segunda-feira, 15 de Setembro de 2014 06:45h

Coronel diz que policiar o Alemão é difícil, mas trabalho continuará

O coordenador-geral da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), coronel Frederico Caldas

O coordenador-geral da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), coronel Frederico Caldas,  disse que as forças de segurança tomam medidas enérgicas todos os dias para combater o tráfico no Complexo do Alemão, mas reconheceu que é uma área difícil de patrulhar devido à extensão da comunidade. Além disso, ele informou que os criminosos utilizam smartphones para mandar informações sobre a movimentação policial.

“Cada beco e cada viela daquela é uma ameaça para o policial. A gente tem ocupado esses pontos, mas, de certa maneira, os marginais também se movimentam e acaba sendo um desafio para todos nós monitorar essa movimentação. Eles mesmo utilizam estratégias de monitoramento da movimentação dos policiais através de WhatsApp, por exemplo. Há muitos jovens nas comunidades dizendo para onde vão os policiais e quantos são. De certa maneira, os marginais também estão monitorando a movimentação dos policiais”, disse após o enterro do comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, capitão Uanderson Manoel da Silva, hoje (12), no Mausoléu da Polícia Militar, no Cemitério Jardim da Saudade, na zona oeste do Rio.

O coronel disse que o desafio agora é identificar e prender os traficantes envolvidos no conflito que provocou a morte do capitão. Ele garantiu que a intervenção no local vai continuar com  o trabalho de 300 agentes das quatro unidades instaladas no Alemão, de integrantes do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e apoio da 45ª Delegacia de Polícia, que funciona no complexo.

O coronel admitiu que o uso de granada pelos criminosos, como ocorreu ontem, é mais uma preocupação para as forças de segurança. “É um artefato de grande impacto, que pode provocar mortes e lesões muito graves e já é o segundo episódio recente. É um desafio ainda maior”, disse.

Segundo Frederico Caldas, o contato com os moradores e com quem trabalha nas comunidades pacificadas mostra a importância que as UPPs têm atualmente para estes locais. “Eu não creio que as pessoas de bem, que moram ou trabalham nas comunidades, queiram o fim das UPPs”, analisou. Frederico Caldas pediu que os moradores também colaborem fazendo denúncias e entendendo que, para eles, isso pode representar “a paz definitiva”.

O comandante-geral da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro (PMERJ), coronel Luiz Castro, que também compareceu ao enterro, informou que a instituição tem trabalhado de forma constante no local, aumentando o efetivo e usando a inteligência, mas acrescentou que é preciso ter a clareza de que os criminosos não vão largar as armas de uma hora para outra só porque a polícia está na comunidade. “É um processo é duro, mas a gente tem certeza de que está no caminho certo e a continuidade desse trabalho vai trazer a paz naquela região”, disse.

O comandante defendeu uma legislação mais severa para os criminosos. “Defendo a ideia de que o endurecimento das leis, ou com uma pena mais severa quando um marginal escondido espera um policial militar passar para que possa alvejá-lo e ser promovido no mundo do tráfico. Penso que ele tem que ter uma pena mais severa ou perda de alguns direitos, como a progressão do regime, para que ele pense antes de puxar o gatilho”, disse.

O capitão Uanderson Manoel da Silva morreu ontem (11) após ser atingido por um tiro no peito, em confronto com criminosos na localidade do Largo da Vivi, na comunidade de Nova Brasília, no Complexo do Alemão. O capitão foi socorrido na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Alemão e de lá, transferido às pressas para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu ao ferimento.

De acordo com o coordenador, o capitão Uanderson Manoel da Silva tinha uma experiência operacional muito grande com histórico de conflitos e enfrentamento. "Embora tenha assumido o comando recentemente, ele já estava como subcomandante [o capitão trabalhava no local há três meses]. Esse gesto de coragem, no sentido de salvar os seus policiais que estavam trocando tiros com os marginais, expressa a devoção que ele tinha com o trabalho do Policial Militar”, disse o coronel.

 

 

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil

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