sexta-feira, 5 de Junho de 2015 10:19h

Detentos terão loja exclusiva para venda de artesanato em Três Corações

Estabelecimento será aberto devido ao sucesso das peças confeccionadas em ateliê instalado em presídio instalado no município do Sul de Minas

Será aberta ainda este mês uma loja na cidade de Três Corações. Sul de Minas, para vender exclusivamente peças de artesanato produzidas por presos em um ateliê que funciona no Presídio de Três Corações.

Os recursos para a montagem da loja foram assegurados pela Associação pela Solidariedade ao Recuperando (Assolar), mantida pela Vara de Execuções Penais da Justiça local. O dinheiro das vendas será usado para a manutenção do estabelecimento comercial e para a compra de matéria-prima para a confecção das peças artesanais. Atualmente, os insumos são doados por uma empresa parceira.

A aposta na abertura do empreendimento veio do sucesso que os produtos fazem em feiras, exposições e outros eventos públicos realizados no Sul de Minas. Mandalas feitas de folhas de jornal, cortinas de fuxico, jogos americanos, porta guardanapos, sousplat, cestas, panos de prato pintados à mão, luminárias, principalmente.

O trabalho é coletivo. No atelier, 10 presas se dedicam ao acabamento e à montagem, na parte masculina da unidade prisional 30 presos trabalham dentro das celas nas etapas iniciais da produção dos objetos. Eles dobram jornais, enrolam as folhas e fazem protótipos de várias peças.

Com o olhar atento, a artesã Wanda Oliveira circula entre as presas. Graduada no curso Normal Superior, ela se especializou em artes e há cinco anos dá aulas para as detentas “A gente cria um vínculo afetivo com estas pessoas e percebo o quanto a mudança destas mulheres é grande” diz.

Ana Paula da Cunha, 30 anos, trabalha no ateliê há quase dois anos. Segundo ela, a pena de quatro anos de reclusão passou a ser mais leve. “O ateliê me ajuda a desenvolver outras habilidades. Além de ocupar a nossa mente, ajuda a passar o tempo, já que não ficamos ociosas o dia inteiro. Muitas coisa que aprendi aqui vou poder fazer lá fora”, diz a detenta, que está prestes a obter o livramento condicional, acelerado pela remição da pena, que é reduzida em um dia a cada três de trabalho.

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