quinta-feira, 27 de Setembro de 2012 08:47h Gazeta do Oeste

Divergência sobre lavagem de dinheiro esquenta clima no Supremo

Divergências entre os ministros Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, e Ricardo Lewandowski, revisor, marcaram nessa quarta-feira a sessão de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), gerando discussão que não se restringiu aos dois, mas terminou por envolver os demais integrantes da Corte, em três ocasiões. O primeiro desentendimento teve origem no voto do revisor pela absolvição do ex-deputado José Borba (PMDB) da acusação de lavagem de dinheiro, depois de o parlamentar haver sido condenado por ele por corrupção passiva. O revisor defendeu que o recebimento de dinheiro foi um exaurimento do crime de corrupção passiva, o que provocou intenso debate, envolvendo os outros ministros e que durou cerca de 30 minutos.

Os outros embates seguiram o mesmo roteiro, trocando apenas o personagem pelo ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri, acusado dos mesmos crimes. Bastou Lewandowski dizer que tinha dúvidas sobre a responsabilidade do réu para que Barbosa reagisse. O relator da Ação Penal 470 pediu que o colega distribua seu voto impresso antes da leitura, o que foi visto como uma insinuação de que falta transparência ao revisor. A análise hoje ainda é sobre o núcleo político do escândalo do mensalão.

Visivelmente abalado depois da cobrança do relator, Ricardo Lewandowski deu prosseguimento à leitura de seu voto, no qual condenou o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson – deputado à época dos fatos e delator do esquema de pagamento de propinas à base aliada do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva –, por corrupção passiva e também o absolveu da acusação de lavagem de dinheiro. "Tenho como comprovada a participação de Jefferson no recebimento indevido. O réu cometeu o crime de corrupção passiva. Lavagem não restou na espécie, pelas razões já expostas anteriormente, disse. Segundo o revisor, o petebista admitiu que recebeu o dinheiro em espécie do operador e empresário Marcos Valério e não houve por parte dele intenção de omitir ou ocultar os valores. Em sessão anterior, Barbosa condenou Jefferson pelos dois crimes.
 

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