quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015 09:17h Atualizado em 23 de Dezembro de 2015 às 09:19h. Pollyanna Martins

Coronel Laércio Reis faz balanço do ano no comando da 7ª Região da Polícia Militar

Prestes a deixar o comando da região, o comandante agradece a toda equipe que trabalhou ao seu lado

Após dez meses no comando da 7ª Região da Polícia Militar (RPM), o Coronel Laércio Reis fez um balanço do trabalho realizado durante este tempo. O Comandante, que assumiu a 7ª Região em fevereiro deste ano, está prestes a se aposentar, e deixar o cargo, e atribui o sucesso do trabalho desenvolvido na região à equipe com que trabalhou neste período.
Durante uma entrevista exclusiva ao Gazeta do Oeste, o coronel revelou ainda que é muito rigoroso com as questões internas da Polícia Militar (PM). “Não posso falar que somente eu fiz as coisas acontecerem, foi uma equipe, que eu falo com muita franqueza, nós temos uma das melhores equipes da Polícia Militar do estado. Aqui a gente não tem problema, a gente não tem desvio de conduta grave, nós temos algumas questões que acompanhamos. Eu sou bastante rigoroso em questões internas da Polícia Militar. Hierarquia e disciplina são pressupostos indiscutíveis”, frisa.
O Coronel comanda, até 31 de dezembro, 50 municípios da região Centro-Oeste. Apesar de um policial militar ter sido expulso da corporação na última sexta-feira, suspeito de estar envolvido com uma quadrilha que explodia caixas eletrônicos na cidade, o comandante ressalta que a corregedoria da 7ª região foi estruturada e todas as cidades sob o seu comando foram visitadas para orientar aos comandantes que estivessem presentes para acompanhar as atividades dos policiais militares. “Isso foi feito para que nós tivéssemos o mínimo de problema neste sentido de desvio de conduta”.

 

IMPUNIDADE
Quando assumiu o comando da 7ª Região, o Coronel frisou que um dos maiores problemas que dificultavam o trabalho da PM era a impunidade. Mais uma vez, o comandante frisou este pensamento. “Do geral para o específico, infelizmente nós temos situações que assolam o Brasil de uma forma geral. Eu sou muito claro nos meus pensamentos, nas minhas convicções, porque já tenho experiência, de labuta nesta área de segurança pública há 30 anos, nós temos no Brasil situações gravíssimas, que repercutem diariamente na vida da população, uma impunidade terrível. A lei penal, a legislação penal é muito frouxa. O nosso legislador, quem tem obrigação de mudar, não muda, fica inerte”, reclama.
O coronel associa ainda a corrupção da política à criminalidade, e faz críticas à educação que é dada as crianças atualmente. “Esses políticos corruptos estão dando um péssimo exemplo para a população. Eles estão passando a mensagem de que vale a pena ser bandido, ‘eu estou numa boa, com o meu apartamento na praia, a minha fazenda’. Aí um adolescente, que já não tem hoje uma boa criação, que não tem princípios, isso pra ele é muito fácil de ser copiado”.

 

PLANEJAMENTO
Um dos focos de trabalho do Coronel era diminuir a violência em Nova Serrana. Em entrevista ao Gazeta do Oeste no dia 28 de fevereiro, o comandante afirmou que o foco de trabalho seria Divinópolis e Nova Serrana, atendendo as maiores necessidades de cada município. O coronel acredita que o crescimento de Nova Serrana foi desorganizado e que isto terá resultados a longo prazo. “De dez anos pra cá dobou a população de Nova Serrana, mas como que nós vamos receber essas pessoas? Moradia, entretenimento, educação, saúde, o município estava em uma situação econômica muito boa, mas e o planejamento para este crescimento? Os governantes não fazem planejamento para este crescimento, e aí nós vamos ter situações de desigualdade social, que vão ter repercussão”, enfatiza.
Conforme o coronel, uma parceria entre empresas e a Polícia Militar é fundamental para que as companhias não contratem criminosos. Para o Coronel, ainda há muitas ações para serem feitas voltadas para o povo, pois o desenvolvimento social está ligado diretamente à segurança. “Por que não se faz um planejamento, chama a Polícia Militar e diz assim ‘olha, eu estou trazendo 100 trabalhadores este mês, vocês vão me ajudar a pesquisar a ficha desse pessoal’? Depois que esse pessoal chegasse aqui nós iríamos fazer uma palestra para eles, dar orientações para eles sentirem firmeza nas ações da PM. Se nós não tivermos segurança, nós não teremos desenvolvimento”, pontua. 

 

AUMENTO NA VIOLÊNCIA
De acordo com dados da Secretaria Estadual de Defesa Social (SEDS), o número de homicídios aumentou em Divinópolis. Em 2014, foram registrados pelo órgão 23 homicídios. Até outubro deste ano, já foram registrados 25 assassinatos, mas segundo o comandante, já são 30 homicídios em 2015. Os crimes violentos contra o patrimônio também registraram aumento. Em 2014, a secretaria registrou 1707 roubos consumados, enquanto até outubro deste ano, já foram registrados 1617. O Coronel afirma que esta é umas das preocupações da Polícia Militar. “Uma das minhas metas é o combate ferrenho ao tráfico de drogas. Infelizmente, em Divinópolis nós temos conflitos entre gangues de marginais, a maioria desses homicídios está ligada a esta questão do envolvimento das pessoas com o mundo do crime, especialmente com o tráfico de drogas e a essa rivalidade dessas quadrilhas. Quando a polícia coloca a mão nesses criminosos, rapidamente eles estão soltos”, enfatiza.
O comandante da 7ª Região, afirma que já foram identificados suspeitos de envolvimento nos crimes. “É uma rivalidade tremenda ‘ah, você matou o integrante da minha quadrilha, então nós vamos vingar e matar um integrante da sua’. E nós tínhamos que estancar essa situação, e conseguimos, em um trabalho conjunto, ações muito positivas”. O Coronel ressalta ainda que o número dos homicídios em Divinópolis em 2015 é abaixo do número do estado, e que em 2012, o índice foi maior. “No ano do centenário de Divinópolis, nós tivemos mais de 40 homicídios, e eu devo salientar que naquele período, a população de Divinópolis é menor do que é hoje. Eu não comemoro isso, mas é uma realidade de diminuição de 2011, 2012 pra cá”, pontua.

 

PREOCUPAÇÃO
Um dos crimes que tem preocupado a Polícia Militar de Minas Gerais, segundo o coronel, é o roubo. De acordo com o comandante, a média de crescimento no número de roubos no estado foi de 20%. O coronel detalha que um dos meses mais críticos foi em junho deste ano. Em Divinópolis, o aumento do crime foi de 12% comparado com 2014. “Eu não tenho que comemorar aumento, mas nós estamos com um aumento inferior ao estado de Minas Gerais. Identificada a necessidade de uma atuação militar mais pesada, nós trabalhamos muito. Fizemos muitas operações, apreendemos muito mais armas do que no ano passado, e prendemos muito mais. Não teve praticamente um dia que nós não prendemos um flagrante delito, ou um mandado de busca e apreensão”, frisa.

 

AÇÕES CONJUNTAS
Uma das ações conjuntas que marcou o comando do Coronel Laércio Reis foi a retirada dos usuários de drogas da Praça Candidés, no bairro Niterói. Na época, a Operação Fênix foi realizada em conjunto com a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, o Ministério Público e a Prefeitura de Divinópolis, e 62 usuários de drogas foram detidos pela PM. O Comandante garante que apesar das dificuldades, em nenhum momento deixou de acionar outros órgãos para garantir a segurança da cidade. “Em momento algum, nós desanimamos ou deixamos de trabalhar. Em momento algum, eu deixei de acionar a Prefeitura quando necessário, ou a Polícia Civil, mesmo quando o eco do outro lado não é naquela medida que eu gostaria, mas não deixamos de fazer. Operações conjuntas foram feitas também com a Polícia Federal. Nós [PM, PC, PF] nos reunimos com o Ministério Público, com os juízes, e é um trabalho silencioso que nós temos que fazer”, salienta.
Emocionado, o comandante faz um agradecimento. “Eu quero agradecer à tropa da Polícia Militar de Divinópolis. A população de Divinópolis pode ter certeza de que eles têm uma das melhores tropas do estado. Fica o meu agradecimento à tropa, à população da cidade e à imprensa local”, conclui. 

 

Créditos: Arquivo GO

Leia Também

Imagem principal

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.