terça-feira, 17 de Dezembro de 2013 05:15h Luiz Felipe Enes

Detentos do Floramar expõem trabalhos feitos no presídio

Uma parceria feita entre o Estado e uma igreja mostra aos internos a arte como método de refúgio

Ressocializar: Esta é a palavra que se tornou objetivo de vida para alguns detentos do Presídio Floramar, em Divinópolis. A iniciativa entre uma igreja evangélica, presídio e Secretaria de Defesa Social pretende aguçar nos detentos, novos olhares e perspectivas sobre o futuro fora das grades. Em um trabalho que envolve a arte e o poder das palavras, os presos descobrem uma nova forma de esquecer de vez o mundo do crime.
Frases, pinturas, versos e poesias. São algumas opções como essas que levam alguns detentos a explorarem outros campos da imaginação, fugindo daquele velho pensamento de que todo preso só fica por conta de jogar xadrez. No Presídio Floramar de Divinópolis, um projeto realizado pela instituição e a Secretaria Estadual de Defesa Social em parceria com a Igreja Batista Grão de Mostarda pretende mudar a realidade dentro do órgão.
O projeto Caça Talentos no Presídio teve início este ano, e atendeu até o momento, cerca de 50 internos, que cumprem pena por vários tipos de crime. Frases motivacionais, de cunho religioso, esperançosas. O cotidiano e a realidade de vida destes foram expostas por meio de pinturas e textos, retratando o desejo de mudança, com a campanha intitulada “Vem pra Rua com Jesus”.
Pessoas que reservam um pouco do tempo e praticam obras sociais, assim membros da Igreja Batista Grão de Mostarda realizam o trabalho junto aos presidiários. “Nós fazemos parte de uma organização que dá apoio aos necessitados, com assistência espiritual. Queremos mostrar a eles, que todos possuem talento e também mostrar o real valor que cada um possui”, é o que diz o voluntário Sadraqui Maia Lima, membro da Igreja Batista.
Familiares dos detentos puderam acompanhar a exposição dos trabalhos feitos por eles. Nesses momentos, a emoção sempre toma conta de quem tem pouco tempo para visitar os que estão presos. O projeto Caça Talentos no Presídio trata isso de forma mais suave, dando oportunidade ao detento de expor seu trabalho e manter contato com a família.
Segundo o voluntário Sadraqui Lima, o projeto traz novos anseios e esperança aos detentos do presídio, com chances a mais de escolher novos caminhos. “Procuramos passar uma palavra de motivação e conforto aos que estão aqui. Nosso trabalho também se torna uma forma de lazer aos detentos, que tem uma oportunidade a mais de ver os familiares e ocupar a cabeça”, explica.
Todo material produzido pelos presos ficou exposto em um dos pavilhões da unidade prisional. As pinturas, textos e poemas ficaram a mostra para funcionários, familiares, voluntários e para os próprios detentos. E de acordo com os voluntários, os trabalhos realizados dentro do presídio prosseguem. A expectativa é expandir as obras sociais para outras unidades prisionais do Estado.

RECOMEÇO
Para quem cumpre pena no regime fechado, as horas parecem não passar, mas a chegada de um projeto como esse mudou o comportamento de quem permanece no presídio. É o caso de um rapaz de 28 anos, que será identificado por D.N.  Ele já cumpre pena por tráfico de drogas há aproximadamente um ano, e conta que desde a chegada do projeto, muita coisa mudou.
“O projeto me ajudou bastante. Comecei a escrever e desenhar, buscar novos pensamentos e idéias. Dessa vez eu fiz um desenho que representa a luta espiritual, mostrando pontos comuns a pessoas de qualquer religião. Infelizmente o mundo material oferece coisas muito más. Com o tempo se percebe que nem tudo gira em torno dos bens materiais. Agora eu posso acreditar que a reflexão moral e espiritual pode me tornar uma pessoa melhor a cada dia”, comenta esperançoso o detento condenado a sete anos de prisão.
E quem também aposta na iniciativa é o próprio presídio Floramar. Detentos de ambos os sexos tem a oportunidade de participar e desenvolver algumas artes, para a exposição. A diretora do presídio explica que os projetos de ressocialização trazem bons resultados a quem teve mau comportamento antes de ser preso.
“Nesse projeto buscamos valorizar o que os detentos têm de melhor, é o que está ligado à arte e a parte cultural como um todo. Agora eles podem ter outra opção de vida e por meio disso, quando estiverem em liberdade, poderão ver que existem outras saídas que não estejam ligadas ao crime”, afirma a diretora do Floramar, Elisabete Pinheiro Fernandes.
Os idealizadores do projeto informaram que o trabalho continua para a socialização dos detentos. Com uma duração de aproximadamente quatro a seis meses, os presos fazem seus trabalhos, que são expostos para visitação dos parentes ali mesmo, na instituição.

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