sexta-feira, 1 de Agosto de 2014 08:10h Atualizado em 1 de Agosto de 2014 às 08:31h. Aaron Oliveira

Conheça o treinamento dos cães policiais de Divinópolis

A Rocca é um grupo especializado da Polícia Militar que prepara cães para auxiliar em diversos trabalhos, que vão desde busca e apreensão de drogas a terapia com crianças deficientes

Divinópolis conta com um grupamento especial da polícia para o treinamento de cães. As Rondas Ostensivas Com Cães Adestrados (Rocca) preparam o cão desde filhote para exercer uma série de funções. No quartel da cidade existem nove cães de três raças, pastor alemão, pastor belga malinois e labrador.
O cão escolhido para ser policial tem uma média de nove anos de tempo de trabalho. O sargento, Alves, da 7ª Cia. de Missões Especiais da Polícia Militar (PM) em Divinópolis, trabalha há dez anos na Rocca e conta que os cães são treinados para atuar no controle de distúrbios civis, em presídios, e fazem até apresentações para a sociedade.
Os animais são grandes aliados na área de busca de entorpecentes porque possuem faro apurado, e trabalham também no apoio ao cumprimento de mandados de busca e apreensões ou em chamados da PM. Colaboram no patrulhamento preventivo nas ruas da cidade e exercem um nobre papel social na cinoterapia, quando são utilizados no tratamento de crianças com deficiências.
Esse projeto é uma parceria da Rocca com a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). O animal é levado até o local onde são aplicadas as terapias com as crianças, na qual ele se torna um “cão-terapeuta”. “No futuro queremos estar ampliando isso para poder estar atendendo também, com o cão terapeuta, o pessoal do hospital do câncer, querendo também chegar a fazer visitas nos asilos”, revela Alves.

 

 

 

 

Preparação
Para ser um adestrador de cães o policial também precisa ser capacitado, fazendo cursos até em outros estados com o intuito de adquirir a experiência necessária. Os animais chegam para a preparação ainda filhotes e já começa o treinamento de socialização do cão.
O trabalho de imprinting, que é a dessensibilização do cachorro a ambientes, o ato de fazer com que o cachorro aflore os instintos primitivos, é usado para que os policiais utilizem estes instintos em favor da formação do cão para o trabalho policial. Deste modo os policiais sabem definir em qual setor aquele cachorro pode atuar. Os cães são adestrados todos os dias, sendo que as equipes compostas pelos animais e policiais se revezam no patrulhamento e no treinamento.
Assim como nós, os cães também vão acumulando o estresse. Para relaxar, o sargento conta que um passeio com o animal já ajuda. Uma simples caminhada durante o treinamento é extremamente necessária, explica o sargento. E o cachorro chega a ser comparado a um atleta, de certa forma. Assim como o esportista, o treinamento e alimentação são supervisionados. Durante a preparação, os animais chegam a sofrer contusões, e aí é feito um trabalho de recuperação do cão.

 

 

 

 

 

Mais que um animal, um amigo
O soldado, Barros, que trabalha a quatro anos no canil, explica essa parceria que se transforma em amizade entre homem e cão. “Cada atividade que é desenvolvida, cada conquista que o cão faz, a gente sente ela como nossa também”, afirma.
Dos nove cães do canil, somente um é aposentado. O famoso Max, um labrador, auxiliou na busca de entorpecentes e chegou a fazer a apreensão de traficantes na cidade e na região. Durante os oito anos de operação dele o montante de drogas encontradas pelo cão, convertido em dinheiro, é de cerca R$ 1,5 milhões. Os policias contam que Max foi até ameaçado por alguns traficantes da cidade, pois conseguia encontrar tudo e prender todos.

 

 

 

 

Escalação do time
No canil da Polícia Militar em Divinópolis, oito cães compõem o time dos policiais nas ruas, atuando contra o crime e a favor da população.
• A cadela Jade, da raça labrador, atua no trabalho de cinoterapia.
• A cadela Fani, também da raça labrador, atua no trabalho de faro e busca de entorpecentes.
• O cão Thor e a cadela Ninfa, da raça pastor belga de malinois, trabalham no faro e busca de entorpecentes.
• Boss e Astor são ambos pastores alemães do policiamento ostensivo, cães utilizados para o controle de distúrbios civis, atuação em presídios, policiamento em campo de futebol, patrulha da Rocca e apresentações. “Um cão que, literalmente, se for necessário, a gente utiliza para morder”, pondera Barros.
• O cão Mamute, outro pastor belga de malinois, é utilizado na busca e captura de indivíduos em ação ilícita em mata. Ele vai atrás do indivíduo e efetua a mordida, que é chamada de mordida de imobilização, ao mesmo tempo faz o trabalho de patrulhamento.
• E o mais novo cão da companhia, o Unúmu, um pastor belga de malinois, está sendo treinado para exercer a mesma função do Mamute, busca e captura de suspeitos em matagal.

 

 

Crédito: Aaron Oliveira

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