sábado, 17 de Novembro de 2012 05:31h Gazeta do Oeste

Depois do temporal, comerciantes e moradores precisam fazer faxina

Depois do susto da noite de quinta-feira, faxina e contabilidade de prejuízos na manhã de ontem. Pela extensão da operação limpeza, espalhada por toda a cidade, dava para ter noção do alcance dos estragos provocados pela tempestade da noite de quinta-feira. Na Avenida Silviano Brandão, um dos pontos mais atingidos, funcionários de lojas da via que separa os bairros Horto e Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, começaram o expediente com rodos, vassouras, mangueiras e panos de chão nas mãos. Trabalho árduo na tentativa de pôr fim à sujeira que restou do temporal do fim da tarde de anteontem, quando a água invadiu os estabelecimentos. Móveis, mercadorias, carros, computadores e eletrodomésticos ficaram estragados. Ainda sem contabilizar as perdas, comerciantes se queixavam da falta de medidas da prefeitura para evitar os alagamentos. A reclamação era a mesma entre moradores. Alguns tiveram que deixar suas casas às pressas com medo da água. Funcionários da Superintendência de Limpeza Urbana passaram toda a manhã varrendo ruas e retirando lixo que se acumulou após a passagem da enxurrada.

Apesar de não estar na região da cidade mais castigada pela chuva de anteontem – a Leste foi a quinta em acumulado de precipitação, com 69,2 mm entre as 8h de quinta e as 8h de sexta-feira, segundo a Defesa Civil Municipal – ,a Avenida Silviano Brandão se transformou em um verdadeiro rio de água barrenta e lixo no dia da tempestade. Em pouco mais de 20 minutos, carros foram arrastados e a água assustou pedestres.

A desagradável notícia de que a sexta-feria seria um dia difícil chegou por telefone para a dona da loja de móveis Zabdi Interiores, Talita Cristina Rodrigues, de 25 anos, ainda durante a chuva. “Uma amiga me ligou dizendo que tudo estava alagado, desde o cruzamento com a Avenida Flávio dos Santos até a Avenida dos Andradas. Fiquei apavorada. Quando cheguei hoje, o sofá mais caro da loja, de R$ 3,5 mil, estava com a base toda molhada”, contou a empresária ainda sem saber a que horas a faxina terminaria.

Assim como Talita, o comerciante Marco Aurélio Gomes, de 52, ainda não tinha feito as contas do prejuízo. Na loja de móveis dele, a Horto Móveis, camas, berços, estantes e sofás foram atingidos pela água que entrou pelas portas da Avenida Silviano Brandão e também pela parede que faz fundos com a Rua Pouso Alegre. “Só sei que vou ter um prejuízo muito grande. Já estou cansado disso. Todo ano é a mesma coisa. Em toda temporada de chuva perdemos produtos e pagamos a conta da falta de providências.”

Em 2009, a Avenida Silviano Brandão recebeu obras de drenagem na esquina com Rua Felipe Camarão, próximo ao viaduto do metrô. Na época, forma investidos R$ 1,16 milhão para ampliação da rede que recebe água pluvial, na tentativa de resolver os constantes alagamentos. Mas ontem a água subiu quase dois metros no local. “Fizeram uma obra que não foi suficiente para acabar com o transtorno que enfrentamos todos os anos”, critica o comerciante Eustachio de Oliveira, de 75, que tem uma loja de tecidos e aviamentos na Rua Pitangui, na esquina com a avenida. Com funcionárias, ele ontem retirava da loja produtos completamente encharcados. “Vou ver se dá para aproveitar alguma coisa. O que ficar estragado vou tentar vender com desconto de 50% ou enviar para doação.” Não é a primeira vez que ele enfrenta o problema. Em 2008, conta, teve prejuízo de R$ 18 mil com as perdas provocadas pela chuva. O desfalque de ontem ainda não havia sido calculado.

PORTAS FECHADAS Por causa da limpeza, todos os lojistas afetados pelo temporal atrasaram o horário habitual de abertura do comércio. Situação ainda pior enfrentou na loja de sapatos Lilu, na Avenida Gustavo da Silveira, no cruzamento com a Avenida Silviano Brandão. O estoque já vinha sendo reforçado por causa do aquecimento das vendas do fim de ano, e parte dos produtos ficou completamente estragada. Todas as caixas de sapato e meias que estavam no chão foram atingidas pela água, que subiu pelo menos 20 centímetros dentro do estabelecimento.

Até mesmo quem não é da região foi afetado, caso do ambulante Alexandro Duarte Nogueira, de 40, que anteontem trabalhava no Horto vendendo cachorro-quente e bebidas. Com o alagamento, o carro dele foi arrastado. “Trabalhei tanto ontem para ganhar R$ 500 e vou gastar muito mais do que isso para consertar meu carro. Esses alagamentos na cidade são uma vergonha. Não é a primeira vez que isso acontece. É preciso dar um basta.”

Enquanto a solução não vem, a comerciante Neia Guimarães, de 43, prefere se adiantar. Ela, que precisou sair às pressas de casa ontem, com medo da água, garante que vai procurar outro endereço para morar. Está no Horto há pouco mais de um ano e já viu a água subir duas vezes. “O proprietário disse que o problema tinha sido acabado após a obra da prefeitura. Mas parece que a obra não foi bem feita ou não está dando conta. Não quero esperar para ver no que vai dar”, diz.

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