentes sociais receberam os usuários para o cadastramento.  Rui Faria Campos, diretor da Casa Dia diz que o trabalho não pode parar apenas nesta ação. “É um trabalho que é continuo, ajudar essas pessoas que estão sofrendo a mercê das drogas esperando a morte. E essa operação irá resgatar algumas pessoas. A saída é tratar, são pessoas doentes e precisam de tratamento” disse.
 

Toda a operação foi acompanhada pelo secretário adjunto de Defesa Social do estado, Genilson Ribeiro, que elogiou a operação e disse que Divinópolis é pioneira neste tipo de ação. “É uma ação muito positiva e vejo com bons olhos a parceria do estado com o município e passa a ser uma referência, até porque é uma ação integrada envolvendo vários poderes e é um exemplo para o estado. Quarenta pessoas foram resgatadas da situação de absoluta miséria e o interessante que a cidade se envolveu. O inusitado foi a participação dos voluntários. Isso eu vou levar para Belo Horizonte” elogiou
 

Quem encabeçou toda a operação foi Adriano Siqueira, secretário adjunto de Desenvolvimento Social e Políticas sobre Drogas. Apesar de ter sido bastante elogiado pelo secretário do estado, Adriano diz que não pode levar o crédito pela operação. “Existem muitas coisas articuladas, entidades terapêuticas fazendo um trabalho, a polícia e a prefeitura. E quando o prefeito criou uma secretaria específica de política sobre drogas,chamei todo mundo para conversar e todos com seu potencial construímos uma política pública, essa operação não pode ter dono, estamos todos interados em uma ação só” explicou.

 

 

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