quarta-feira, 28 de Setembro de 2011 10:08h Paulo Reis

Empresário divinopolitano tem Habeas Corpus negado

Operação Grilo poderá passar por CPI a pedido da ALMG

A ‘Operação Grilo’ completou uma semana ontem (27) e as investigações permanecem em silêncio o qual tem levantado muitos questionamentos. A Polícia Federal (PF) tem agido com bastante cautela principalmente com relação aos depoimentos que tem se repetido incessantemente.


No final da última semana dois habeas corpus foram negados: na quinta (22) para o ex-prefeito de Janaúba, Ivonei Abade, e na sexta (23) para o empresário divinopolitano, Marcos Machado conhecido como Ganso.  Segundo o desembargador Reinaldo Portanova, os argumentos dos impetrantes, que alegavam que a prisão constituía constrangimento ilegal, não afastaram a necessidade do cárcere.


De acordo com investigações o paraíso fiscal utilizado pelos grileiros seria o Uruguai. Existem várias empresas envolvidas na operação fraudulenta. E, dentre elas está a Sunrise Participações, do qual Marcos Ganso teria “ações”. Marcos aparece ainda como um grande operador de uma conexão internacional. A empresa Floresta Empreendimentos Ltda tem mais de 98% do seu capital pertencente a Sunrise Participações LTDA, o qual capital social está registrado em nome de WILES INTERNACIONAL S/A, que tem sede em Montevidéu.


Os diálogos telefônicos ouvidos com autorização judicial confirmaram que, sob o patrocínio das empresas VALE S/A e FLORESTA os grileiros Altemar Alves Ferreira e Breno Rodrigues, disfarçados de empresários e corretores de terras, na realidade tinham como tarefa arranjar a documentação utilizada nas fraudes e proceder as invasões, expulsando das terras, sob violência e graves ameaças, antigos e modestos agricultores que lá habitam e sobrevivem.


Na tarde de segunda-feira (26), os deputados de oposição da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) entraram com um requerimento para que seja constituída uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para apurar todos os fatos e ainda foi cogitada a presença do então Senador, Aécio Neves (PSDB), já que há terras federais envolvidas no caso.


Outra ação que tem levantado suspeitas, e que já está sendo investigada, pelo Ministério Público Estadual (MPE) é a da participação de funcionários do Instituto de Terras (Iter) na queima de documentos da instituição, com o intuito de atrapalhar as investigações da ‘Operação Grilo’. Na segunda-feira (26), a Ruralminas informou, que o galpão, onde foi realizada a operação, está cedido ao Iter que o usa como arquivo.


De acordo com o Governo, esta atitude teve também o objetivo de recolher toda a documentação relativa à legitimação de terras referente ao período investigado pelas autoridades, de 2007 a este ano. A medida atendeu, segundo nota divulgada pela administração, a uma ordem judicial expedida pela magistrada Aline Martins, da comarca de São João do Paraíso, no Norte de Minas. “Em cumprimento à ordem judicial, o Iter autorizou a condução de 11 funcionários ao Arquivo Fundiário, localizado em Contagem, nos dias 23 e 26 de setembro de 2011, para localização dos processos solicitados” finalizou Martins.


A reportagem da Gazeta do Oeste entrou em contato com a Polícia Federal de Belo Horizonte, e segundo assessoria as investigações permanecem sob sigilo absoluto.

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