segunda-feira, 6 de Maio de 2013 08:39h Erik Ullysses

Combate aos furtos em construções de Divinópolis mobiliza empresários

Combate aos furtos em construções de Divinópolis mobiliza empresários

Os crimes contra o patrimônio registraram um grande crescimento no mês de março em Divinópolis quando comparado com o mesmo mês do ano passado. Enquanto em março de 2012 foram registradas 46 ocorrências, este ano foram contabilizadas 104 ocorrências. No acumulado dos três primeiros meses deste ano foram registrados 249 ocorrências, no mesmo período de 2012 foram feitas 178 ocorrências. Os crimes contra o patrimônio são furtos, roubos, apropriação indébita e estelionato. Um dos crimes mais comuns registrados em Divinópolis são os furtos em construções.


Os materiais mais furtados em construções são motores de betoneiras e outras máquinas de pequeno porte, já que são mais fáceis de carregar. O grande número de furtos vem preocupando os responsáveis por obras na cidade, bem como os proprietários de lojas de aluguel de máquinas de construção. Geraldo Barros, proprietário de uma dessas lojas em Divinópolis, contou que a onda de furtos na cidade mobilizou a todos os que estão envolvidos com construções na cidade, motivando a criação de um abaixo-assinado. Segundo ele, o objetivo da medida é cobrar das autoridades da cidade maior agilidade nas investigações dos furtos e um maior policiamento nessas áreas. “Tem um abaixo assinado que está sendo feito em Divinópolis e quem quiser assinar, nós estamos montando uma central de assinatura nas lojas da G Máquinas. Qualquer pessoa que for vítima de roubo ou furto e quiser participar do abaixo assinado é só procurar a loja na avenida JK, 2098, para que se manifeste através deste abaixo-assinado. Em seguida vamos encaminhá-lo para as autoridades competentes, para que procurem melhorar este trabalho de investigação” assegurou o empresário.


De acordo com Geraldo Barros, os criminosos agem normalmente em dupla e não deixam rastros, o que dificulta na iniciação dos trabalhos de investigação. Ele afirmou que praticamente todo dia ao menos uma construção é furtada na cidade. “Todo dia tem um sendo roubado em Divinópolis.

Raramente eu escuto alguém falando que foi ressarcido do bem que foi furtado. Então, o que a gente está cobrando das autoridades é mais empenho nas investigações, descobrir quem está comprando estes equipamentos roubados e coibir este tipo de ação. Porque infelizmente, não é toda construção que tem condições de colocar um sistema de segurança nas obras. Principalmente as pequenas obras aí da periferia que são mais visadas” desabafou. Ele contou que muitas obras utilizam câmeras de segurança, contratam empresa de vigilância, dentre outros mecanismos de segurança que acabam encarecendo o preço do imóvel.


Outro fato que complica ainda mais as investigações é que muitas vezes os próprios funcionários das obras são os autores dos furtos. Por conhecerem o funcionamento da obra e o esquema de segurança ele próprio furta ou avisa a um comparsa como deve agir. O empresário explicou ainda que existem duas formas de furto. Além do criminoso clássico, que entra na obra e leva os equipamentos, tem aqueles que alugam máquinas em uma locadora e não devolvem, configurando apropriação indébita.


Para Geraldo, os materiais roubados são vendidos por um valor bem abaixo do valor de mercado. Motores de betoneiras, por exemplo, custam cerca de 500 reais, mas são vendidos, segundo Geraldo, por 20 ou 30 reais no mercado negro. O dinheiro das vendas destes produtos furtados seria utilizado então pelos criminosos para comprar entorpecentes, principalmente crack. “Quem compra acredito que não saiba de onde vem estes materiais. Se montar um cerco policial em cima disso aí, com certeza vai coibir estas ações, vão intimidar os ladrões. O problema é que eles vão em um e estes compram, vão em outro e estes compram. Se eles estão roubando é porque alguém está comprando. E eu recomendo para ninguém comprar e se comprar peça a nota fiscal, se for um equipamento mais antigo, peça referência. Por que uma pessoa que oferece uma máquina que vale 500 por 30 reais, é porque com certeza é roubado. Ninguém em sã consciência faz isso. Tem que ter uma maior investigação da polícia” concluiu.

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