sábado, 12 de Novembro de 2011 07:45h Atualizado em 12 de Novembro de 2011 às 08:04h. Paulo Reis

Crackeiros em novo endereço

Crack, armas e a disseminação da violência amedrontam moradores do bairro Manoel Valinhas. Usuários de drogas têm feito ponte de nova moradia. Pela região eles têm abordado e assaltado diversas pessoas a qualquer hora do dia e da noite

Depois de inúmeras ligações dos moradores para a produção da Gazeta do Oeste uma de nossas equipes esteve no bairro Manoel Valinhas para conferir se as denúncias tinham fundamento.


Durante dois dias e em horários variados passamos pelas ruas e principalmente no viaduto que liga a avenida JK ao início do Manoel Valinhas. Nestas rondas pudemos constatar a presença de homens e mulheres abordando pessoas.


De acordo com informações, algumas pessoas que foram retiradas do antigo Carrapateiro, nas imediações da ponte do bairro Niterói, por meio de uma ação coletiva dos órgãos de segurança do município, estariam fazendo de moradia uma parte debaixo do viaduto.
No local encontramos roupas, vasilhas, marcas de fogo e por incrível que pareça até enfeites de natal. Registramos a presença de uma mulher dormindo num dos vãos que se abre na lateral da ponte, que fica do lado do bairro Manoel Valinhas.


Nós abordamos também algumas pessoas que confirmaram a sequência de assaltos e pedidos de esmola no local. A tranquilidade segundo uma das moradoras do bairro se tornou artigo de luxo depois que apareceram estas pessoas por lá. “Antigamente atravessávamos a ponte com muita paz à qualquer hora e podíamos ficar em frente as nossas casas sem ser importunados pelos andarilhos” reclamou.


Um senhor morador da rua Belvedere, que também preferiu não se identificar, reforçou que dos dois lados da ponte existem campos de futebol que na maior parte dos dias e principalmente finais de semana ficam cheios de crianças. Como a entrada de um dos locais onde ficam os andarilhos e usuários de drogas fica em um destes campos, as crianças por consequência podem se tornar vítimas destes infratores.

 

 

AÇÃO NO MANOEL VALINHAS

 

Na edição 1694, da Gazeta do Oeste, veiculada no último dia 07 deste mês, nossa equipe divulgou uma apreensão realizada por meio de uma denúncia anônima na noite do dia 04. Nesta ronda realizada próximo ao viaduto os militares se depararam com M.M.A., de 23 anos, D.N.M. de 28 anos e I.F.O. de 21 anos. Com os três foi encontrado um revólver calibre 32. O jovem de 21 ainda foi reconhecido por uma testemunha como sendo o autor de um assalto ocorrido a um estabelecimento comercial da região do próprio bairro.

 

 


AS DROGAS NO ESTADO

 

A droga é um problema enfrentado por quase 90% dos municípios mineiros. O crack aparece na pesquisa como o principal entorpecente consumido em cerca de 75% das cidades do Estado, que está em 12º no ranking nacional. O estudo foi feito em 4.400 das 5.563 prefeituras do país.


A projeção do crack na saúde pública foi o campeão das respostas entre as prefeituras mineiras. Das cidades ouvidas, 44,5% disseram que o consumo de drogas tem provocado intensos problemas na rede de atendimento.
Enquanto os números relacionados ao crack demonstram o crescimento do problema, as políticas públicas de enfrentamento aparecem com dados negativos. Apenas 30 cidades mineiras, ou seja, 3,9% afirmaram oferecer os serviços dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), programa que é responsável pelo tratamento de usuários de drogas. Entre as cidades entrevistadas, 219 não possuem o programa uma marca 29% .


O subsecretário de Políticas sobre Drogas de Minas, Cloves Benevides, admitiu que ainda existe uma deficiência no atendimento aos usuários no Estado, mas acredita que os programas lançados recentemente pelo governo, como o Aliança pela Vida, irão começar a mudar essa realidade. Segundo ele, no próximo ano o Estado irá financiar 20 novos Caps.

 

 

O subsecretário explicou ainda que a primeira medida preventiva que os municípios devem tomar é a criação do Conselho Municipal Antidrogas, conhecido como Comad, que, segundo uma pesquisa, está presente em apenas 17,9% dos municípios do Estado. "Com a falta de incentivo federal e estadual, as prefeituras, que estão na ponta do atendimento, sofrem as consequências da falta de prevenção", destacou o presidente da Conselho Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkolski.

 


POLÍTICAS PÚBLICAS

 

 

No ano de 2010, dos mais de R$ 124 milhões autorizados para a Gestão da Política Nacional sobre Drogas, o governo federal pagou pouco mais de R$ 5 milhões. Em 2011, a situação não se alterou. Na Lei Orçamentária Anual, estavam permitidos pouco mais de R$ 33 milhões para o enfrentamento do problema, mas o governo pagou apenas R$ 4,5 milhões.
 

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