quinta-feira, 19 de Maio de 2011 09:15h Atualizado em 19 de Maio de 2011 às 09:23h. André Bernardes

Combate à exploração sexual de crianças:

Padastro é suspeito de abuso sexual em criança de 9 anos

Ontem foi comemorado o Dia Nacional de Combate a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a reportagem da Gazeta acompanhou a Polícia Militar na investigação de dois casos de suspeita de abuso sexual infantil dentro da própria família.

 

 

A PM investigou ontem, durante todo o dia, duas denúncias de supostos abusos contra crianças. No bairro Interlagos, uma mulher denunciou o tio de 43 anos, por ter exibido as genitálias para o filho de seis anos. O caso aconteceu no domingo, em um almoço da família, porém a criança só relatou o fato na segunda-feira. Nossa reportagem esteve na casa do suspeito, mas ele não se encontrava. Como não foi feito um flagrante e não existem provas, a polícia não pode prendê-lo.


A mãe do suspeito, que preferiu não se identificar, disse que o filho é usuário de drogas, mas não tinha conhecimento de casos de pedofilia e que só ficou sabendo do caso ontem pela manhã. “Meu filho ainda não sabe o que está acontecendo. Vamos conversar com ele e o que a mãe da criança quiser fazer é o direito dela” disse.


Outro caso que está sendo investigado aconteceu no bairro Maria Peçanha. Durante uma reunião de vizinhos na última sexta-feira, uma moradora do bairro contou para a polícia, que uma menina de nove anos estava sendo molestada pelo padrasto. A vizinha tirou a menina de casa e um Boletim de Ocorrência foi feito, porém o suspeito fugiu.


Nossa reportagem esteve no bairro. A vizinha não quis se identificar, mas relatou que ficou sabendo dos abusos pela filha mais nova que é amiga da vítima. “Ela contou para minha filha de sete anos e minha filha veio me contar. Eu fui aprofundando no caso e a mãe dela nunca deixou chegar perto da menina. A minha filha disse, que a amiga dela estava sangrando, foi quando eu fui até a casa dela pra saber o que estava acontecendo” disse.


A moradora foi até a casa onde aconteciam os crimes e conversou com a menina, que ficou com medo de contar o que acontecia com ela. A vítima depois relatou que sofria os abusos há muito tempo. Ela relata que o suspeito a machucou e colocou um papel higiênico em sua roupa íntima para não sujá-la.


Existem suspeitas que a mãe sabia do acontecido. A vítima ficou na casa da vizinha por dois dias e não foi visitada pela mãe. Nossa equipe procurou R. C. M. que é mãe da criança, ela disse que não pode sair de casa, pois não tem para onde ir. Ela afirma que não notou alterações no comportamento da filha e que se preocupa com a garota. “Eu não quero ficar sem ela, mas não posso ficar sem a casa. Ela contou pra minha vizinha, pois ela tinha medo de contar pra mim e o padrasto bater nela e em mim” disse. No momento em que nossa reportagem estava no local, a vítima estava sendo submetida a exames periciais e a mãe desconhecia o fato, perguntada sobre onde a filha estava, disse que a criança se encontrava na casa da vizinha.


Encontramos com a criança na delegacia acompanha por outra vizinha, a garota estava visivelmente abatida, ela contou que vinha sofrendo os abusos desde 2007 e que o suspeito lhe recompensava com balas e moedas. “Em 2007 ele começou fazer coisas comigo. Eu não contei pra minha mãe porque ele falava que ia me bater. Ele me dava bala quando eu ficava com ele. Quando eu conheci a minha vizinha eu quis contar pra ela. Ele andava pelado dentro de casa e me tocava. Quando eu estava dormindo ele mexia comigo” lembrou chorando.


O subtenente Teodoro orienta aos pais que fiquem atentos ao comportamento dos filhos e que não tenham medo de denunciar os abusos. “A criança muda de comportamento e como é um fato que ocorre geralmente dentro da família as pessoas não acreditam que acontece e às vezes a criança procura pessoas de fora da família. Às vezes as crianças têm medo de contar, pois elas são ameaçadas” disse. O subtenente recomenda que estes casos sejam denunciados pelo 190 ou pelo 181. A identidade do denunciante será mantida em sigilo.


Até o fechamento da edição nenhum dos suspeitos havia sido encontrado.
 

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