quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015 11:00h Pollyanna Martins

Comerciantes dos bairros Santa Rosa e Nações reclamam da falta de segurança

Um comerciante foi assaltado seis vezes no ano passado.

Comerciantes dos bairros Nações e Santa Rosa estão assustados com os assaltos que têm ocorrido na região. Em apenas um ano um bar foi assaltado seis vezes na Avenida Ayrton Senna, no Santa Rosa.
Segundo o proprietário de outro bar, vizinho ao assaltado seis vezes, os crimes são sempre a mão armada e como é fácil estabelecer uma rota de fuga da região, os bandidos ‘fazem a festa’. “Eu já fui assaltado duas vezes aqui. Em uma delas o assaltante ameaçou atirar na minha esposa. Eles falaram ‘mata essa velha aí porque o velho não quer me dar o dinheiro não’. Aí eu entreguei o dinheiro e eles levaram a gaveta, levaram tudo”, relata.
Com medo dos constantes assaltos, o comerciante instalou câmeras no estabelecimento, mas afirma que o problema não foi resolvido. “Aqui fuga é muito fácil, eles [assaltantes] vão para o mato e [os policiais] não acham depois, nunca acharam os que me assaltaram”, lamenta.
O proprietário reclama ainda da falta de policiamento na região e da demora da Polícia Militar em atender as ocorrências. “As viaturas vêm, mas demoram a chegar. O tempo que eles gastam para chegar aqui os assaltantes já estão lá em Cajuru. Aqui está carente de policiamento.”

 

REFÉNS DO MEDO
A avenida é repleta de bares e restaurantes. Em outro estabelecimento, o proprietário, que já foi assaltado quatro vezes no ano passado, optou por não trabalhar mais durante a noite. “Aqui eu fecho 18h. Não tem como eu trabalhar durante a noite porque a minha família trabalha comigo, então eu não vou colocar a vida deles em risco, porque os assaltantes estão sempre armados. Eles chegam de moto e depois somem”, afirma.

 

NAÇÕES
Outro ponto de fuga fácil da cidade, e que tem deixado vários comerciantes assustados, é a Rua Bom Sucesso, no bairro Nações. Segundo a funcionária de uma padaria, o local já foi assaltado quatro vezes no ano passado e não existe um horário mais seguro ou perigoso. “O último assalto que aconteceu aqui foi há uns dois meses, e era de noite, mas nós já fomos assaltados às 6h quando a gente estava abrindo a padaria. Eles [bandidos] estão sempre armados, e fogem ou pela estrada de Cajuru ou pegam aqui o [bairro] Maria Helena, então [a polícia] não consegue pegar depois. Nunca nos chamaram para reconhecer ninguém, nem conseguiram o dinheiro roubado de volta”, conta.

 

POLICIAMENTO
Segundo o capitão do 23º Batalhão da Polícia Militar, Marco Paulo, após a instalação do programa de monitoramento “Olho Vivo” na região central de Divinópolis, já era prevista uma migração dos criminosos para os bairros da cidade. “A simples instalação do Olho Vivo não faz com que a pessoa deixe de viver do crime, o cidadão infrator acaba continuando a praticar o crime, mas ao invés de praticar onde a vigilância está maior ele acaba deslocando para os bairros. A gente está direcionando as viaturas para os bairros, uma vez que nos bairros nós não temos as câmeras”, explica.
Conforme o capitão, a região dos bairros Nações e Santa Rosa é visada pelos bandidos por ter rotas de fuga que facilitam o delito. “Os bairros Santa Rosa e Nações têm duas saídas para Cajuru, tanto na Rua Bom Sucesso, quanto na Avenida Ayrton Senna, isso se ele não deslocar para o Centro da cidade ou outros bairros da cidade mesmo”, afirma.
Quanto à demora em atender as ocorrências, o capitão explica que são estabelecidas prioridades de acordo com as ocorrências. “A gente sabe que a vítima independente do crime que ela esteja sofrendo ela quer atendimento, isso é natural e é direito do cidadão ter este atendimento. Nós temos uma limitação sim, de viaturas e policiais militares, então como as ligações do 190 são várias, a gente acaba estabelecendo prioridades em atender as ocorrências que já estavam em andamento, e logo depois são encaminhadas para as próximas ocorrências”, ressalta.
Questionado sobre o policiamento nos bairros, o capitão garantiu que a Polícia Militar vai dar mais atenção à região. “São locais que a gente tem grande atenção, claro que com a comunidade fazendo este apelo a gente vai ter uma atenção maior, fazer contato com esses comerciantes. Elas também podem direcionar melhor o nosso policiamento, fazendo contato com os policiais e denunciar os crimes no 190 ou 181. Quem sabe de fato que está acontecendo na sua vizinhança é o cidadão e ele deve de fato repassar toda esse circunstância criminal que acontece no bairro”, orienta.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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