quarta-feira, 27 de Julho de 2011 09:15h Atualizado em 27 de Julho de 2011 às 09:18h. Natalia Santos

Caso Bruno e Jus Postulandi

Delegado esclarece possível ligação do caso com operação em Divinópolis

A Polícia Federal de Divinópolis poderá receber nos próximos dias um pedido do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Durval Ângelo, para investigar se existe alguma ligação entre a venda de habeas corpus com o caso Bruno. Diferente do que vem sendo noticiado, o delegado Daniel Sousa informou que até o momento não recebeu nenhum pedido, mas caso aconteça já está preparado para questionar qual a ligação entre os casos, uma vez que segundo ele, não há nenhum envolvimento.

 

 

A reportagem divulgada esta semana pelo jornal Estado de Minas relata que de acordo com Durval Ângelo, em uma das ligações interceptadas do telefone de Ingrid, noiva de Bruno, ela conversa com um homem identificado como Marcelo, que pode ter relação com o caso que desencadeou a Operação Jus Postulandi, em junho deste ano, para desbaratar uma quadrilha que negociava a compra e venda de habeas corpus. Na matéria o deputado também destaca que nas ligações, este Marcelo se apresenta para Ingrid como um juiz influente em Brasília, critica o sistema judiciário e pede que ela ouça Starling (juíza do caso Bruno e acusada de tentar vender um habeas corpus ao goleiro), já que lá em Brasília ele resolveria tudo. A repórter do EM ainda acrescenta que as gravações de telefonemas da juíza de Esmeraldas também foram encaminhadas à Polícia Federal de Divinópolis.

 

Sobre o assunto, o delegado Daniel Sousa, afirmou que até ontem (26) não teria recebido nenhum pedido para iniciar qualquer investigação e no mesmo momento frisou que ao receber o requerimento irá questionar qual seria a ligação entre os dois casos. Ele explicou que durante o andamento da Operação Jus Postulandi, descobriram acidentalmente um advogado, Marcelo da Conceição que se passava por juiz, prometia habeas corpus à presos por R$ 100 mil e depois do pagamento sumia sem cumprir o combinado. “Este indivíduo não está dentro do grupo de envolvidos da Jus Postulandi. Ele não está incluído na investigação que continua e com certeza será julgado por estelionato”, declarou Daniel. O relatório da operação está em sigilo e só pode ser divulgado para advogados que fizerem solicitação. Isto, poderia ter sido segundo o delegado o motivo para o cruzamento de dados entre os dois casos, mas destacou mais uma vez que crê em nenhum envolvimento.


 
Entenda o caso

 

 

Bruno teria usado um telefone da Penitenciária Nelson Hungria para falar com a noiva, intermediado por funcionários. De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais (Seds), as ligações sociais são concedidas aos detentos somente com autorização e justificativa por motivo relevante - como doença, ausência nas últimas visitas ou morte de algum familiar, ou com recomendação de um médico, psicólogo ou psiquiatra que acompanhe o preso. Cláudio Dalledone, advogado de Bruno, afirma que o telefonema do goleiro não foi uma regalia. “Todos os presos têm direito a uma ligação a cada 15 dias. Foram 30 dias de interceptação telefônica e houve apenas essa ligação para Bruno”, diz. O defensor do atleta suspeito do desaparecimento e morte de Elisa Samudio disse que não tinha conhecimento do grampo telefônico.

 

Jus Postulandi

 

 

A Polícia Federal deflagrou no final de junho, em Divinópolis e região, além de outros Estados, a operação Jus Postulandi. O objetivo da operação foi desmantelar uma quadrilha especializada na venda de liminares judiciais (habeas corpus) no plantão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG. A investigação foi iniciada anteriormente por requisição do Ministério Público Estadual da Comarca de Alpinópolis/MG, que solicitou a PF em Divinópolis a apuração da conduta de um advogado. O esquema funcionava da seguinte forma: Após negociação com os presos interessados, em valores que variavam de 120 a 180 mil reais por pessoa, o advogado suspeito protocolava o pedido em determinado plantão do TJMG onde estaria trabalhando outro envolvido, com o auxílio de um intermediário. O requerimento era feito no plantão para burlar a distribuição natural dos processos. Várias pessoas foram presas na operação. Dessas, dois são advogados e o que agia como intermediário e ainda um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), e duas em Ribeirão Preto (SP).
 

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