sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014 05:07h Atualizado em 24 de Janeiro de 2014 às 05:10h. Luiz Felipe Enes

Comerciantes do Centro estão preocupados com a falta de segurança

Trabalhadores questionam presença da polícia, que diz fazer alterações no policiamento da região

Alguns comerciantes da região central de Divinópolis tem ido trabalhar pela manhã com uma grande dúvida. Será que meu estabelecimento foi invadido? O questionamento é feito por pessoas que trabalham entre a rua Pernambuco e a avenida Getúlio Vargas. Nesse ponto da cidade, segundo comerciantes, a prática de furtos durante a madrugada tem tirado a tranquilidade de quem espera que o dia de trabalho só termine bem.
As ações criminosas dentro de bares, restaurantes e lojas do Centro tem causado indignação nos trabalhadores. Eles questionam a ausência de policiamento, principalmente durante a madrugada, horário predileto dos criminosos para praticar os furtos. Uma gráfica situada à avenida Getúlio Vargas foi arrombada pelo mesmo suspeito duas vezes em apenas uma semana.
O proprietário do estabelecimento, José Wilson Teixeira conta que o rapaz invasor não se intimida nem com a presença das câmeras de vigilância, existentes no local. Elas registraram as duas vezes que o suspeito arrombou a gráfica. “Está bem constante esses furtos nos comércios da região. Aqui na gráfica fora duas vezes, uma nas vésperas de natal e outra pouco antes do ano novo. Arrombaram as portas, quebraram os vidros e levaram computadores”, disse com indignação.
Na ocasião do furto, o dono da gráfica registrou o boletim de ocorrência nas duas invasões e as imagens foram repassadas à polícia, no intuito de localizar o suspeito, mas ele ainda não foi preso. Aproximadamente 15 metros da gráfica, no último ponto de ônibus da rua Pernambuco fica um bar. O proprietário de lá também está receoso com furtos, só que o homem visto invadindo o local foi mais ousado.
O suspeito, alto, moreno, de aproximadamente 1,70 de altura entrou pelos fundos do bar e até as roupas do dono foram levadas. “Nesse dia ele [suspeito] havia entrado em uma loja aqui do lado e depois entrou pelos fundos do bar. Quebrou a fechadura da porta, invadiu o depósito e levou os produtos que estavam no estoque, sem contar que ele vestiu minhas roupas. De um tempo pra cá, em menos três meses esta foi a quarta vez que invadiram aqui”, declara o comerciante Deivison Lourenço Magalhães.
Mas foi só subir parte da rua Pernambuco, entre as avenidas Getúlio Vargas e 1° de Junho para encontrar outro comerciante cansado com as invasões, principalmente ao restaurante em que trabalha. Segundo ele, somente em dois meses, o restaurante foi arrombado 11 vezes. Ronan da Silva trabalha há sete anos e diz que se tornou rotina os arrombamentos a estabelecimentos daquela área.
“Está cada vez mais comum isso por aqui. Eles levam é o que ver pela frente. Se não houver nada, eles chegam dentro do local e bagunçam tudo. A realidade aqui é que não temos segurança nenhuma, só que nosso medo é que a situação piore, principalmente pelo risco de assalto à mão armada”, enfatiza. Na ocasião, o comerciante acionou a PM, mas segundo ele, as viaturas demoraram a chegar ao local. Na mesma rua, há 450 metros existe uma Companhia da Polícia Militar, e todos os trabalhadores da região cobram mais presença Militar pela região, principalmente à noite.

 


AÇÃO POLICIAL
A Polícia Militar foi procurada para se posicionar sobre as queixas dos comerciantes, sobre a ausência de policiamento e demora no atendimento das ocorrências. Por meio de uma nota a PM informou que vem realizando diversas ações e operações policiais na cidade. A Polícia disse que a operação “Férias Seguras” está sendo desenvolvida em toda a cidade, inclusive nas áreas comerciais.
Ainda de acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Militar de Divinópolis, desde o segundo semestre de 2013, 86 operações Batidas Policiais foram realizadas na região central. Nesse período, 36 suspeitos de arrombamentos foram presos e quatro menores apreendidos, todos envolvidos em arrombamentos a lojas, no Centro da cidade.

 


ORIENTAÇÕES
Segundo a PM, o policiamento será intensificado na região, inclusive com o patrulhamento e visita do comando policial aos estabelecimentos alvo dos criminosos. De acordo com a polícia, os comerciantes poderão ir a 53° Companhia de Polícia Militar, a mesma que fica a 450 metros dos estabelecimentos invadidos e repassar aos militares informações sobre a prática de delitos nos comércios vizinhos.
Algumas dicas também são repassadas pela PM, como a instalação de alarmes, aumento na segurança de portas, janelas e telhados, assim como o diálogo e a troca de informações com vizinhos e outros comerciantes, para que todos possam ficar atentos e acionar o 190 em caso de invasões ou tentativas de furtos.
Os comerciantes do Centro agora vão esperar pelas melhorias na segurança e para que a criminalidade diminua. Tem quem pense em ser mais radical, caso a situação não melhore. “Se continuar assim terei que fechar o restaurante”, diz Ronan. O empresário José Wilson afirma que a situação tem que mudar. “Espero resultados, pois infelizmente se continuar com tantos roubos, não dá para trabalhar”, desabafa.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.