segunda-feira, 30 de Março de 2015 12:04h

Fiscalização vai contar com cães farejadores em portos, aeroportos e postos de fronteiras

Utilização de cães podem auxiliar na detecção de produtos agropecuários no interior de bagagens, prevenindo a entrada de novas doenças e pragas no país

Cães das raças labrador e golden retriever, dóceis e de fácil aceitação pelo público, estão sendo utilizados como brigada canina em serviços de vigilância sanitária agropecuária em diversos países apresentando excelentes resultados, tanto na apreensão de produtos, quanto no trato com passageiros em áreas de fronteira, portos e aeroportos. Projeto similar está em vias de implantação no Brasil e integra uma das diretrizes de modernização do VIGIAGRO – Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional, da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

No início deste mês, como parte de um projeto de cooperação técnica firmado entre o IICA (Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola) e o governo brasileiro, uma equipe técnica do Mapa visitou o Departamento Agrícola e Pecuário do Chile para avaliar a atividade realizada naquele país. Implantado em 2005, o serviço de brigada canina chileno conta com animais e condutores extremamente treinados. Tal atividade vêm reduzindo significativamente o transporte de produtos de origem animal ou vegetal, proibidos por lei, uma vez que são passíveis de introduzir pragas e doenças em qualquer país. No Chile, além dos cães farejadores como instrumento de inibição da prática ilegal, são aplicadas multas que variam entre U$200 e U$10.000 para viajantes que não declararem a presença de produtos proibidos na bagagem.

Os fiscais agropecuários brasileiros tiveram a oportunidade de acompanhar o treinamento das equipes de condutores e cães, presenciando atividade de campo no Porto de Valparaíso, quando foi realizada a inspeção nas bagagens de mais de 4 mil passageiros que desembarcavam de um cruzeiro.

É dever do Estado adotar todo o tipo de precaução disponível, já que o trânsito internacional de pessoas corresponde ao principal meio de introdução e difusão de doenças em todo o mundo.

O projeto básico de implantação do uso de cães de faro nas atividades da vigilância agropecuária está em fase de estudos e levantamentos por meio de um convênio entre a Universidade de Brasília, o Ministério da Agricultura,  o IICA e  o Exército Brasileiro - responsável pela formação das brigadas caninas. A previsão é que o piloto seja implantado até o final do ano, começando pelo Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek em Brasília. A ideia é que os cães atuem antes mesmo da entrega das bagagens, ainda quando estiverem circulando nas esteiras dos terminais de passageiros. O foco principal seria além da bagagem despachada, as bagagens de mão, onde frequentemente são transportados os alimentos.

A indicação da presença dos produtos proibidos na bagagem feita pelos cães é passiva, ou seja, os animais sentam ao detectar o odor de um produto proibido, sem apresentar nenhum contato com as pessoas. Os cães só são atraídos para malas ou bagagens que exale a presença de algum produto de origem animal ou vegetal.

Para o secretário de Defesa Agropecuária, Décio Coutinho, a implantação do Centro Nacional de Cães de Detecção no Brasil demonstra a importância concedida a fiscalização zoossanitáira e fitossanitária de fronteiras. “ Utilizando as ferramentas corretas e com o devido cuidado, uma vez que estamos diante do trato com o cidadão brasileiro, podemos sim, resguardar nosso país de doenças não existentes que podem implicar em sérios riscos sanitários e econômicos”, afirma Coutinho.

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