sexta-feira, 15 de Julho de 2016 14:13h Carina Lelles

Detentos do Floramar e acautelados do Centro Socioeducativo podem ficar sem refeições

O Estado está com pagamento atrasado aos fornecedores, que ameaçam deixar de fornecer as refeições

POR CARINA LELLES

carina.lelles@gazetaoeste.com.br

 

Os detentos do presídio Floramar e os adolescentes acautelados no Centro Socioeducativo podem ficar sem as refeições diárias. Isso porque está havendo atrasos no pagamento por parte do Estado, desde abril deste ano, aos fornecedores e as empresas ameaçam suspender o serviço.

O problema não é recorrente somente para as instituições prisionais de Divinópolis. Os detentos de Belo Horizonte e Ituiutaba também correm o risco de ficar sem as refeições. De acordo com os denunciantes, que preferiram não se identificar, a dívida do Estado com as empresas chega a R$13 milhões.

 

 

Sem receber do estado, os denunciantes afirmam não ter como pagar funcionários e fornecedores, acumulando prejuízo. Existem notas abertas desde abril.  “Estou devendo meus fornecedores, funcionários, devo R$ 8 milhões em mercadorias. As concessionárias vão suspender o fornecimento”, garante um dos denunciantes.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), que, através de nota, informou que “a despeito do quadro de dificuldade financeira do Estado, a Seds está pagando este mês (julho) o fornecimento de alimentação de unidades prisionais e de centros socioeducativos referente ao mês de abril, exceto casos pontuais que apresentam pendências devido a ajustes contratuais e problemas na documentação, como atestado de regularidade fiscal das empresas. Há também casos com pendências semelhantes relativas a meses anteriores”.

 

 

 A Seds não informou o valor devido às empresas, mas afirmou que “a fatura do mês de abril da alimentação do Presídio de Divinópolis (Floramar) foi paga. Já a fatura de abril do Centro Socioeducativo de Divinópolis, ainda não foi quitada por causa de pendências na documentação da empresa fornecedora”.

Sobre a possibilidade da suspensão do fornecimento de refeições, por parte das empresas, ao presídio Floramar e Centro Socioeducativo, a Secretaria informa que “contratualmente, a situação atual dos pagamentos não dá direito aos fornecedores de interromper a prestação do serviço”.

 

 

 

A reportagem ainda solicitou o número de detentos no Floramar e acautelados no Centro Socioeducativo, mas a assessoria de comunicação da Seds informou que “por questões de segurança, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) não fornece informações sobre a lotação de unidades prisionais e socioeducativas”.

Essa norma deve ser recente, já que a reportagem nunca teve problemas em ter acesso a tais números. Em setembro do ano passado, quando fizemos uma matéria sobre a lotação do Floramar e Centro Socioeducativo, a secretaria nos informou que no presídio, onde há capacidade para 277 detentos, havia 697 presos. Já no Centro Socioeducativo, onde havia vaga para 47 adolescentes, a lotação era de 63 infratores.

 

 

Crédito: Arquivo GO

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