terça-feira, 28 de Agosto de 2012 09:17h Gazeta do Oeste

Chacina em pagode no Bairro São Geraldo tem origem em onda de assassinatos de 2009

Disputa por pontos de droga é a causa mais provável para a chacina ocorrida no fim da noite de domingo em uma casa de pagode no Bairro São Geraldo, na Região Leste de Belo Horizonte, que resultou em quatro mortes e ferimentos em quatro pessoas, em mais um capítulo da guerra de quadrilhas na região que já dura quatro anos. Por pouco o tiroteio não se transformou numa tragédia, pois na hora do crime cerca de 120 frequentadores estavam no local.

 

 

De acordo com o relato das testemunhas, pouco depois das 23h dois homens armados chegaram ao Restaurante Viola Encantada, na Avenida Itaité, 117, e se identificaram como policiais. O primeiro a entrar, armado com uma pistola, se dirigiu à mesa onde estava Vítor Leonardo dos Santos Souza, de 28 anos, e atirou várias vezes contra ele, que morreu na hora. A vítima tinha várias passagens pela polícia e entre seus crimes está um homicídio.

 

Em seguida, o segundo atirador apontou uma submetralhadora 9mm, de fabricação espanhola, e disparou várias rajadas contra as pessoas que estavam na casa noturna, matando Mara Lúcia da Silva, de 28, e Cezar Augusto dos Santos Brito, de 28. Em meio ao pânico, os assassinos saíram correndo e tentaram fugir em uma motocicleta. Na saída, a dupla foi surpreendida por duas guarnições do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) que faziam a ronda na região. Houve troca de tiros com os policiais e um dos assassinos, Rodrigo Luiz Marques Cerqueira, de 22, que estava na garupa da moto, foi morto pelos militares. O outro conseguiu fugir. Um terceiro homem, que dava proteção à dupla, também escapou.
O homem morto pelos militares já havia sido condenado por roubo de veículo e era foragido da Penitenciária Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, de onde saiu em 26 de agosto do ano passado beneficiado pelo regime semiaberto. Quanto aos dois cúmplices que conseguiram fugir da PM, eles foram identificados como Peter e Luizinho e teriam envolvimento na briga de traficantes da região.

 

 

O tenente-coronel Marcelo Vladimir, comandante do Gate, informou que os militares que atiraram contra Rodrigo Luiz foram detidos e estão à disposição da Justiça Militar. “Eu fui ao local onde ocorreu a troca de tiros para entender a dinâmica dos fatos e tudo indica que eles agiram para se defender. Vamos reunir todo o levantamento e encaminhar à Justiça Militar. Por enquanto eles ficam no Gate, aguardando os depoimentos”, diz o comandante.

 


Momomentos de terror

 

 

O tenente reformado PM Eduardo Peixoto, dono do restaurante onde tudo ocorreu, estava no local na hora da confusão e disse que o desespero tomou conta dos fregueses e funcionários da casa. “Os dois afirmaram que eram policiais e mandaram os porteiros saírem da frente. Inicialmente ouvi o barulho e imaginei que alguém poderia ter soltado uma bomba, por causa do jogo entre Atlético e Cruzeiro. Mas logo depois vi um homem atirando em outro com uma pistola”, contou a testemunha.

 

 

Ele acrescentou que o segundo homem, que carregava a metralhadora, também atirou contra a vítima, já caída, e em seguida girou a arma e disparou contra as pessoas. "Foi um verdadeiro terror. Pedi para que todos se abaixassem, para evitar o pior. Mesmo escondido, pude ouvir mais tiros. Depois, vi as pessoas feridas". Desanimado, o militar reformado afirmou que nunca teve um problema no restaurante, inaugurado há quase dois anos, e não sabe se manterá o negócio.

 

 

Entre os feridos no tiroteio, Eloá Alves de Oliveira, de 22, está em estado muito grave no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII e respira com a ajuda de aparelhos. Carlos Martins Dias, de 29, recebeu alta. No Hospital Odilon Behrens estão Otávio Henrique Caldas, 29, ferida no tórax, e Kelly Pipper de Souza, 25, baleada na coxa esquerda. A Polícia Civil está investigando se as vítimas foram atingidas acidentalmente ou tinham alguma relação com o alvo inicial dos atiradores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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