quarta-feira, 18 de Novembro de 2015 09:07h Atualizado em 18 de Novembro de 2015 às 09:11h. Pollyanna Martins

Duas pessoas são presas em continuidade à Operação Zaqueu

Um despachante e um empresário são suspeitos de estelionato, inclusive com falsificação de assinatura do Delegado de Trânsito

A segunda fase da Operação Zaqueu resultou na prisão de dois homens e na apreensão de documentos na manhã de ontem. A Operação foi desencadeada na semana passada, quando despachantes da cidade foram investigados por falsificação de taxas de selagem de placas.
Cumprindo dois mandados de busca e apreensão nas casas e nos escritórios dos suspeitos, e dois mandados de prisão, a Polícia Civil segue com a Operação Zaqueu em Divinópolis. Na manhã de ontem, foi preso o despachante Rogério Diniz e o empresário Valmir Barroso.
De acordo com o Delegado de Trânsito, Leonardo Pio, o despachante é suspeito de falsificar documentos, em especial a falsificação de reconhecimento de firma. “Estamos investigando tanto a falsificação de documentos quanto a prática de estelionato. O documento e a transferência foram processados no órgão de trânsito com o reconhecimento de firma falso”, afirma o Delegado.
De acordo com Leonardo, o dono de um Vectra, um idoso de 73 anos, faleceu no dia 8 de outubro deste ano e houve um reconhecimento de firma dele no dia 14 do mesmo mês. “Isso é um fato impossível. Temos os elementos nos autos que foi o despachante [Rogério] que viabilizou este falso reconhecimento de firma. Ele está com as atividades suspensas. O escritório está fechado”, ressalta. A pessoa para quem o veículo foi repassado também será intimada a depor e explicar a situação.
Já o empresário Vlamir Barroso, que é proprietário de uma agência de veículos, é investigado também por falsificação de documento e estelionato. O Delegado explica que o empresário vendeu um veículo, uma Frontier, a uma pessoa e a proprietária do veículo disse não ter recebido o valor e que somente depois de receber o pagamento do carro que entregaria o recibo original. “Com isso, o Valmir viabilizou um recibo falso e passou ao cliente que comprou o veículo. Neste caso, não chegou a ser processado, porque quando o documento chegou, nós desconfiamos da autenticidade. Inclusive constando uma assinatura que não é minha e um carimbo que não é meu. Ele lesou tanto quem está com o veículo agora e também a ex-proprietária”.
Os dois estão presos e já foram levados para o presídio Floramar. “Pedimos a prisão preventiva, que é por tempo indeterminado. Eles estão à disposição da justiça. Estamos fazendo auditorias em alguns expedientes e apurando se há mais pessoas envolvidas neste caso. Os dois negaram e alegaram que receberam os documentos desta forma”, revela Leonardo Pio.

 

 

Despachantes
Os seis despachantes ouvidos e liberados na semana passada estão com as atividades suspensas, mas esta semana, a justiça autorizou que eles mantenham apenas um funcionário para entregar os documentos a clientes e depois voltará ser fechado e as atividades continuam suspensas. “Eles estão abertos apenas para isso, não podem ser contratados por novos clientes e não podem dar prosseguimento aos que já tinham. Eles estão até proibidos de entrar na delegacia”, revela Leonardo.
Entenda o caso
A Polícia Civil (PC) descobriu um esquema fraudulento de despachantes de Divinópolis.  A Operação Zaqueu investiga seis despachantes da cidade, que falsificavam taxas de selagem de placas. A Polícia Civil apreendeu, até o momento, 73 guias falsificadas.
De acordo com o delegado de trânsito, Leonardo Pio, os suspeitos emitiam a guia (DAE) e simulavam o pagamento no verso do documento. “Eles [despachantes] montavam, na verdade, comprovantes de pagamento, induzindo o servidor que trabalha no setor ao erro, como se a taxa estivesse paga”, explica.
Os despachantes envolvidos são: Felipe Despachante (Praça do Mercado); Joana Despachante (Rua Bambuí); Roda Despachante (Rua Goiás); Paulinho Despachante (Rua Minas Gerais); Flávio Despachante (Rua Delfinópolis); Diniz Despachante (Praça do Mercado).
Esquema
O esquema funcionava da seguinte maneira: o cliente pagava o valor de R$ 46,29 pela taxa ao despachante, e o mesmo, em um programa no computador, falsificava o comprovante de pagamento, e apresentava a guia supostamente paga no Departamento de Trânsito (Detran) de Divinópolis. Foram apreendidos oito computadores, um pen drive, R$ 1.764 em dinheiro e dois cadernos de movimentação de caixa. Conforme o delegado, os despachantes agiam de forma isolada. A investigação continuará para averiguar se outros despachantes também praticam o crime. “O usuário pagou a taxa para o despachante, mas o despachante embolsava esse dinheiro, montando o comprovante. Cada despachante montou o seu esquema sozinho, não existe uma quadrilha, e eles confessaram o crime”.

 

 

Créditos: Pollyanna Martins

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