quarta-feira, 21 de Setembro de 2011 09:17h Atualizado em 21 de Setembro de 2011 às 09:24h. Paulo Reis

Divinopolitano é preso em operação da Polícia Federal

A Polícia Federal, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal estão realizando a operação policial intitulada de “GRILO”, que cumpre mandados de busca, apreensão, prisão e seqüestro de bens em vários municípios

A operação começou a partir das 6h da manhã desta terça-feira (20) e envolveu cerca de 85 oficiais. A Polícia Federal, o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal estão realizando a operação policial intitulada de “GRILO”, que cumpre mandados de busca, apreensão, prisão e seqüestro de bens em vários municípios localizados, na região norte do estado de Minas Gerais.


Segundo investigações os suspeitos fazem parte  de uma organização criminosa que vem atuando por vários anos, de forma livre, promovendo o controle ou posse de grandes quantidades de terras públicas que são vendidas à mineradoras, que fazem a exploração de jazidas de minério de ferro, estimada em 10 bilhões de toneladas.


Para o sucesso do golpe, diversos crimes têm sido cometidos como: falsificação de documentos públicos e particulares, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, e lavagem de dinheiro.


As terras situadas ao norte do estado são valorizadas em razão da corrida do ouro ou do minério de ferro que se consolidaram nesta área, e como consequência se tornaram produtivas para constantes atividades especulativo-criminosas controladas por um número desconfiável de grupos liderados por determinadas mineradoras, empresas de exploração florestal, Cooperativas de Silvicultores e manipuladores de terras que se passam por corretores de imóveis com surpreendente e rápido destaque no mercado.


Todo o esquema tem a colaboração de servidores públicos vinculados à Autarquia Estadual (ITER/MG) que legitimavam a posse de terras devolutas por “laranjas”, que nunca tinham sido donos ou controladores de terras da região. Na sequência, outra operação fraudulenta era concretizada, o proprietário vendia o referido título a pessoas físicas ou jurídicas intermediárias que, negociavam a terra com grandes mineradoras a preços muito superiores ao real.


De acordo com dados do ITER/MG, os municípios de Rio Pardo de Minas e Indaiabira, entre os anos de 2007 e 2010, ficaram responsáveis por 15,57% dos títulos distribuídos em Minas Gerais, sendo que somente Rio pardo de Minas foi responsável por 12,85%.


Para se ter uma idéia do rombo, até o momento, uma das mineradoras investigadas comprou, e fez o pagamento de uma só vez, diretamente aos grileiros, a quantia de R$41.000.000,00 por grandes extensões de terras.


Ao todo foram expedidos pela Justiça Estadual de Minas 22 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão temporária, e o seqüestro de R$41.000.000,00. Além dos municípios localizados na área de cobertura da Delegacia Federal de Montes Claros que compreendem Rio Pardo de Minas, Salinas, Serranópolis de Minas, Taiobeiras, Janaúba e Curvelo; Belo Horizonte, Oliveira e Divinópolis também serão investigados.

 

 

DEPOIMENTOS

 

Em Montes Claros estão prestando depoimento na sede da PF o diretor do Iter-MG, Ivonei Abade, ex-prefeito de Janaúba de 2000 a 2008 e suplente de deputado estadual, preso em um hotel da cidade; Evandro Carvalho, responsável pelo Iter  em Rio Pardo  de Minas; Maria Nilza Barbosa, do Cartório de Imóveis de Rio Pardo de MIna; Breno Rodrigues Mendes, engenheiro florestal em Taiobeiras; Douglas Moisés Quintiliano, ex-policial civil; Gilson Pereira de Freitas, preso em Curvelo, Nerval Maniolo Teixeira Oliveira e Marcos Gonçalves Machado, detido  em Divinopolis. Além  da casa de Manoel Costa foram cumpridos mandados em casas de Rio Pardo de Minas, e apreendido um carro pertencente a um prefeito do Norte do Estado.

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